Plenária discute estratégias para "acordar" a categoria e envolver a sociedade na luta pela Educação



Representantes dos Docentes, dos servidores técnico-administrativos e dos estudantes se reuniram hoje (15) para alinhar estratégias em defesa do Ensino Público, das pesquisas científicas e das carreiras da Educação. A reitora da UnB, Márcia Abrahão, o chefe de gabinete Paulo Cesar Marques e chefes de decanatos também participaram da plenária unificada. Nos informes, a Reitora comunicou que o reajuste da URP para o próximo mês está bloqueado pelo sistema e que irá interpelar o Ministério da Economia sobre o assunto, visto que há uma decisão judicial no STF sobre o tema.

A situação orçamentária da universidade se agrava. A reitora relatou que a UnB precisou recolher 30% do orçamento das unidades acadêmicas que já haviam sido empenhados para que a instituição pudesse arcar com o pagamento de contratos e despesas de custeio. Se o contingenciamento de verbas da educação imposto pelo governo não for revogado, a universidade não terá recursos para fechar o ano letivo. “Nós não seremos a primeira da fila a parar, mas certamente não chegaremos no fim do ano”, afirmou Márcia Abrahão. A reitora também informou que o MEC retirou da universidade funções gratificadas de nível 4, 5 e 6 e que a UnB recebeu um questionamento do Ministério Público sobre o cumprimento de carga horária dos docentes.

Diante da gravidade dos relatos, os representantes dos três segmentos presentes na reunião encaminharam indicativo de assembleia para o dia 28. A sugestão é que a plenária unificada ocorra no teatro de arena da UnB, para reunir a comunidade acadêmica e a sociedade civil brasiliense. Professores, servidores técnicos e estudantes também votaram pela criação de duas comissões de articulação, uma destinada à mobilização interna e outra para estabelecer diálogo com integrantes do legislativo e outras entidades sindicais. Reuniões de trabalho marcadas para o dia 20 e dia 21 de agosto definirão os detalhes dos encaminhamentos. “Precisamos organizar uma grande plenária unificada, precisamos acordar a categoria. Não podemos menosprezar o apoio que a sociedade e a mídia têm nos dados”, afirmou Luis Antonio Pasquetti, presidente da ADUnB.

Cláudio Lorenzo, secretário-geral da ADUnB, propôs que pequenos grupos se articulassem para tentar estabelecer diálogo com docentes que ainda estão de fora do movimento em defesa pela Educação por, supostamente, terem divergências políticas. A ideia é unir forças em nome da UnB. “O que está em jogo é o fim da pesquisa, da carreira, há muita gente que pensa diferente, mas defende a Educação Pública”, resumiu.

O presidente do SINTFUB, Edmilson Lima, defendeu estratégias para incorporar a sociedade civil no debate. “Nós somos a única universidade pública de Brasília, temos a missão de atender mais de 3 milhões de pessoas no Distrito Federal e no entorno. Com esse sucateamento, em 10 anos não teremos mais professores qualificados. Eles estão atacando a UnB pois ela é estratégica. Estamos no quintal do MEC.”

A integração das lutas, com a articulação junto ao sindicato dos professores do Distrito Federal também foi tema de debate. Camila Marques, coordenadora-geral do SINASEFE, apontou a necessidade de a comunidade acadêmica da UnB contribuir para a defesa das instituições locais de ensino. “A questão da militarização das escolas públicas do DF está sendo um massacre. Precisamos definir ações mais contundentes. A gente tem tido dificuldade para radicalizar, o governo não.”

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