ADUnB avalia o 39º Congresso do ANDES-SN


Delegação da ADUnB reunida no 39º Congresso do ANDES-SN

A delegação da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB), que participou do 39ª Congresso do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN), avaliou a participação do sindicato no evento, que ocorreu de 4 a 8 de fevereiro na Universidade de São Paulo (USP).


A grande representatividade no Congresso foi um dos pontos destacados pelas(os) professoras(es), reunidos nesta segunda-feira (17) na ADUnB. Participaram do evento quase 700 docentes, de 86 seções sindicais e distribuídos entre 460 delegadas(os), 178 observadoras(es), 14 convidadas(os) e 34 diretoras(es), configurando o Congresso de maior presença de seções sindicais e de delegadas(os) da história do ANDES-SN.


“Os ataques à educação motivaram a participação de mais docentes. Creio que temos uma categoria muito preocupada em defender as universidades e a educação pública”, afirmou Luis Antonio Pasquetti, presidente da ADUnB.


A presença de mais professores jovens foi destacada como um ponto positivo, também relacionado à profundidade dos ataques à educação. “Há uma oxigenação, mas para quem está chegando o ambiente pode ser constrangedor”, afirma Claudio Lorenzo, diretor da ADUnB. Para o professor, falta abertura para a renovação de ideias e a construção de saídas criativas com organização política efetiva.


Política Salarial e Carreira

A principal insatisfação da delegação foi quanto à ausência da discussão, em plenária, das questões relativas à carreira e à reposição salarial. “As questões da categoria não foram abordadas. Isso se deve à metodologia adotada no desenvolvimento dos trabalhos do Congresso, extremamente burocrática, que dificulta a discussão de todos os pontos contidos nos Textos de Resolução”, disse a diretora Liliane Machado.


“Fui com a expectativa de que as discussões fossem mais efetivas e saíssemos de lá com estratégias de luta bem definidas”, afirmou Elenita Nascimento, que representou a ADUnB como delegada.


Método

A metodologia de discussões do Congresso foi bastante criticada, por ser cansativa e engessar os debates em Grupos de Trabalho pré-determinados. “Numa tentativa de melhorar o método, o Congresso passou a durar 5 dias ao invés de 6. Entretanto, a medida não foi suficiente, pois ainda temos dias em que discutimos 15 horas seguidas, o que torna o evento exaustivo e contraproducente, na medida em que não consegue discutir todas as questões que foram elencadas para o Congresso. A diretoria do ANDES-SN e suas seções sindicais precisam aprimorar o método para que ele seja mais eficiente”, considerou a diretora Liliane Machado.


Em Plenária, os debates não têm ordem de prioridade em cada tema, e o número de intervenções é ilimitado, sem crivo de relevância. “Esse engessamento do formato do debate não permite que os delegados e delegadas se concentrem em assuntos diretamente relacionados com o cotidiano da categoria e dificulta o atingimento de sínteses políticas após os debates”, considerou o diretor Luiz Araújo.


Machado criticou a ausência dos debates sobre a Política de Classe para as Questões Étnico-raciais,de Gênero e Diversidade Sexual e a Política de Comunicação e Arte. “A comunicação é um eixo estratégico que não deveria estar fora das discussões”, considerou. “Infelizmente, o tema não vem sendo contemplado nas decisões finais do Congresso há dois anos, por falta de tempo hábil para discussão em Plenária”.


“Gênero e Raça, eixos fundamentais e estruturantes da desigualdade no Brasil, nem mesmo chegaram à plenária, o que demonstra uma incapacidade de perceber em que terreno os enfrentamentos da luta de classes ocorrem”, completou Araújo.


Construção da Greve

Foi aprovada por unanimidade no Congresso a construção de uma greve nacional ainda neste semestre. As Seções Sindicais deverão realizar assembleias locais até o dia 13 de março para confirmar o movimento, que envolve docentes de universidades e institutos federais e Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets).


“Uma grande mobilização nacional se mostra necessária, mas a greve precisa ser construída”, pondera Claudio Lorenzo, diretor da ADUnB. A diretoria deve convocar uma reunião do Conselho de Representantes e uma Assembleia Geral no início de março.


“Não ficaremos de braços cruzados. Vamos construir um processo de greve geral, para além do setor da educação, com pautas claras e efetivas”, pontuou Pasquetti.

Rachel Nunes, integrante da delegação da ADUnB no Congresso, disse que a construção da greve é “tarefa árdua” e que é preciso estratégia na definição de sua pauta. “Precisamos de unidade para essa luta em defesa da ciência, tecnologia e da educação pública”, afirmou a professora.


Saída da CSP-Conlutas

Houve votação, em plenária, pela desfiliação do ANDES-SN da CSP-Conlutas. O Congresso deliberou que o Sindicato Nacional permanecerá filiado à Central Sindical. Foram 255 votos pela manutenção, 142 votos pela desfiliação e 15 abstenções.


“Na nossa avaliação, é uma Central Sindical que não nos representa. Não levam em consideração as questões centrais que discutimos”, explicou Luis Antonio Pasquetti.


Foi deliberada a realização de um Conad Extraordinário no segundo semestre de 2020 para realizar um balanço crítico da participação do ANDES-SN na entidade nos últimos dez anos. A ADUnB também promoverá debates de base para encorpar a discussão.


Unificação dos Setores Educacionais

O avanço na unificação do movimento educacional foi destacado positivamente pela delegação da ADUnB. Três articulações compõem o setor: O Fórum Nacional Popular de Educação; a Coordenação Nacional das Entidades em Defesa da Educação Pública e Gratuita (Conedep) e a Campanha Nacional pelo Direito à Educação. “A prioridade do nosso sindicato deve ser a de protagonizar um processo de unificação de todos os movimentos existentes”, considerou o diretor Luiz Araújo.


Calendário de Lutas

Confira o Calendário de Lutas estabelecido pelas(os) docentes:


21 a 25/02: Bloco na Rua em defesa da educação pública


08/03: Dia Internacional da Mulher. Paralisação, mobilização e ações.


Até dia 13/03: Rodadas de assembleias sobre a Greve Geral nas Associações Docentes do ANDES-SN a partir da semana próxima.


14/03: Dia Nacional de Luta contra a criminalização dos movimentos e lutadores sociais: dois anos do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.


14 e 15/03 – Reunião dos Setores do Andes-SN para debater greve


18/03: Greve Geral da Educação.


01/05: Dia do (a) trabalhador (a).


28/06: Dia Internacional do Orgulho LGBTTi.


25/07: Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha


21/09: Dia de Luta pelos Direitos das Pessoas com Deficiência.


28/09: Dia Latino-americano de Luta pela Legalização do Aborto.


Outubro: Dia Nacional de Combate ao Assédio nas IES (universidades federais, estaduais e municipais, institutos federais, CEFET).


Novembro: Dia Nacional de Combate ao Racismo nas IES (universidades federais, estaduais e municipais, institutos federais, CEFET).

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