No Brasil e no exterior, um mesmo grito: Fora, Bolsonaro!

Ainda maior e mais plural que o #29M, o #19J multiplica a força das ruas, repercute na mídia e aumenta a pressão e o número de pedidos pelo impeachment de Bolsonaro

Realizado no último sábado (19), o ato #19JForaBolsonaro superou as expectativas: em 427 cidades do Brasil e de outros 17 países, 750 mil pessoas foram às ruas para exigir o impeachment de Bolsonaro. Um crescimento de 25% em relação ao público do #29M, no mês passado. No mesmo dia, o país atingiu a trágica marca de 500 mil mortes causadas pela falta de vacina contra a covid-19, graças à negligência de um presidente que enfrenta uma pandemia negando a ciência, produzindo e divulgando fake news e agindo como garoto-propaganda de medicamentos comprovadamente ineficazes. O #19J também foi marcado por uma maior pluralidade participativa em relação ao #29M: estiveram presentes lideranças e militantes de partidos progressistas, dirigentes e integrantes de organizações sociais, de entidades sindicais e estudantis, servidores públicos, além dos movimentos feminista, negro, LGBTQIA+ e comunidades indígenas. Destaque, ainda, para uma maior participação da categoria docente. Educação, PEC 32, demarcação de terras e outros genocídios também em pauta Em Brasília, além das pautas centrais do ato – vacina para todos, comida no prato e o impeachment de Bolsonaro –, reivindicadas em todas as demais cidades, outras pautas cobrando igual responsabilidade do Estado foram levantadas e defendidas em faixas, cartazes e falas pelos mais de 40 mil participantes. Dirigentes sindicais do ANDES-SN e da ADUnB denunciaram os sistemáticos ataques do governo à Educação e à categoria docente, com redução absurda de orçamento para as universidades e tentativa de mais cortes dos direitos de trabalhadores do segmento por meio da PEC32 – aderiram a essa denúncia servidores públicos de outros segmentos que também serão afetados pela reforma administrativa, que prevê congelamento, e até redução, de salários de servidores da administração pública federal, e os estudantes também protestaram contra os cortes na Educação. Há mais de uma semana na capital federal, indígenas do Levante pela Terra tiveram participação maciça no ato, no qual, além de reforçarem denúncias e resistência ao ao PL 490, do marco temporal de demarcações de terras, destacaram que são alvos de genocídio do governo não apenas pela falta de vacina contra a covid-19. A mesma denúncia teve eco entre os movimentos identitários.

Exterior Houve atos também em cidades de dezessete países, tais como Amsterdã, Barcelona, Berlim, Coimbra, Cork, Dublin, Estocolmo, Frankfurt, Helsinque, Istambul, Londres, Miami, Montreal, Paris, Praga, Roma, Viena e Zurique. Ganhou destaque a projeção, na Torre de Londres, de uma imagem com o rosto de Bolsonaro ladeado por um trocadilho com seu nome pedindo a sua prisão.


Repercussão


Pela primeira vez, as manifestações pelo #ForaBolsonaro receberam ampla cobertura da mídia, inclusive de veículos que colaboraram para a sua eleição e ainda apoiam agendas de seu governo. No domingo (20), o ato foi a manchete principal de Estadão, Folha de São Paulo e d’O Globo – que responsabilizou diretamente Bolsonaro pelo genocídio derivado da falta de vacinas –, além do duro editorial feito pelo Jornal Nacional no dia mesmo das manifestações. Nas redes sociais, a repercussão foi ainda maior: no Twitter, cerca de 700 mil tweets foram feitos com fotos e destaques dos atos. No Instagram, houve mais de 20 milhões de interações em posts propagando a participação da população nas manifestações. Na Câmara Federal, o número de pedidos de impeachment de Bolsonaro chegará a 122. No Senado Federal, integrantes da CPI da Covid divulgaram a seguinte nota: “Asseguramos que os responsáveis pagarão por seus erros, omissões, desprezos e deboches. Não chegamos a esse quadro devastador, desumano, por acaso. Há culpados e eles, no que depender da CPI, serão punidos exemplarmente. Os crimes contra a humanidade, os morticínios e os genocídios não se apagam, nem prescrevem”. Cresce e consolida-se o que governantes como Bolsonaro mais temem: a força das ruas.