Ibaneis Rocha é omisso na condução da pandemia

Em live do Comitê UnB pela Vacinação, o governador do DF foi criticado pela falta de governança na imunização e no plano de enfrentamento à covid-19.


Nesta segunda-feira (5/4), enquanto o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), acenou ao presidente Jair Bolsonaro afirmando "ter o prazer" de se intitular apoiador do governo, o DF registrou 382 pessoas na fila de espera por uma vaga de UTI e a vacinação de pessoas do grupo de 66 anos ou mais foi suspensa por falta de doses.


"Nosso governador foi extremamente omisso nesse processo, porque além de não tomar as medidas sanitárias, também não tem batalhado junto com os governadores e prefeitos para que o Plano Nacional de Imunização possa, de fato, garantir as vacinas", afirmou o deputado Distrital e presidente da Comissão Especial de Vacinação da Câmara Legislativa do DF, Fábio Felix.


O deputado foi convidado pelo Comitê UnB pela Vacinação para debater ações e desafios para superar a crise social e sanitária no Distrito Federal. A live (assista abaixo) recebeu ainda o epidemiologista, professor da Faculdade de Ciências da Saúde e coordenador da Sala de Situação da UnB, Jonas Brant, e contou com mediação de Carla Márcia David, diretora do Sintfub e membro do Comitê UnB pela Vacinação.


Felix afirmou que não há esforço do governo distrital para efetuar a compra de mais vacinas, e que o DF estacionou, desde a última semana, na faixa etária dos 66 anos. "Tínhamos apenas 2,5 mil doses para um público de quase 18 mil pessoas e poucos pontos de vacinação, a maior parte deles apenas acessível de carro, o que ainda exclui as pessoas que mais precisam da vacina", considerou.


O governador Ibaneis Rocha foi duramente criticado pelos convidados. "É um cenário perfeito para um desastre", avaliou Jonas Brant. Para o epidemiologista, a falta de liderança e coordenação por parte do governo distrital agrava a crise sanitária. "A gente precisa criar um espaço de governança coletiva. As cidades que estão enfrentando bem a pandemia criaram comitês de enfrentamento", avaliou.


De acordo com Brant, a vacinação é apenas uma das medidas de enfrentamento à pandemia. Para ele, o DF precisa, emergencialmente, de um "lockdown extremamente rígido, por um período curto, para diminuir a sobrecarga na rede", e, em ação coordenada, de políticas de assistência. "Se não criarmos uma série de políticas de apoio, integração à assistência social e saúde, a gente não vai sair dessa crise", afirmou. O deputado Fábio Felix disse que nesse sentido há um "abandono completo do governo" e o esvaziamento de políticas públicas como o programa Prato Cheio.


O DF registrou a maior média móvel de mortes por covid-19 desde o início da pandemia (78 óbitos registrados na segunda-feira, com total de 6.366). O quadro dramático reflete a situação do Brasil, que hoje é o epicentro mundial da pandemia, com mais de 12 milhões de casos confirmados e 300 mil óbitos, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).


Diante da política genocida praticada pelo governo Bolsonaro na pandemia, a Universidade de Brasília se articula no Comitê UnB pela Vacinação, espaço de debate composto pelos três segmentos organizados (Sintfub, ADUnB e DCE UnB), com o objetivo de defender a vacinação universal da população. Clique aqui para integrar o Comitê.

Assista à gravação da live na íntegra:



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