Educação é investimento, não “gasto”


Na última sexta-feira (27), na calada da noite, o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL), fazendo jus ao seu título de inimigo público número 1 da Educação, anunciou mais um corte no orçamento das universidades e demais institutos federais de educação e pesquisa do país. Desta vez, em mais uma investida para sucatear a educação pública e assim justificar sua entrega ao setor privado da educação, o corte foi de 14,54%, ou R$ 3,23 bilhões.


Além das universidades, o impacto de mais um corte no orçamento será desastroso também para o Inep – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, o FNDE – Fundo Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, para a Capes – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, os Hospitais Universitários e, consequentemente, o Sistema Único de Saúde – SUS.


No caso da Universidade de Brasília (UnB), o corte será de R$ 36,6 milhões, e se dá quando 99,7% do seu orçamento já foram empenhados para investimento em ciência (compra de equipamentos de laboratório e livros), manutenção do funcionamento das atividades, com o pagamento de serviços básicos (água e luz) e garantir a permanência de estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Segundo a reitora Márcia Abrahão, “O orçamento de 2022 é menor do que o de 2020 e de 2019. Temos um planejamento para o ano todo, e agora, no meio do ano, recebemos essa notícia. Ainda não tivemos tempo de fazer todos os cálculos, mas a situação é dramática”.


O governo alega que os cortes anunciados, num total de R$ R$ 8,2 bilhões no orçamento da União para este ano, cumpre o teto de gastos, que limita o crescimento das despesas públicas. Não se viu igual preocupação do governo com gastos, porém, na liberação de bilionárias emendas parlamentares para o orçamento secreto de seus aliados na Câmara dos Deputados.

Importante lembrar sempre, especialmente em tempos adubados pela estupidez no mais amplo sentido da palavra: Educação não é gasto, é investimento.

A ADUnB-S.Sind coloca-se frontalmente contra esses ataques à educação, à pesquisa, ao conhecimento e à civilidade, reafirma sua disposição de, nas ruas, garantir os direitos trabalhistas de sua categoria e o direito constitucional de toda a população ao acesso a uma educação pública, gratuita, inclusiva e laica, e convoca seus associados e associadas a participarem ativamente dessa luta que é um dever de todas e todos.