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Governo já interferiu no processo de escolha de seis reitores



Seis universidades já tiveram processo de escolha de reitores atravessado pela intervenção político-ideológica da Presidência da República. Ao optar por nomes que não obtiveram o aval interno das comunidades acadêmicas, o governo Bolsonaro desrespeitou estatutos internos e regras consolidadas pela cultura democrática das instituições de ensino superior.

Os centros federais de educação tecnológica também estão na mira das decisões ditatoriais. E no plano das IFE’s, mais intervenções podem acontecer no decorrer do ano. Até agora, apenas as nomeações de reitores para a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal de Viçosa (UFV), Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) e Universidade Federal do Cariri (UFCA) respeitaram a ordem de classificação das listas construídas por método democrático.


CONFIRA QUAIS SÃO AS UNIVERSIDADES QUE TIVERAM SUAS ELEIÇÕES DE REITORES ATROPELADAS PELO GOVERNO, ATÉ AGORA:



  • Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)


  • Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio)


  • Universidade Federal do Ceará (UFC)


  • Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM)


  • Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM)


  • Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB)


  • CEFET do Rio de Janeiro



Na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), o MEC nomeou uma professora que não disputou a eleição como reitora temporária. Mirlene Ferreira Macedo Damázio, está há quase dois meses no cargo e vem sendo alvo de protestos por parte de estudantes e servidores. Depois que o MEC criticou a lista tríplice enviada pela instituição, o MPF entrou com uma ação contra a universidade para derrubar a lista, acusando a instituição de manipular a eleição. A Justiça Federal negou a ação civil pública e deu parecer favorável à UFGD. Agora, o MEC deve nomear um dos nomes da lista tríplice. Com a eleição, a lista tríplice da universidade terminou composta por Etienne Biasotto (eleito na primeira posição), Jones Dari Goettert e Antônio Dari Ramos.



O reitor nomeado para a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), Ricardo Cardoso, sequer disputou as eleições. A escolha de 72% da comunidade acadêmica foi desrespeitada pelo MEC e manipulada pelo colégio eleitoral, que não sancionou o resultado da consulta e nomeou em primeiro lugar da lista tríplice o professor Cardoso. As únicas chapas inscritas no processo de consulta, a Chapa 1, de Leonardo Castro, e a Chapa 2, da professora Cláudia Aiub, ficaram de fora.


Jair Bolsonaro nomeou o terceiro colocado na lista tríplice da Universidade Federal do Ceará (UFC). No processo de consulta à comunidade acadêmica, o professor de Direito e advogado criminalista Cândido Albuquerque, obteve apenas 610 votos, o equivalente a 4,6% do total.


O professor Janir Alves Soares recebeu apenas 5,2% dos votos da comunidade acadêmica da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). Mesmo ocupando o terceiro lugar na lista tríplice, foi o escolhido por Jair Bolsonaro como reitor da instituição. O atual reitor, Gilciano Nogueira, ficou em primeiro lugar e se disse surpreso com a escolha do governo federal.



A Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) foi a primeira a ter desrespeitada a escolha democrática para reitor. O presidente escolheu, em junho, o segundo colocado da lista tríplice, professor Luiz Fernando Resende dos Santos Anjo, e ignorou a eleição da comunidade acadêmica, que apontou o nome do professor Fábio César da Fonseca.



O governo decidiu ignorar a comunidade universitária da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB) e nomeou como reitor o professor Fábio Josué Souza dos Santos, terceiro colocado na lista tríplice. A escolha interna da instituição era pelo nome de Georgina Gonçalves dos Santos, a mais votada tanto na consulta acadêmica feita aos alunos, quanto na votação do Conselho Universitário para a lista tríplice.



O governo nomeou o professor Ricardo Cardoso sem submeter sua candidatura à comunidade acadêmica do Centro Federal de Educação Tecnológica do Rio de Janeiro (Cefet-RJ). A intervenção provocou fortes reações. Alunos e professores fizeram atos para tentar impedir que Cardoso assumisse a direção-geral da instituição.

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