Carta do 11º CONAD Extraordinário, ocorrido nos dias 27 de março e 3 de abril de 2021

CARTA DO 11º CONAD EXTRAORDINÁRIO DO ANDES-SN

No marco dos 40 anos do ANDES-SN, dessa importante e potente história, seguimos desafiados a construir nossa luta nas mais adversas condições. Nascemos durante a ditadura empresarial-militar, no bojo das lutas sociais,da retomada do movimento sindical, estudantil e popular que exigiam o fim da ditadura e o retorno dos exilados políticos, o fim da censura e a luta por eleições diretas já! de reitore(a)s das universidades à presidência da República. No presente, mesmo em espaço deliberativos mediados pelas telas, seguimos fortes, defendendo o ANDES-SN como um instrumento histórico da categoria docente e da classe trabalhadora.

Nos dias 27 de março e 03 de abril, de forma virtual e com intervalo de uma semana, foi realizado o 11º CONAD Extraordinário do ANDES-SN. De maneira excepcional e num contexto de profunda crise econômica, política, social e sanitária no Brasil, o CONAD Extraordinário teve a tarefa de avaliar a conjuntura, atualizar o Plano de Lutas para o enfrentamento desse período e definir o funcionamento do Sindicato enquanto durar a ausência de condições sanitárias para a retomada de atividades presenciais, no sentido de reafirmar a democracia e a participação pela base.

É no contexto de duros ataques à(o)s trabalhadore(a)s, numa realidade cotidiana na qual temos que conviver com a morte e o luto, que 221 participantes (entre delegado(a)s, observadore(a)s, convidado(a)s e diretore(a)s docentes de 67 seções sindicais de todo o país) reuniram-se virtualmente para debater os desafios do movimento docente nacional “Em defesa da vida, dos serviços públicos e da democracia e autonomia do ANDES-SN”.

Estamos vivendo um caos social com a política deliberadamente genocida do governo de Bolsonaro. Já são mais de 330 mil vidas ceifadas, e estes números indicam o quanto a política genocida do governo Bolsonaro traduz-se além dos números e soma-se às mortes cada vez mais próximas de todos nós. As vítimas são colegas de departamento, familiares, vizinho(a)s, amigas e amigos,estudantes, técnico(a)s administrativo(a)s, dirigentes sindicais e funcionário(a)s de nossas seções, com nomes e rostos, resultado de uma política autoritária que nega a ciência, destrói os serviços públicos, acentua os casos de perseguição e criminalização dos movimentos sociais, sindicais e estudantis que lutam pela garantia de renda digna para todas e todos, e pela adoção do isolamento social necessário à contenção da pandemia. Enfrentamos, cotidianamente, a consecução de um plano de imunização no mínimo instável, com a precária aquisição de vacinas, a falta de insumos e, ainda, o incentivo a tratamentos precoces que arriscam a vida das pessoas. A partir da avaliação da absoluta prioridade em defender vidas, o(a)s delegado(a)s do 11o CONAD aprovaram como bandeiras de luta a defesa da luta pelo lockdown nacional, com auxílio emergencial digno e vacinação para todas e todos pelo SUS.

Aliam-se, aqui, as tentativas de levar a cabo o caráter autoritário do governo que ameaça um golpe ditatorial, após mais uma reforma ministerial, no marco da semana que lembramos a trágica data do início da ditadura empresarial-militar que, em 1964, iniciava mais de duas décadas de obscurantismo, assassinatos, torturas e crise econômica.

Em que pese a diversidade de posições políticas e avaliações de conjuntura que o caracterizam historicamente, ambiente salutar e necessário do amplo debate político do ANDES-SN, houve uma importante construção em torno das bandeiras de lutas para o período. Já no dia 27 de março, na Plenária de Abertura a(o)s docentes aprovam a “Moção de repúdio às perseguições políticas do governo bolsonaro e em solidariedade à dirigente sindical da Aduferpe professora Érika Suruagy”, mostrando fortemente a disposição de luta pela democracia, pelas liberdades democráticas, reforçando o grito: NÃO VÃO NOS CALAR!

