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Informativo eletrônico da ADUnB
Brasília
22 de maio de 2007
Nº 7

 

Governo tenta impedir
greve no serviço público

Mais uma vez os servidores públicos são desrespeitados e atacados pelo Executivo. Chamados de marajás e vagabundos pelos presidentes Collor e FHC, respectivamente, agora é a vez de o governo Lula tentar desmoralizar a categoria. Em declaração recente à imprensa, o presidente e ex-sindicalista afirmou que “fazer 90 dias de greve e receber os dias parados deixa de ser greve e passa a ser férias”.

Para evitar o que julga ser “férias” e ignorando os protestos das representações do funcionalismo, o governo acelerou a elaboração de uma proposta de regulamentação a ser enviada ao Congresso Nacional. No último dia 14 de maio, a Advocacia Geral da União (AGU) encaminhou à Casa Civil um anteprojeto que, na prática, pode inviabilizar a greve no serviço público. Pela proposta, todo serviço público é considerado essencial e não poderá ser interrompido totalmente. A paralisação terá de ser confirmada por pelo menos dois terços da categoria em assembléia. Ou seja, para a deflagração da greve no serviço público federal, hoje seria necessária a aprovação de mais de 670 mil dos 1 milhão de servidores.

Além disso, 40% dos servidores públicos deverão continuar em serviço. Isso se a greve for considerada legal, caso contrário, haverá desconto dos dias parados no contracheque dos grevistas. E para garantir o pleno funcionamento, os órgãos públicos poderão contratar servidores substitutos, os chamados “fura-greves”.

De acordo com o que está sendo proposto, os únicos punidos serão os trabalhadores que entrarem em greve - condição necessária para abrir negociação no serviço publico -, já que o governo não tem nada a perder (pelo contrario) e não é obrigado a negociar antes para evitar a greve.

Para o 1º tesoureiro do ANDES-SN, José Vitório Zago, da forma que o governo propõe, o direito constitucional à greve só será exercido em condições draconianas e semelhantes ao que a ditadura militar impunha. “O serviço público fez greve durante a ditadura e esses movimentos grevistas serviram para fortalecer a unidade da classe trabalhadora e para derrubar a ditadura. É inacreditável que um governo de um presidente que foi sindicalista proponha uma coisa dessas. Seguramente isso está relacionado com o PAC e com o PLP 01, que prevê o congelamento do salário dos servidores públicos por dez anos”, denuncia.

De forma autoritária, o governo prefere impor a lei de greve no serviço público a dialogar com os movimentos grevistas e nem sequer cumpre acordos. Atualmente, quatro categorias cruzaram os braços por melhores condições salariais: os servidores do Banco Central, do Incra, do Ministério da Cultura e do Ibama. Outras categorias podem paralisar as atividades nos próximos dias.

Na avaliação do professor Zago, o poder público é o principal responsável pelos impasses nas greves, uma vez que paga baixos salários e recusa-se a negociar. “Os serviços públicos essenciais devem ter o pagamento de serviços essenciais, em benefício da população. Mas o governo Lula, como os anteriores, prioriza o pagamento da dívida e o déficit nominal zero, que é o que está por trás do PAC idealizado pelo ministro da ditadura Delfim Neto, hoje conselheiro econômico do presidente da República. É importante também lembrar que nós sempre fizemos greves responsáveis, inclusive nos hospitais universitários. Particularmente na educação, o professor repõe as suas aulas, de acordo com a autonomia universitária. Portanto não se trata de férias, de forma alguma”, afirma o tesoureiro do ANDES-SN.

Em resposta a mais esse ataque do governo Lula, os servidores preparam forte reação. A manifestação unificada dos trabalhadores do próximo dia 23 de maio, em Brasília, é um exemplo. Entre as principais reivindicações está a retirada da lei de greve. “Quando a categoria estiver disposta e consciente de que é necessária a greve, nós vamos à luta. Fizemos greve sob a ditadura militar e não é sob um governo de um ex-sindicalista que deixaremos de lutar pelos nossos direitos”, conclui Zago.

 


Trabalhadores vão às ruas amanhã contra reformas que retiram direitos

De forma unificada, os trabalhadores brasileiros marcharão amanhã, dia 23, contra as reformas neoliberais. Em todo o país haverá greves, paralisações, passeatas e outras manifestações para demonstrar o repúdio aos ataques do governo Lula aos estudantes e à classe trabalhadora. Em Brasília, a concentração será à 9h, em frente à Catedral. O ANDES-SN e a ADUnB marcarão presença. O ANDES-Sindicato Nacional e a ADUnB incentivam os docentes a participarem das manifestações.

Esta será a mais ampla frente de organização dos trabalhadores e da juventude que já se formou no país desde o início do governo Lula. Os protestos são contra a reforma universitária, a reforma da previdência, a reforma sindical e trabalhista, o PAC e a política econômica do governo Lula, em defesa do exercício do direito de greve dos servidores públicos e do conjunto da classe trabalhadora, em defesa do serviço público e contra as privatizações e terceirizações, pela anulação do leilão da Vale do Rio Doce e pela reestatização das demais empresas privatizadas e pela auditoria e suspensão imediata do pagamento da dívida pública.

 

 


 

AGENDA

 

25 e 26/5/2007
Reunião do GT Verbas do ANDES-SN
10h
Local: Sede do ANDES-SN
Brasília

26 a 29/7/2007
52º CONAD do ANDES-SN com o tema central: EM DEFESA DA EDUCAÇÃO PÚBLICA, CONSTRUIR A UNIDADE, RESISTIR E AVANÇAR A LUTA.
Local: São Luís - MA

 

 

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