Reitores eleitos, parlamentares e sindicatos protestam contra intervenções nas universidades

Ato foi um marco na defesa da democracia e autonomia das IFES


Ato foi transmitido ao vivo pelo YouTube do ANDES-SN

A luta pela democracia e autonomia das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) mobilizou, nesta terça-feira (8), entidades sindicais, estudantis, parlamentares e reitores eleitos e não empossados por Bolsonaro em plenária nacional realizada na Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB) com participação virtual e transmissão ao vivo.


Falta de transparência, perseguições, ataques e ameaças a estudantes, professores e técnicos foram algumas das situações relatadas nas 19 instituições em que o governo ignorou a soberania das comunidades acadêmicas. Para Rivânia Moura, presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN), o processo de intervenção nas IFES "visa silenciar todas as vozes contrárias a esse governo e aos ataques que temos vivenciado".


Mais de 40 convidados participaram do evento, entre representantes da União Nacional dos Estudantes (UNE), de Diretórios Centrais dos Estudantes (DCE) de diversas instituições, reitoras e reitores eleitos e não empossados, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), a Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG), parlamentares, figuras políticas como Fernando Haddad e o ex-ministro da Educação, Tarso Genro, além das entidades sindicais e representativas.


Os depoimentos salientaram que as intervenções são escolhas ideológicas e programáticas do governo, que pretende seguir com o projeto de financeirização da educação, privatização e cortes. "Na UFGD e nas demais universidades, vemos um programa de desmoralização da educação pública sendo imposto", disse o estudante Tainan Fabbri, do DCE da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).


Ernesto Elias, do DCE da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), afirmou que há um ano e meio a instituição resiste ao interventor, que pretendia implantar o programa Future-se. "Passamos por um ano de políticas de desmonte perversas. As coisas só não estão piores porque temos professores, estudantes e técnicos de luta", afirmou o estudante.


Para José Arnóbio Araújo, reitor eleito para o IFRN, os interventores têm promovido um verdadeiro desmonte das instituições. "Nossa defesa é do coletivo, das instituições de ensino, que historicamente têm produzido profundas transformações sociais".


Para Ana Flávia de Lira, do DCE da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), as intervenções têm o objetivo de colocar em curso o projeto de desmonte da educação pública. "Por isso perseguem os movimentos estudantis e sindicais. São vários os estudantes, líderes sindicais, reitores e reitoras eleitas que sofreram processo administrativo disciplinar ou tiveram inquérito instaurado na Polícia Federal", alertou a estudante.


Ethel Maciel, reitora eleita pela Universidade Federal do Espírito Santo, seria a primeira mulher eleita reitora da universidade desde a sua criação. "Não fui escolhida por uma única razão: sou uma feminista, defendo os direitos humanos e principalmente os direitos reprodutivos das mulheres. É um cerceamento a nossa liberdade de expressão e uma afronta a democracia".



Intervenções de Bolsonaro



Mapa da intervenção do MEC sob governo Bolsonaro / Arte: Brasil de Fato

Até o momento, 19 instituições sofreram intervenção arbitrária de Jair Bolsonaro. Em sete delas, foram nomeados reitores que sequer disputaram a eleição: na Universidade Federal de Sergipe (UFS), Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET-RJ) e Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).


Também foram nomeados três reitores que ficaram em 2º lugar na lista tríplice – na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) e Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC).


Bolsonaro nomeou outros nove reitores que ficaram em 3º lugar na consulta pública: na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Federal Rural do Semi-Árido/RN (Ufersa), Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri/MG (UFVJM), Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Universidade Federal do Piauí (UFPI).


Assista na íntegra:



Links Úteis

Assessoria de Comunicação

De 9h às 18h, de segunda à sexta-feira.

acs@adunb.org.br

(61) 98280 0418