No debate de conjuntura, fundamental para qualificar nossas ações, saiu fortalecida a caracterização da necessidade da construção da unidade para enfrentar o governo genocida de Bolsonaro-Mourão, e aprovamos no Plano de Lutas a intensificação da construção de unidade pelo Fora Bolsonaro e Mourão! A conjuntura aponta a necessidade de reorganização da classe trabalhadora, e o ANDES-SN tem um papel histórico neste sentido. A luta contra os ataques do governo à classe trabalhadora deve se intensificar e precisamos construir uma ampla unidade a partir do Fonasefe, do Fórum Sindical, Popular, de juventudes por direitos e liberdades democráticas e da CSP-Conlutas, com outras frentes unitárias da classe trabalhadora, centrais sindicais e entidades científicas e profissionais.

Essa conjuntura também colocou novos desafios ao movimento sindical, tendo em vista que precisaríamos estar nas ruas para barrar as contrarreformas do governo Bolsonaro. Mas, este período de isolamento social e a necessidade de manter as reuniões virtuais colocaram limites a nossa mobilização. Por isso, precisamos aprimorar nossas instâncias de organização e deliberação para garantir as formas democráticas de participação na base. Nas discussões sobre a realização do próximo Congresso do ANDES-SN, prevaleceu a avaliação da impossibilidade de realizá-lo presencialmente dadas as atuais condições sanitárias, contudo, apontando que seja submetido a um próximo CONAD Extraordinário, a ser realizado em até três meses, o desafio para a categoria definir sua convocação, período e formato possíveis diante da realidade vivenciada. Com essa finalidade, o 11º CONAD aprovou mecanismos excepcionais para manter o funcionamento das instâncias democráticas, deliberando pela realização de reuniões regulares dos setores das IFES-IEES-IMES, CEFET e Institutos com caráter deliberativo e dos plenos dos GT nacionais, como mecanismos de atualização do plano de lutas e mobilização da categoria.

Para o(a)s delegado(a)s do 11º CONAD Extraordinário, a atualização do Plano de Lutas do ANDES-SN também se deu a partir da avaliação de que há um avanço dos ataques à democracia, seja no âmbito das perseguições à(o)s docentes, seja em tentativas de alinhamento político-ideológico dos comandos militares do Estado Maior das Forças Armadas à política genocida do presidente Jair Bolsonaro. O ANDES-SN deve continuar a fortalecer as frentes de luta contra o governo Bolsonaro-Mourão, a partir das ações com as demais categorias do serviço público,através do FONASEFE e demais fóruns estaduais, frentes e comitê sem defesa dos direitos e dos serviços públicos. Nesse sentido, o plano de lutas indica que a categoria deve envolver-se com as lutas nos estados e municípios pela defesa do serviço público de qualidade e contra as reformas regressivas que propõem um novo Estado mínimo, através da PEC-32, que apresenta a caracterização de um Estado “subsidiário”, com a possibilidade de privatizar todos os serviços públicos. Nessa direção o 11º CONAD Extraordinário aponta a intensificação das mobilizações e construção unitária de calendários de lutas, entre elas a luta contra o retorno presencial sem as condições sanitárias.

Atualizamos a composição da Comissão da Verdade do ANDES-SN, posto que o mandato da comissão encerrou-se com a posse da nova diretoria, em dezembro de 2020. Entendemos que a atualização da CV-ANDES-SN é de suma importância, tendo em vista que o país está passando por um momento de negação dos crimes da ditadura empresarial-militar por parte do governo federal,alinhados com uma prática de exaltação do golpe, promovido pelo Estado Maior das Forças Armadas, que mantém o discurso de negar os crimes cometidos pelo Estado e, ainda mais, manter na ordem do dia das Forças Armadas a exaltação ao golpe deflagrado em 31 de março de 1964.

Ao encerrar o 11º CONAD Extraordinário fica a certeza de que nosso sindicato estará fortalecido e unido para enfrentar os desafios que se colocam neste momento histórico.

Por fim, não podemos deixar de lamentar mais uma vítima da política genocida, bem perto de nós. Após o término do 11º CONAD Extraordinário, e no momento em que essa carta estava na revisão, nosso querido funcionário do CPD, Marcos Goulart de Souza, não resistiu à COVID-19, vindo a falecer. Como em vários casos, o socorro chegou tarde demais. Em nome de Marcos Goulart de Souza, solidarizamo-nos com as famílias dos milhares de vítimas, que deixarão para nós o legado de lutar pelo fim deste governo.


Fora Bolsonaro-Mourão!


Em defesa da vida!


Vacina pública pelo SUS para todo(a)s!


Não nos calarão!


11º CONAD EXTRAORDINÁRIO

03 de abril de 2021 Atualizada dia 05 de abril de 2021

Posts recentes

Ver tudo