Audiência na CLDF defende mobilização popular contra cortes na educação

Nesta quarta-feira (12/6), a Câmara Legislativa do Distrito Federal recebeu sindicatos e organizações estudantis para debater os cortes na educação pública promovidos pelo governo federal. Na terça-feira (11/06), em acordo com o Congresso Nacional, o governo desbloqueou R$ 1 bilhão do orçamento da Educação e cerca de R$ 330 milhões para o pagamento de bolsas pelo CNPq.

“Ganhamos uma batalha, mas não vencemos a guerra. Não vamos nos iludir com essa vitória”, disse Roberto Muniz Barreto, representante da Associação dos Servidores do CNPq. “Estamos operando com o nível de orçamento mais baixo dos últimos dez anos. Os recursos das universidades continuam abaixo do que é necessário. Não há solução de crescimento pro país enquanto estiver vigendo a EC 95. Temos que ir para a rua brigar contra isso”, enfatizou Barreto.

A Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB) defendeu a unidade de mobilização como decisiva para o retrocesso dos desmontes nas políticas educacionais. “Os feitos que foram colocados para nos destruir estão, paradoxalmente, construindo uma unidade que ajudará a fazer com que esse governo não passe de uma triste lembrança de um curto período da história brasileira”, disse Claudio Lorenzo, diretor da ADUnB.

O professor convocou os presentes para a Greve Geral desta sexa-feira (14/6), articulada por mais de 10 centrais sindicais para combater a proposta de Reforma da Previdência e os cortes na educação. “Vamos parar o país e mostrar que a gente não aceita os caminhos que eles estão querendo dar para a nação brasileira”, enfatizou Lorenzo.

A reitora da Universidade de Brasília (UnB), Márcia Abrahão Moura, parabenizou a organização dos sindicatos, e reconheceu que o desbloqueio dos recursos contingenciados pelo MEC foi mérito das manifestações do 15M e do 30M. "A UnB teve o desbloqueio integral dos R$ 48,5 milhões contingenciados. Isso mostra o quão importante é a mobilização da sociedade", afirmou reitora.

O reitor substituto do Instituto Federal de Brasília (IFB), Adilson de Araújo, denunciou que a instituição corre um sério risco de não conseguir manter-se em funcionamento no segundo semestre deste ano. “Temos apenas 30% do orçamento para seguir até o fim do ano. Quase 40% do nosso orçamento está bloqueado. Os cortes ameaçam a sobrevivência dos 641 campi pelo Brasil. Aqui não estamos fazendo uma defesa corporativa, mas uma defesa do progresso cultural, social e humano do nosso povo. Que façamos um grande movimento em defesa da educação pública”, disse Araújo.

Claudio Lorenzo, diretor da ADUnB, defendeu a mobilização da sociedade contra os desmontes na educação.

Estiveram presentes na audiência representantes da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), do Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília (SINTFUB), do Sindicato dos Professores no Distrito Federal (SINPRO), da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), da Federação Nacional dos Estudantes do Campo de Públicas; além dos deputados distritais Fábio Felix (PSOL), Arlete Sampaio (PT) e Chico Vigilante (PT), e da deputada federal Erika Kokay (PT/DF).

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