Dia 8 de março: a luta contra a opressão continua


O 8 de março, Dia Internacional da Mulher, é um símbolo da luta das mulheres contra a violência de gênero e pela igualdade de direitos civis, políticos, sociais, culturais, pelo direito ao trabalho e à igualdade salarial.

A Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB) celebra a vida das mulheres com entusiasmo para continuar as lutas que promovem mudanças reais. Queremos avançar no combate à invisibilidade histórica imposta às mulheres pelo machismo, inclusive no movimento docente e no desempenho das atividades acadêmicas.

"O machismo é a manifestação do patriarcado que atravessa os séculos e é uma questão cultural introjetada no coração e nas mentes das pessoas. A luta das mulheres é contínua e não pode ser separada dos contextos sociais, políticos e culturais", lembra Maria Auxiliadora César, professora emérita da UnB. "A participação crescente em sindicatos e postos de poder também faz parte da luta e dos enfrentamentos das mulheres numa sociedade capitalista e patriarcal que ainda está presente", completa.

A luta das mulheres pelo direito a participar dos espaços decisórios do poder político é secular. Na Universidade de Brasília (UnB), sua ocupação em cargos da estrutura universitária teve efeitos positivos na criação de políticas como a de atenção à maternidade e de segurança. Na Administração Superior, cinco dos oito decanatos são liderados por mulheres – entre eles, os dois responsáveis pela gestão orçamentária e financeira, feito inédito na história da Universidade. Nas unidades acadêmicas, entretanto, apenas oito mulheres ocupam a direção de um total de 26 institutos e faculdades. É preciso fazer mais.

"É um debate que o sindicato ainda precisa fazer, sobre o papel das mulheres", considera Rachel Nunes da Cunha, que foi presidente da ADUnB. "Uma homenagem no dia 8 de março é muito pouco. O debate precisa ser levado às instâncias do sindicato, no Conselho de Representantes, nas Assembleias Gerais. E os homens também precisam entender o espaço que estão dando para as mulheres", alerta.

No sindicato, cinco mulheres compõem a atual diretoria e a presidência já foi ocupada por mulheres em cinco gestões. Em 1988-1990, por Doris Santos de Faria; em 1996-1998, por Laura Regina Fonseca; em 1998-2000, por Maria Francisca P. Coelho; em 2006, por Graciela Nora Doz de Carvalho e em 2006-2008, pela professora Rachel Nunes da Cunha.

No Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN), a paridade de gênero foi aprovada no 38º Congresso, em 2019. Agora, as chapas concorrentes à presidência do ANDES-SN deverão contemplar a participação de, no mínimo, seis mulheres. Já para os cargos de todas as secretarias regionais será garantida a presença de no mínimo 36 mulheres, sendo ao menos um cargo de 1ª vice-presidente e 2ª vice-presidente na totalidade das regionais. A presidência do sindicato nacional é ocupada pela professora Rivânia Moura, eleita em 2020.

"Sempre tivemos que batalhar muito dentro dos movimentos para conquistar um espaço de igualdade e participação. É fundamental que as mulheres se posicionem nesses lugares", diz Maria Salete Kern Machado, docente aposentada do Departamento de Sociologia e colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos.

"É necessário que as mulheres se firmem nesses lugares de poder e decisão. Temos essa responsabilidade porque trazemos conosco a história e a luta de muitas mulheres para que chegássemos até aqui", afirma a professora Graciela Doz.

Graciela é professora do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental, área onde as mulheres representam, mundialmente, apenas 28% dos graduados. "Ainda é muito forte a discriminação de gênero no ambiente acadêmico. Como professoras e pesquisadoras, não temos condições equânimes de trabalho, porque arcamos com responsabilidades como o exercício da maternidade e a sobrecarga no trabalho doméstico, o que na maioria das vezes não é enfrentado pelos homens", afirma.

Como demonstra levantamento de 2019 da organização Parent in Science, que avaliou as consequências da chegada dos filhos na carreira científica de mulheres e homens, as agências de fomento à pesquisa também promovem a discriminação de gênero ao não considerarem as especificidades da maternidade.

Das 1.650 mulheres que responderam ao questionário, 82% considerou que a maternidade impactou negativamente a progressão de sua carreira, e enfrentaram dificuldades em obter financiamento para suas pesquisas devido à queda da produção acadêmica.

Outro levantamento da organização, realizado entre abril e maio de 2020 com participação de cerca de 10 mil alunos de pós-graduação de todo o Brasil, apontou que mais de 90% das alunas que são mães não conseguiram seguir com suas dissertações e teses, enquanto 20% dos pais e 35% dos homens e mulheres sem filhos conseguiram seguir com suas atividades no contexto da pandemia de Covid-19.

O estudo completo consultou quase 15 mil cientistas, no total, entre discentes de pós-graduação, pós-doutorandas(os) e docentes/pesquisadores, e foi o primeiro a fornecer dados conclusivos sobre as forças que impulsionam o desequilíbrio de produtividade na ciência durante a pandemia.

Neste 8 de março, a ADUnB defende o avanço dos direitos das mulheres nos espaços socioeconômicos, culturais e políticos, mas entende que há muito a avançar até a igualdade de gênero. Que a força do coletivo nos impulsione para criação de mecanismos de fortalecimento da participação de mulheres nos espaços de decisão, rumo a um futuro mais justo e igualitário.


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