Abertura total no DF: a vida e a saúde da população deveriam ser a prioridade do governo


A ADUnB manifesta seu posicionamento contrário à decisão do Governo do Distrito Federal que autorizou nesta quinta (2) a reabertura total do comércio e a volta das aulas presenciais em escolas e universidades das redes públicas e particulares no Distrito Federal. O sentimento entre os (as) docentes da Universidade de Brasília é de perplexidade, insegurança e preocupação em relação às consequências da abertura em um cenário de crescimento do contágio e de óbitos consequentes da Covid-19 no DF.

A decisão da abertura, é claro, não vem acompanhada com o embasamento científico e de dados necessários para garantir segurança à população. Isso porque não há como justificar cientificamente a abertura. Epidemiologistas apontam que o pico da doença no Distrito Federal acontecerá em agosto, justamente quando o governador irá liberar o retorno às aulas presenciais de escolas e universidades (estas últimas, no 3 de agosto). Difícil compreender a lógica da decisão do governador Ibaneis Rocha que, na mesma semana em que decreta situação de calamidade pública, divulga a abertura das atividades - talvez apenas para obter a liberação recursos federais, prorrogar pagamento de empréstimos, comprar sem licitação e se eximir de responsabilidade fiscal.

Os números oficiais desta quinta-feira (2) demonstram que 625 brasilienses morreram pela Covid-19, um aumento de 290% do índice de mortes em relação há um mês. O gestor, contudo, não parece se importar. Em entrevista, disse que “não adianta querer colocar nas minhas costas o sofrimento dos outros”, e que nada pode fazer diante do aumento de casos. Falta ao governador, para dizer o mínimo, empatia.

A irresponsabilidade do GDF é vista com a negação da realidade da situação da rede pública de saúde. Profissionais de saúde e suas entidades representativas denunciam a falta de condições adequadas de trabalho, onde faltam medicamentos e equipamentos de proteção. Órgãos de controle e da Justiça têm demonstrado que o governo não atua com transparência em relação à divulgação dos números de leitos, gastos com compras emergenciais e licitações relacionadas à pandemia.

A abertura prematura das atividades no DF já demonstrou que o resultado foi o aumento de mortos e contaminados, principalmente na parcela da população socialmente mais vulnerável. A onda de contágio ainda está em crescimento e não atingiu seu pico, ou seja, não temos segurança para retomar as aulas presenciais, como quer o governador.

Se já é bastante grave e irresponsável a reabertura das atividades comerciais, anunciar o retorno prematura das escolas de educação básica, públicas e privadas, é colocar em risco nossas crianças e suas famílias.

Na UnB, a ADUnB mantém seu posicionamento de que o retorno às aulas deve estar ancorado em indicadores sanitários confiáveis, com a estabilização ou o recuo dos casos de contaminação no Distrito Federal. O retorno deve ser discutido nas instâncias deliberativas da universidade e com as representações de cada um dos segmentos acadêmicos: docentes, discentes e técnicos-administrativos.

Ibaneis Rocha demonstra com atitudes que a preocupação de seu governo não é mais salvar vidas.

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