Não à privatização da CEB: ADUnB se soma à luta e conclama docentes a se manifestarem

Atualizado: 4 de Dez de 2020

O leilão de privatização da distribuidora, que representa mais de 90% da empresa, está previsto para esta sexta, dia 4/12.



A ADUnB se soma aos sindicatos, movimentos sociais, parlamentares e à sociedade do Distrito Federal que têm se mobilizado para esclarecer a população sobre os riscos da privatização da CEB. Os(as) trabalhadores da CEB, em greve, realizarão ato em frente ao Ministério de Minas e Energia no dia do leilão.


“A quem interessa privatizar a CEB, sem um amplo diálogo com a sociedade e com os representantes legislativos? Certamente àqueles que tratam o bem público com descaso, sucateando seu funcionamento e visando lucrar às custas da sociedade”, diz o presidente da ADUnB, Jacques de Novion, que conclama o apoio dos(as) docentes para o esclarecimento da sociedade em defesa da companhia.


O aumento de tarifas e a queda na qualidade de serviço são alguns dos problemas enfrentados pela população dos estados que tiveram suas companhias de energia privatizadas. Como a Enel Brasil, em Goiás, que chegou a aumentar em 30% o valor das tarifas e que em 2019 foi considerada a segunda pior companhia energética do país, segundo a ANEEL. Outro exemplo é a CEA - Companhia de Eletricidade do Amapá, que, neste ano, deixou os amapaenses sem luz durante quase 20 dias.


A Companhia Energética de Brasília - CEB, por sua vez, foi considerada em 2019 a melhor do Centro-Oeste e a 7° melhor do país. Então, por que privatizar? De acordo com o governador Ibaneis Rocha, a companhia tem gerado prejuízos - o que já foi refutado categoricamente em relatórios e documentos produzidos por consultorias externas feitas a pedido do Sindicato dos Urbanitários do Distrito Federal - STIU-DF.


“O prejuízo alegado pelo governo, inclusive, parte dele, é o próprio GDF que deve à empresa. É uma empresa lucrativa, é uma das melhores empresas de energia elétrica do Brasil, e, portanto esse discurso que o governo está usando é falso”, explica Rodrigo Rodrigues, presidente da Central Única dos Trabalhadores, ao qual o STIU é filiado.


Para ele, a CEB deve se manter pública para o atendimento dos interesses públicos e não apenas dos interesses financeiros. Trata-se também de uma condição de soberania: “Se entregarmos a energia elétrica, que é um setor estratégico para o desenvolvimento, nós estamos entregando à iniciativa privada a tomada de decisão sobre questões soberanas do nosso país, do nosso Estado”, e citou o clássico exemplo dos Estados Unidos, que considera como estratégico o setor e por isso não o privatiza.


Apoio de parlamentares e mobilização


Parlamentares do DF acionaram, no final de novembro, o STF para impedir a privatização, com o argumento de que a Câmara Legislativa não foi consultada e não concedeu autorização para a alienação a empresa.


Além disso, um grupo parlamentar suprapartidário do DF protocolou, no Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios, um mandado de segurança contra a privatização da CEB com o objetivo de suspender a deliberação de Assembleia da empresa que aprovou a venda da CEB Distribuição.


As centrais sindicais, sindicatos, movimentos sociais, parlamentares seguem mobilizados para comunicar à sociedade a importância dos serviços e da manutenção da CEB como empresa pública. Para Rodrigues, é muito importante a participação dos(as) docentes(as) universitários(as): “É muito importante os professores saibam o que está acontecendo e se envolvam na luta, pois, certamente, com sua influencia na sociedade, fortalecerão a mobilização em defesa da CEB”.


Os funcionários da CEB estão em greve desde o dia 1°, dentre os motivos, em defesa da CEB Pública


Brasília, 2 de dezembro de 2020