Mulher preta e professora: os desafios impostos pela pandemia às trabalhadoras da Educação


A exaustão na jornada tripla de trabalho, os cuidados com a família, os desafios das aulas remotas e a luta contra os desmontes na Educação.


Hoje é o Dia da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha, uma data menos para celebração e mais, muito mais, para reforçar a necessidade e a urgência de luta, afinal, historicamente, são as mulheres pretas que mais sentem as desigualdades impostas pelo mercado nos países subdesenvolvidos.



A pandemia tornou-se um substantivo feminino. As mulheres são as mais afetadas pelas transformações sociais impostas pelo novo coronavírus. Sobretudo, mulheres negras, as que mais sofrem com o índice de desemprego, chegando a 58% nos recortes de raça e gênero.


Também são as que mais dependem do SUS e, seja como técnicas de enfermagem ou agentes comunitárias, que estão na linha de frente do combate à pandemia, mais expostas, portanto, às consequências do coronavírus. As mulheres negras são, ainda, as maiores vítimas da violência doméstica e feminicídio, cujos casos chegaram a 22,2% em 12 estados no período de isolamento, entre março de 2020 a junho de 2021.


Sem dúvida, um dos setores mais afetados pelas consequências da pandemia é a educação. Desde seu início, ela impôs desafios aos professores para os quais eles não foram preparados. Mas as adversidades são ainda maiores quando se trata das professoras, o que somado ao recorte de raça fica insustentável.


Jornadas Exaustivas


Os efeitos pandêmicos são sentidos tanto pelos 47,2% das professoras brancas quanto pelos 35,9% das docentes negras, mas, historicamente, são as pretas que, pela desigualdade de oportunidades, acabam sendo sobrecarregadas em suas atividades. Com a pandemia, professoras se viram tendo que conciliar o home office, muitas vezes sem condições e preparo para desenvolver as atividades, com as tarefas domésticas, além dos cuidados familiares.


Como se não fosse o suficiente, as professoras ainda precisam ser criativas para manter alunos interessados, driblar os desafios tecnológicos, lutar pela vacinação e contra o retorno às aulas presenciais imposto por alguns estados e municípios.