Vacina é legal


Que tempos são estes em que temos que defender o óbvio?”, questionou o dramaturgo alemão Bertolt Brecht (1898-1956), perplexo com o comportamento de parte da população influenciada por governos obscurantistas. Décadas depois, no Brasil, o governo Bolsonaro, com sua campanha sistemática de fake news para desacreditar a ciência em meio a uma pandemia, nos obriga a defender o óbvio.


Primeiro óbvio, que o direito à saúde está assegurado no art. 196 da Constituição Federal, que impõe ao Estado o dever de, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), não permitir que a população adoeça por motivos evitáveis, caso da Covid-19. Vacinar, portanto, é um dever legal do Estado e vacinar-se, um direito igualmente legal de toda a população.


Para fugir de seu dever e desprezar um direito de todos, o governo Bolsonaro, a começar pelo presidente e por seu ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, inova ao fazer uma campanha pela não vacinação no país que até outro dia era o que mais vacinava no mundo, atrás apenas dos EUA, com a diferença de que, no Brasil, a vacinação é e sempre foi gratuita, erradicando epidemias tão letais quanto a Covid-19, tais como a varíola e a poliomielite (paralisia infantil). Defendem o questionável direito individual de não obrigação de tomar a vacina, omitindo um fato óbvio: numa pandemia, cada indivíduo que se guiar por tal raciocínio será uma ameaça a toda a coletividade da qual faz parte.


A variante Ômicron é derivada justamente de uma imunização insuficiente, e se a sua letalidade é menor, isso se deve, obviamente, a um só fator: a vacinação de quem não pensou somente em si, mas em todos, adotando ainda outros protocolos de prevenção que sofrem iguais ataques do governo.


Sejamos óbvios: vacina é saúde, vacina é vida, vacina é, em todos os sentidos, legal.

Vamos, sim, tomar todas as doses, vamos, sim, vacinar nossas crianças, vamos, sim, exigir nosso direito à vacina, vamos, sim, cobrar o dever do Estado de nos vacinar contra a Covid-19, contra a H3N2, contra tudo e todos que ameaçam nossas vidas.