Covid-19: Estado não assume papel de preservar a vida

Live do Comitê UnB pela Vacinação debateu as dimensões sociais da pandemia com convidados da UnB e Carla Bronzo, doutora em Sociologia e Política pela UFMG



A pandemia não é democrática, ela tem cor, classe, gênero e efeitos nefastos sobre a vida da classe trabalhadora. Essa foi a conclusão dos debates da live "Dimensões sociais da crise sanitária", realizada nesta quarta-feira (5/5) pelo Comitê UnB pela Vacinação. Os convidados apontaram a desigualdade social e a falta de políticas públicas de combate às vulnerabilidades sociais como os principais fatores para o avanço da pandemia no Brasil.


"O Estado não assume o seu papel de preservar a vida, pelo contrário: ele segue os interesses do grande capital", sublinhou a professora Graça Hoefel, médica, doutora em sociologia e coordenadora do Ambulatório de Saúde Indígena do Hospital Universitário da UnB. "Os mais atingidos pela covid-19 são os trabalhadores negros, as mulheres, os índios, os trabalhadores informais e os pobres".


Carla Bronzo, doutora em Sociologia e Política pela UFMG, afirmou que o Brasil vive, desde o golpe de 2016, o aprofundamento de uma desigualdade "obscena", e que, com a pandemia, a miséria e a fome voltaram ao cenário brasileiro. "Em 2020, 116,8 milhões de pessoas conviveram com algum grau de insegurança alimentar e outras 19 milhões passaram fome", salientou Bronzo, que também é diretora Adjunta da Escola de Governo da Fundação João Pinheiro e diretora de Ensino da Associação Nacional de Ensino e Pesquisa do Campo de Públicas (ANEPCP).


Ela criticou o regime tributário do país, que, segundo ela, alimenta o capitalismo financeiro e a extrema desigualdade de renda. "Pra quem tem o rendimento até R$2,3 mil, a isenção de imposto pode chegar a 9%, mas para os que ganham mais de 80 salários mínimos a isenção pode chegar a 66%".


Para Volnei Garrafa, a conduta do presidente Jair Bolsonaro na condução da pandemia da covid-19 é equivalente a uma política homicida, ao não adotar o isolamento social e não realizar a compra das vacinas no momento oportuno. "Muitas mortes por covid no Brasil podem ser caracterizadas como um caso de mistanásia, uma variedade da eutanásia. Esta mistanásia é compreendida como uma morte miserável e que acontece antes da hora, por motivos políticos, sociais ou econômicos". Garrafa é pós-doutor em Bioética e leciona no Programa de Pós-Graduação em Bioética da Faculdade de Ciências da Saúde da UnB.


A live teve mediação da professora Fernanda Natasha Bravo Cruz, do Departamento de Gestão de Políticas Públicas e do PPG em Educação.


Assista na íntegra e acompanhe as ações do Comitê UnB pela Vacinação, composto por estudantes, técnicos(as), terceirizados(as) e professores(as) da universidade e que atua contra a desinformação e pela garantia da vacinação universal.







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