Diretor da Faculdade de Medicina da UnB defende medidas de restrição para evitar o colapso no DF


Em entrevista concedida à ADUnB Seção Sindical, o diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (FM/UnB), professor Gustavo Adolfo Sierra Romero, fala sobre a importância do lockdown e outras medidas de prevenção para que o sistema de saúde do Distrito Federal não entre em colapso nos próximos dias.


A Faculdade publicou nota pública, nesta segunda (1), manifestando profunda preocupação em relação ao posicionamento contrário ao lockdown divulgado pelo Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF).


A nota da FM destaca que a adesão ao distanciamento físico, higienização frequente das mãos, ao uso de máscaras e a medidas para evitar aglomerações é fundamental para o enfrentamento da pandemia.


“As medidas de restrição preconizadas no decreto do GDF são baseadas em evidências sólidas obtidas em estudos científicos bem desenhados e executados em diversos locais do mundo. Estas medidas reduzem a transmissão do vírus e podem apresentar impacto positivo sobre o comportamento da epidemia, contando com a adesão da população”, afirma a nota. Leia aqui.


A Faculdade de Medicina tem contribuído com projetos de pesquisa relevantes no Combate à Covid-19. Na entrevista, que você lê abaixo, Romero fala também sobre essas ações dos(as) professores(as) e estudantes frente à pandemia.


ADUnB Seção Sindical - Qual a necessidade da implementação do lockdown neste momento da pandemia?


Como manifestamos em nota da Faculdade de Medicina, entendemos que nesse momento tão crítico, que já não tem suficiência nos leitos de UTI e que o sistema de saúde está prestes a entrar em colapso, a medida de implementação de restrições mais severas é muito, muito importante. Isso vai permitir que as demandas de atendimento, principalmente daqueles pacientes mais graves, sejam razoavelmente equacionadas.

Se não houver essas medidas de restrição mais severas funcionando plenamente no DF, o exemplo de risco que vamos correr é que os pacientes que precisarão de UTI terão que ser tratados em outros estados, como já está ocorrendo em Santa Catarina.


ADUnB Seção Sindical - Vimos comerciantes de Manaus saírem às ruas em Dezembro, contra o lockdown. Em Janeiro, aconteceu um novo pico da pandemia e falta de oxigênio naquele estado. Parece não haver aprendizado quando vemos os comerciantes fazendo o mesmo em Brasília, mesmo com todos os alertas de epidemiologistas sobre o caos que podemos chegar em duas semanas. Como dialogar, o que dizer, o que fazer para convencer a comunidade sobre a necessidade de um lockdown nesse momento?


Professor Gustavo Romero - Nós entendemos que privilegiar campanhas efetivas de informação e comunicação junto à comunidade - para que as pessoas fiquem cientes e também sensibilizadas e que uma atuação coletiva possa proteger a saúde de todos - é muito importante.


Eu acredito que o poder público e todas as outras entidades interessadas na saúde da população têm a obrigação de se comunicar da melhor maneira possível para que a população compreenda a necessidade das medidas que vão, desde o simples uso de uma máscara, a higienização das mãos, até restringir a sua própria mobilidade em prol da redução da transmissão da Covid 19.


ADUnB Seção Sindical - Qual foi a repercussão na classe médica sobre esta nota contra o lockdown, publicado pelo CRM?


A comunidade médica em geral está vendo com muita preocupação a declaração, principalmente os médicos de todas aquelas especialidades que estão envolvidas no atendimento direto aos pacientes com Covid, que estão vendo como a situação está se tornando cada vez mais crítica. Várias manifestações têm sido feitas por várias associações médicas e isso também está em consonância com a manifestação que a Faculdade de Medicina fez.


ADUnB Seção Sindical - Qual o impacto de uma declaração como essa do CRM para a comunidade do Distrito Federal e do país? O CRM pode ser responsabilizado em alguma instância por essa declaração?


Professor Gustavo Romero - Sendo o CRM uma entidade que forma opinião pública, o impacto dessa declaração pode resultar na diminuição da adesão da população nas medidas de restrição que têm sido preconizadas nessa situação mais crítica. Como toda entidade pública, o CRM pode, eventualmente, ser objeto de fiscalização pelos entes do poder público que zelam pelo bom funcionamento desse tipo de instituição.


ADUnB Seção Sindical - Como a Faculdade de Medicina da UnB tem atuado para colaborar na luta contra a pandemia da Covid-19?


Professor Gustavo Romero - A Faculdade de Medicina tem contribuído de uma maneira entendemos que é relevante no combate à Covid-19, colocando toda a sua capacidade de pesquisa à disposição.


Temos participado de vários projetos que são muito importantes para a combater a transmissão do vírus, podemos destacar projetos na área de terapias que estão sendo investigadas, como a transfusão de plasma de soro de pacientes que já tiveram a doença, um trabalho que o Professor André Nicola tem desenvolvido.


A nossa participação também no estudo multicentrico da vacina Cornonavac que já tem resultados e propiciou, inclusive, que rapidamente o Brasil pudesse ter disponibilizada a vacina.


E outras pesquisas que também estão sendo feitas tanto na área básica, quanto na área clínica, que dizem respeito à qualidade de vida dos pacientes com Covid grave, um projeto da professora Juliana Lapa, e assim por diante.


Então, a nossa contribuição nesta perspectiva da produção do novo conhecimento científico para combater a pandemia.


Veja os projetos contra a Covid-19 desenvolvidos pela UnB

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