Carta aberta ao presidente da Câmara Federal, Arthur Lira (PP-AL)


Exmo. Deputado Arthur Lira (PP-AL):


Hoje, segundo o ranking da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil ocupa o segundo lugar em número de mortes pela covid-19 no mundo, com mais de 514 mil vítimas, e o terceiro lugar em número de casos, com mais de 18 milhões de brasileiros e brasileiras infectados pelo novo coronavírus.


Vossa Excelência, somente em Alagoas, seu estado natal, já são 5.301 óbitos e 215.492 casos desde o início da pandemia, um ano e meio atrás, e o resultado disso é que, com 93% do total de leitos ocupados para tratamento de pacientes contaminados pelo novo coronavírus, a rede hospitalar estadual está à beira de colapsar, para desespero da população local, aí incluída a parcela que o elegeu para o cargo público que ocupa, com a responsabilidade multiplicada a partir de sua eleição à presidência desta Casa, tornando-o uma das mais importantes lideranças políticas da República, com poder para interferir no presente e no futuro do país e sua população – e os números trágicos provocados por essa pandemia exigem essa interferência, presidente Lira.


Chegamos a esses números pela criminosa impostura do presidente Jair Bolsonaro de, sem qualquer senso de responsabilidade e de humanidade para com o povo que deveria cuidar, promover o exato avesso das recomendações da OMS e autoridades sanitárias, incentivando aglomerações, desestimulando lockdowns, agindo como garoto-propaganda de medicamentos comprovadamente ineficazes ao combate à covid-19 e, ainda mais grave, criando empecilhos para a aquisição do mais efetivo instrumento de combate à pandemia, as vacinas – e agora, com o escândalo revelado na CPI da Covid em curso no Senado Federal, das manobras para superfaturamento da vacina Covaxin envolvendo diretamente seu líder nesta Câmara Federal, o deputado Ricardo Barros – seu correligionário, Vossa Excelência –, o país descobre que as posições naquele ranking não se deveram “apenas” à negligência do presidente Bolsonaro, mas, sobretudo, à potencial conveniência – quiçá, a CPI poderá apurar, conivência – com seus aliados do chamado “Centrão”, bancada que tem em Vossa Excelência sua mais exponencial representação e liderança.


Até hoje, Vossa Excelência, já chegaram às suas mãos 122 pedidos de impeachment do presidente Bolsonaro, assinados por mais de 500 organizações políticas e civis, e mais de 1500 personalidades do país, e a maior parte permanece engavetado sem nenhuma análise, além dos pedidos já arquivados ou desconsiderados, sob alegação de não haver consistência nas denúncias ou de risco à estabilidade democrática.

Nesta quarta, presidente da Câmara Federal, deputado Arthur Lira, a ADUnB S. Sind., juntamente com outras entidades signatárias do documento formulado pela Associação Brasileira de Juristas pela Democracia, fará chegar às suas mãos o 123º pedido de impeachment de um presidente que a cada dia a mais no exercício de seu cargo representa milhares de vidas a menos, e não pela pandemia, mas pela falta das vacinas há muito já existentes contra ela.


Fazemos para nos somarmos a todos que, representando milhares, milhões de uma população já farta de ansiedade, perdas, medo e dor, esperam que Vossa Excelência já tenha entendido a vital (literalmente) diferença entre aliado e permissivo, ou que, caso ainda não tenha entendido, ao menos responda: quantas mortes mais serão necessárias para que cumpra os seus deveres republicanos?


Na esperança de barrar essa tragédia que estamos vivendo, Vossa Excelência, assinamos esta carta.


Diretoria da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB)