500 mil mortes... Mistanásia anunciada!

Atualizado: Jun 28


No dia 19 de junho de 2021, o Brasil atingiu a lamentável marca de 500 mil mortes por covid-19, dado previsto por pesquisadores e ignorado pelo Governo Federal. São 500 mil óbitos previsíveis, evitáveis, vidas interrompidas e ceifadas.


O descontrole sanitário brasileiro é uma ameaça mundial. A forma como o presidente brasileiro lida com a pandemia é ultrajante para pesquisadores, para brasileiros e brasileiras que lutam diariamente para sobreviver em um país com tantas desigualdades sociais.


Após um ano e meio de pandemia, o Brasil ocupa o segundo e terceiro lugar em mortes e contágios, respectivamente. Apenas os EUA se sobrepõem ao Brasil em números de mortes e, junto com a Índia, superam o número de casos brasileiros. As proporções populacionais apontam para o baixo enfrentamento à pandemia pelo Brasil, com 214 milhões de pessoas, em comparação aos EUA, com 332 milhões de habitantes, e à Índia, com 1 bilhão e 393 milhões de pessoas.


País Pop.Total Casos Covid Mortes Covid Doses Vacinas Administradas

EUA 332.904.220 33.542.409 601.825 317.464.619

Brasil 214.042.966 17.927.928 501.825 81.272.679

Índia 1.393.390.542 29.935.221 388.135 280.036.898 Neste cenário, nesta data, a vacinação administrada no Brasil alcança apenas 11,5% da população com as duas doses, ao passo que, nos EUA, 45,6% da população estão vacinados com duas doses. O contexto lento de imunização da população manterá o Brasil com os piores índices gerais de enfrentamento da pandemia. A agilização do processo de vacinação da população, até então concentrada, em sua maioria, em pessoas acima de 50 anos, é imprescindível, pois têm aumentado os casos e mortes na população mais jovem.


Lembramos e realçamos que a vacinação de primeira dose não garante imunidade e que necessitamos de 70% da população vacinada para o controle da pandemia no Brasil. Estamos longe disso, como indicado acima. Por fim, esperamos que a ampliação da vacinação para o público de 18 anos seja breve, pois só assim a educação poderá retomar suas atividades.


O Governo Federal imprime a mistanásia ao povo brasileiro, que se traduz em morte miserável, por omissão, negligência, incompetência ou insuficiência na assistência à saúde. Temos uma CPI no Senado Federal investigando a omissão desse governo que, por vezes, se coloca como indutor à morte, quer por debochar do enfrentamento da pandemia, quer pelo esvaziamento técnico-científico do Ministério da Saúde, ou pela desvalorização da Ciência e Tecnologia. Com o parco enfrentamento à pandemia, o governo está pondo em risco a vida do povo brasileiro e ameaçando a saúde mundial. Somado a isso, retira da população de baixa renda o auxílio emergencial no valor de R$ 600,00, condenando-a a sofrer com a pandemia e com a pobreza.


A situação local, no Distrito Federal, também não pode ser ignorada.

O governo do DF não tem participado de iniciativas adotadas por governantes de outros estados – como é o caso do Consórcio Nordeste – para atenuar a incompetência do Governo Federal e acelerar o processo de vacinação. Ao contrário, reproduz no DF a política de negligência adotada pelo Governo Federal.


Como se não bastasse a terrível realidade causada pela pandemia, a CPI da Covid, instalada no final do mês de abril, tem deixado cada vez mais claro o plano organizado do governo Bolsonaro e seus aliados de promover a imunização de rebanho pela exposição da população ao vírus. Plano que predestinou as mortes dos brasileiros e brasileiras que hoje computamos. Esse plano envolve o não estabelecimento das medidas recomendadas pela ciência, de distanciamento social, lockdown, uso de máscaras, uso de álcool 70%, sabão e, principalmente, aquisição de vacinas.


O neurocientista Miguel Nicolelis tem alertado sistematicamente para uma série de nefastos episódios ocorridos em função do protocolo de combate à pandemia. Nesse caso, o protocolo da morte levado a cabo pelo presidente da república. Meses antes de atingirmos a inaceitável cifra de meio milhão de mortes, ele já fazia esse anúncio, e, no dia 22 de junho, Nicolelis anunciou no EL PAÍS, onde conduz um podcast sobre a crise da covid-19, que [...] o quadro neste ano já é mais que assustador: o Brasil deve acumular um milhão de mortes totais já em julho, de acordo com os atestados de óbitos no Registro Civil”.


Só a pressão permanente, por meio de ações coletivas envolvendo a comunidade universitária, poderá garantir a vacinação da população brasileira. Precisamos ser incansáveis, pois estamos convencidos de que o governo Bolsonaro e seus seguidores são o entrave para a imunização da população, e basta de mortes no país.


A AdUnB, juntamente com o SINTFUB e o DCE, coordena o Comitê UnB pela Vacinação (email: unbpelavacinacao@gmail.com), integra a Campanha DF Vacinado e tem empreendido todos os esforços para alertar a população e a comunidade da UnB no sentido de pressionar as autoridades locais e nacionais para que cumpram com suas obrigações constitucionais, assegurando o combate eficaz e sem trégua à pandemia da covid-19.


O Comitê UnB pela Vacinação tem se reunido em Plenárias desde o início do semestre passado, todas as sextas-feiras, e organizado e participado de ações importantes: envio de ofícios ao GDF, outros órgão oficiais e para a administração superior da UnB; realização de lives com debates esclarecedores; manifestações públicas, etc. É importante a adesão da comunidade universitária ao Comitê para fortalecer os esforços de combate ao descaso com a vida da população brasileira.


A participação da ADUnB e do Comitê UnB pela Vacinação na Campanha DF Vacinado ocorre de forma unificada com as entidades da classe trabalhadora, organizações da sociedade civil e de parlamentares da CLDF e do Congresso Nacional. A Campanha realizou diversas ações virtuais e presenciais – simbólicas e com os cuidados sanitários –, exigindo vacina para toda a população do DF pelo SUS. Entre essas ações, encaminhamos coletivamente, no mês de março de 2021, um conjunto de ofícios solicitando audiência urgente com o Governador do DF, mas nossas vozes e preocupações, infelizmente, não foram ouvidas, seguimos sem nenhuma resposta até o presente momento. A Campanha DF Vacinado segue empenhada nesta luta, independente da falta de diálogo por parte do GDF e de seu evidente alinhamento com o Governo Federal.


Os importantes atos pelo FORA BOLSONARO que ocorreram nos dias 29 de maio e 19 de junho em todo o país e no exterior são a manifestação clara de que a população brasileira não suporta mais o genocídio que segue em marcha pelo país afora. Seguiremos na luta, junto às entidades, organizações da sociedade civil e da população, para que as crises sanitária e política tenham fim, e para que possamos recuperar e construir coletivamente um futuro digno e justo para nossa sociedade!


PELA VACINAÇÃO DE TODA A POPULAÇÃO BRASILEIRA PELO SUS!

PELO AUXÍLIO EMERGENCIAL DE R$ 600,00!

FORA BOLSONARO!


Diretoria da ADUnB