Ministro da educação mira no salário e estabilidade de professores universitários


Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Durante debate no 21º Fórum Nacional de Educação Superior Particular, nesta quinta-feira (26), o ministro da Educação, Abraham Weintraub, afirmou que o ensino superior no Brasil gasta "uma fortuna de dinheiro com uma pequena quantidade de pessoas", e que o Ministério da Educação (MEC) precisa “atacar a zebra mais gorda”: o salário de professor universitário federal.


As declarações ocorrem após uma entrevista concedida pelo ministro ao Estado nesta segunda-feira (23), em que mais uma vez atacou as universidades, afirmando que as instituições têm “politicagem, ideologização e balbúrdia”. A Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB) fará uma representação no Ministério Público contra o ministro Abraham Weintraub, para responsabilizá-lo das afirmações difamatórias.


Weintraub salientou, na entrevista, que as instituições federais que aderirem ao Future-se serão obrigadas a contratar novos docentes pelo regime CLT, e que tais contratos serão intermediados por Organizações Sociais (OSs) - entidades privadas que prestam serviços públicos e não precisam seguir a Lei de Licitações e Concursos.


Assim, o Future-se abre brecha para aparelhar as instituições e acabar com a estabilidade de docentes e pesquisadores. No modelo proposto pelo MEC, o servidor terá sua permanência atrelada ao desempenho, o que compromete a liberdade de cátedra. Além disso, o ministro deixou clara a intenção de aumentar a carga horária de trabalho docente, diminuindo o tempo destinado à pesquisa e extensão. “Isso resultará num excedente de pessoal que pode ser usado para não promover mais concursos ou propor plano de demissão voluntária”, analisa Luiz Araújo, professor da Faculdade de Educação da UnB.


A ADUnB alerta a categoria para a continuidade e o aprofundamento dos ataques do governo contra a educação pública e a carreira docente. Depois da série de contingenciamentos nos repasses para as universidades federais e da proposta privatista para o ensino superior, o orçamento previsto para a Educação em 2020 sofreu uma perda de 9%.


O sindicato continua na luta contra o Future-se e na defesa da educação como um valor social e bem público. Pela autonomia das universidades e de nossos salários e carreiras, convocamos os professores e professoras para a Greve Nacional da Educação, nos dias 2 e 3 de outubro.

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