Brumadinho: três anos de lama e impunidade


No dia 5 de novembro de 2015, a ganância criminosa da mineradora Samarco (empresa derivada da sociedade entre a mineradora brasileira Vale S.A e a mineradora anglo-australiana BHP Billiton) provocou um dos maiores desastres ambientais da história com o rompimento da barragem de Bento Rodrigues, subdistrito de Mariana (MG), crime esse que segue impune, passados sete anos de uma batalha judicial do município, do estado de Minas Gerais e das famílias das vítimas contra as empresas.


Apenas quatro anos depois desse crime, no dia 25 de janeiro de 2019, por volta de 12h, a mesma Vale S.A. foi responsável por novo rompimento de barragem, desta vez na cidade de Brumadinho, com número ainda maior de vítimas fatais: 272 pessoas, seis delas desaparecidas até hoje sob os cerca de 12 metros cúbicos de rejeito vazados com o rompimento, provocando destruição em quase toda a cidade.


Hoje faz três anos desse crime, que também continua impune. Em sua última manobra, em 2021, a Vale S.A, que deveria assistir e reparar os danos causados ao município de Brumadinho, ao estado e às famílias das vítimas, entrou em acordo com o governador Romeu Zema (NOVO), sem a participação dos atingidos, para pagar apenas R$ 37 bilhões de indenizações, ao invés dos R$ 54 bilhões exigidos pelos atingidos. Além disso, a empresa tenta silenciar a luta das vítimas, usando de sua influência e pressão para que acordos sejam feitos individualmente, na tentativa de enfraquecer e desorganizar aqueles que buscam uma reparação coletiva e integral.


Como para o atual governo crimes como os de Mariana e Brumadinho não são fatores que pesam em decisões favoráveis a tenebrosas transações, o atual presidente do IBAMA, Eduardo Bim, em 2019, destravou a implementação do projeto Bloco 8, que consiste na instalação de uma nova mina na região do Cerrado, no Norte de Minas. O empreendimento poderá gerar um volume de rejeitos 90 vezes maior do que o que que soterrou parte de Brumadinho em janeiro de 2019. O risco da ganância e da impunidade provocarem novo desastre é potencial. Até quando?


Foto: Nivea Magno/Mídia Ninja