Moção de Repúdio sobre as intervenções impostas pelo Governo Federal nas IES e CEFET

Leia abaixo a MOÇÃO DE REPÚDIO aprovada no 11º CONAD Extraordinário do ANDES-SN sobre as intervenções impostas pelo Governo Federal nas IES e CEFET, desrespeitando a escolha de reitore(a)s das comunidades.



MOÇÃO DE REPÚDIO


O(A)s delegado(a)s presentes ao 11º CONAD Extraordinário do ANDES SINDICATO NACIONAL, realizado on-line, nos dias 27 de março e 3 de abril de 2021, manifestam seu repúdio ao conjunto de intervenções impostas pelo Governo Federal nas instituições de ensino superior públicas brasileiras e CEFET, em especial, àquelas que tem se caracterizado como imposição de reitoras e reitores não eleito(a)s pelas comunidades acadêmicas para as administrações das IES e CEFET.


Já foram mais de duas dezenas de intervenções em universidades, institutos federais e CEFET. O governo Bolsonaro opera sua política de ataque ao Ensino Superior público e à Educação Básica, Técnica e Tecnológica Federal no Brasil desrespeitando a vontade da categoria docente, de técnicas e técnicos e estudantes. Não bastassem os cortes no orçamento de recursos para ensino, pesquisa. extensão e assistência estudantil, bem como as diferentes ações de privatização que as IES têm sofrido, as intervenções aprofundam ainda mais a ofensiva ao caráter público, gratuito e à qualidade da educação no Brasil.


O ANDES-SN historicamente defende que as escolhas de reitoras e reitores iniciem e terminem nas próprias instituições, os docentes posicionamo-nos contra a lista tríplice. Não temos medido esforços para angariar toda a sociedade nessa luta. Continuaremos a dizer não às intervenções por meio de mobilizações em cada IES e CEFET atacado e, também, de forma articulada em ações nacionais e internacionais.


As interventoras e interventores têm seguido à risca a agenda de Bolsonaro e dos governos privatistas. Suas administrações têm aplicado um conjunto de medidas que impõem mais perseguições políticas ao(à)s lutadoras e lutadores, mais negacionismo anticientífico e uma intensificação da mercantilização do ensino, da pesquisa e da extensão. As intervenções, na prática, aceleram os ajustes das IES e CEFET à lógica do capital. Cada interventora e interventor significa menos autonomia universitária, democracia interna e mais autoritarismo, arbitrariedade e obscurantismo. Mais lucros para as elites e menos educação para a classe trabalhadora. Sabemos que esse processo conjuga-se com a lógica de imprimir à educação pública o caminho do projeto societário e educacional que ataca mulheres, negras e negros, a população LGBTQI+, os povos indígenas e as pessoas com deficiência que têm historicamente lutado por uma educação emancipadora.


Este Sindicato Nacional compreende que a escalada antidemocrática sobre as universidades, institutos e CEFET está alicerçada em um projeto autoritário e subserviente para o Brasil, que visa atacar os direitos conquistados pela classe trabalhadora e o aprofundamento do caráter dependente da economia do país.


Repudiamos todas as intervenções! Repudiamos todos os ataques à classe trabalhadora! Fora Bolsonaro-Mourão!


Fora interventoras e interventores!


Reitor(a) eleito(a), reitor(a) empossado(a)!

Ditadura nunca mais!


Brasília(DF), 3 de abril de 2021.



Estudantes do CEFET/RJ protestam contra nomeação de interventor Foto: Sintufrj

Posts recentes

Ver tudo