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“Vivemos um tempo de monstros”, afirma Boaventura de Sousa Santos sobre crise no neoliberalismo

Atualizado: Jan 29


O jurista e sociólogo Boaventura de Sousa Santos fechou sua passagem pelo Distrito Federal com participação no evento “As epistemologias do sul e a refundação da democracia”, nesta segunda-feira (28), na Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB). O evento foi organizado pelo Instituto de Ciências Humanas da UnB, e houve o lançamento dos livros “O fim do império cognitivo” (2019), “O Pluriverso dos Direitos Humanos” (2019) e “Demodiversidade: Imaginar novas possibilidades democráticas” (2018).


Após uma extensa agenda de palestras, Boaventura falou sobre a decadência do neoliberalismo e, recordando o filósofo italiano Antônio Gramsci, disse que “vivemos um tempo de monstros”, e que é premente a construção de alternativas. “Esse modelo está em grave crise, e o novo não emerge”, provocou.


Da desconfiguração do estado pela corrupção ao esvaziamento da democracia, Boaventura afirmou que os problemas políticos têm uma raiz epistemológica, e que isso ocorre porque o cientificismo se afirmou como o único sistema legítimo. “Há muitos outros conhecimentos na sociedade que não valorizamos porque fomos colonizados com a ideia de que a ciência é o único válido, mas há uma variedade de possibilidades”, disse o sociólogo.


O sociólogo falou sobre a ecologia de saberes, tema do livro “O Fim do Império Cognitivo - A afirmação das epistemologias do sul”. Nessa perspectiva, a interlocução científica com o conhecimento popular deve ser estimulada. Especialmente no Brasil, ressaltou Boaventura, a sabedoria ancestral dos povos indígenas precisaria servir de base para uma nova relação com a natureza.


“O conceito dos povos indígenas não é o mesmo da concepção desenvolvimentista, uma concepção estúpida da natureza. Isso obriga uma transformação profunda da nossa ideia de conhecimento”, afirmou, sublinhando o papel das sociedades indígenas na conservação da biodiversidade mundial. “O Brasil é um país apocalíptico. Em menos de um ano, tivemos três desastres ambientais de grande dimensão, que mostram que esse modelo de desenvolvimento não tem futuro.”


O esforço para uma tradução intercultural foi defendido por Boaventura como fundamental para a refundação da democracia e dos direitos humanos. “Para diferentes objetivos, diferentes conhecimentos. O conhecimento científico foi ratificado pelo capitalismo e pelo patriarcado. Por isso temos formado tantos conformistas. Então não há como formar rebeldes. Quando tentamos, eles são incompetentes. Para esses, ofereço o ‘Epistemologias do Sul’”, brincou.


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