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Retrospectiva 2019: ações da ADUnB em um ano marcado por lutas e protestos

Atualizado: 22 de Dez de 2019

Em 2019, a Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB) enfrentou um período intenso e desafiador. A defesa da educação pública mobilizou sindicatos, estudantes e professores em diversos protestos que marcaram a oposição à política de desmonte na educação promovida pelo governo Bolsonaro no Ministério da Educação (MEC).

Além de defender a universidade pública como instituição fundamental na produção da ciência e para a garantia da qualidade democrática de nosso país, a ADUnB atuou na defesa da categoria docente e enfrentou disputas que seguirão em 2020, como a defesa da URP para as professoras e professores da UnB (leia aqui).

Para melhorar a qualidade de vida do trabalhador docente, o Grupo de Trabalho (GT) “Trabalho e Saúde”, formado no sindicato, promoveu palestras, capacitações e articulações institucionais. Coordenado por Mário César Ferreira, professor do Instituto de Psicologia, o GT realizou um levantamento epidemiológico dos docentes da UnB e integrou um Grupo de Combate ao Assédio Moral na UnB. O grupo, criado pelo Decanato de Gestão de Pessoas (DGP), tem representação de diversas instâncias da UnB e estabelecerá, em 2020, as diretrizes institucionais para o tratamento das denúncias ou constatações de casos de assédio, e definirá ações de combate ao assédio e à violência no trabalho - com a produção de uma cartilha institucional e de campanha permanente de conscientização na UnB.

No âmbito externo, o sindicato participou de diversas audiências no Parlamento, onde defendeu os recursos das universidades públicas, a Liberdade de Cátedra e lutou contra a tentativa de privatização das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES), apresentada pelo MEC como o projeto “Future-se”. Confira as principais atividades do sindicato em defesa da educação e das universidades públicas:


Assembleias e CR Neste ano, foram realizadas 6 Assembleias Gerais, onde os professores e professoras discutiram estratégias de mobilização contra os ataques à educação e à categoria docente. Um Conselho de Representantes (CR) mais encorpado promoveu o diálogo nos departamentos dos Institutos e Faculdades. Ao todo, foram realizadas 10 reuniões do CR.


Protestos em defesa da educação


Protesto do dia 30 de maio levou mais de 50 mil pessoas à Esplanada dos Ministérios

Professores, estudantes, trabalhadores, centrais sindicais e manifestantes de outras categorias e movimentos ocuparam a Esplanada dos Ministérios em diversos protestos este ano. “Os atos de protestos contra o governo que marcaram 2019 foram resultado de construção coletiva de diversas centrais sindicais e movimentos sociais e demonstraram a força e importância da atuação conjunta em defesa dos nossos direitos”, disse o vice presidente da ADUnB, Jacques de Novion. Confira as manifestações em que a ADUnB esteve presente:


8 M - O cortejo reuniu professoras e professores da Universidade de Brasília. A manifestação foi promovida por mais de 30 organizações. Unidas, reivindicaram o direito à vida das mulheres sem agressões, igualadade de direitos e respeito. A atividade teve como mote o lema: “Pela vida de todas as mulheres, resistiremos”!

Foto: Bárbara Merfort Ferreira‎

15 M - Mais de 50 mil pessoas ocuparam a Esplanada dos Ministérios no dia 15 de Maio em protesto contra o desmonte da educação pública e da Previdência Social. A Greve Nacional da Educação reuniu professores de instituições superiores e da rede pública do DF, técnicos administrativos e estudantes. A centralidade da luta sindical foi fator decisivo para o sucesso do 15M. A ADUnB protagonizou as mobilizações para o ato, realizando diversas reuniões com 15 entidades em sua sede.


30M - No segundo Dia Nacional de Lutas, docentes, estudantes e técnicos administrativos da UnB e demais trabalhadores da iniciativa privada e servidores públicos de diferentes categorias voltaram a lotar a esplanada em defesa da educação pública e gratuita. Cerca de 30 mil manifestantes estiveram no ato.

14J - A UnB parou no dia 14 de junho. Estacionamentos desertos, corredores vazios e a ausência de estudantes que, geralmente, lotam o Campus Darcy Ribeiro, demonstraram a alta adesão de professores, alunos e técnicos administrativos à Greve Geral. Membros do CR da ADUnB formaram um comitê local de greve e acompanharam a paralisação.



Greve Geral 13 de agosto - Professores universitários, servidores do executivo federal, trabalhadores da iniciativa privada, estudantes secundaristas e do ensino superior tomaram a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para mais um ato em Defesa da Educação Pública e contra a Reforma da Previdência, na Greve Geral. O grito da sociedade pela manutenção dos direitos sociais, respeito ao Estado Democrático e fim da afronta às garantias trabalhistas foi encorpado pelo brado de 6 mil mulheres indígenas que também marcharam para protestar contra os ataques do governo.

02 e 03 de outubro | Greve Nacional da Educação - A paralisação mobilizou a comunidade acadêmica da Universidade de Brasília (UnB) e de outras universidades federais do país nos dias 2 e 3 de outubro. A ADUnB organizou um ato na Rodoviária do Plano Piloto para informar a população sobre as ações promovidas pela universidade e a importância da educação pública para o futuro do país. No dia 5, a ADUnB integrou o evento “UnB perto de você”.


Luta contra o Future-se

O sindicato esteve ativo na luta contra o Future-se’, o projeto de privatização do ensino superior apresentado pelo MEC em meio aos cortes orçamentários nas universidades. Um estudo (leia aqui) produzido pela assessoria jurídica da ADUnB, analisou a minuta do programa e apontou as principais mudanças que o plano do governo acarretará para a autonomia administrativa, didático-científica e para a gestão das instituições de ensino superior.

O Future-se desobriga o Estado do financiamento público da educação superior e transfere o patrimônio público das universidades para as Organizações Sociais (OSs)e fundações. As universidades seriam subordinadas aos interesses privados, com a terceirização da gestão, através das OSs e fundações, e a securitização do patrimônio público das universidades.


O projeto foi amplamente rejeitado pelas universidades brasileiras. Na UnB, professores, estudantes e técnicos administrativos estiveram unidos contra o Future-se, com diversas reuniões de articulação. A comunidade acadêmica entregou ao MEC uma Carta rejeitando a adesão da instituição ao Future-se. Cerca de 55% das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES), que reúnem 82% do total de estudantes de graduação, disseram não ao programa.


Defesa das entidades de fomento à pesquisa


A ADUnB e diversas entidades científicas lutaram em 2019 para garantir recursos para a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Fundação de Apoio à Pesquisa do DF (FAP-DF). O sindicato participou de audiências públicas, promoveu reuniões, eventos e articulações políticas em defesa das entidades.



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