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Informativo eletrônico da ADUnB |
Brasília |
22
de maio de 2008 |
Nº 51 |
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Editorial Mudança de direção No próximo sábado, a ADUnB completa 30 anos. Fundada em 24 de maio de 1978, a entidade sindical dos professores da UnB nasceu, dentre várias características, sob signo da luta pela democracia, pelo direito à educação superior pública e com um projeto de sindicalismo voltado não só para a defesa corporativa da categoria docente, mas para a defesa de uma concepção de universidade pública, socialmente referenciada, baseada nos princípios da gratuidade e da qualidade e da excelência na produção de conhecimento. Hoje, corre o risco de transformar-se em sindicato de resultado, comprometido com o pensamento neoliberal, politicamente limitado e defensor de uma concepção mercadológica de universidade. É que nos dias 13 e 14 de maio, data em que foi realizada a eleição para escolha da diretoria que conduzirá a seção sindical durante o próximo biênio (2008-2010), 408 professores elegeram a chapa 1, ADUnB para os Professores. Esse risco, no entanto, foi o preço que pagamos por não nos rendermos à defesa de projetos e de bandeiras populistas e de continuarmos coerentes com nossa luta histórica pela universidade pública, gratuita, democrática e transparente e pelo sindicato autônomo, dentre outras lutas e idéias que construímos nesses 30 anos. A nossa derrota e a ascensão do grupo adversário reflete uma crise que começa fora da UnB. Ela vem de uma crise nacional estimulada desde o governo federal. É a mesma crise que abateu, desqualificou e, praticamente, imobilizou a Coordenação Nacional das Entidades de Servidores Federais (CNESF), no primeiro mandato do governo Lula: era preciso calar a boca daqueles que combatiam as políticas e os projetos neoliberais. Lamentamos a decisão da categoria de querer experimentar esse modelo de sindicalismo, questionado e comprovadamente limitado a que tanto combatemos. Entendemos que somente o tempo vai mostrar que tipo de luta e concepções devem ser abraçados por nossa categoria. Portanto, o triunfo de um modelo de sindicalismo e de universidade contrário às concepções que 14 direções da ADUnB, com execeção da gestão do biênio 1998-2000, defenderam como projeto sindical e educacional não nos intimida e, ao contrário da prática dos integrantes da chapa vitoriosa, que, ao serem derrotados em algumas das eleições da ADUnB, abandonaram o sindicato, nós permaneceremos no cenário político-sindical da UnB. Atuaremos, sem abrir mão dos nossos princípios, tanto na ADUnB como na esfera nacional sindical.
Crise da UnB repercute na eleição da ADUnB Grupo
ligado ao ex-reitor Timothy Mulholland é eleito com 54% dos votos
válidos Na semana passada, 752 docentes dos 1.445 filiados à Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB) aptos a votar elegeram a nova diretoria da seção sindical para o biênio 2008-2010. Ao contrário dos anos anteriores, desta vez, os professores elegeram a chapa 1. Contrária às atuais diretorias da ADUnB e do ANDES-SN, os vencedores apresentam uma proposta política de atuação no movimento sindical quase que completamente diferente das políticas e bandeiras defendidas pelas últimas quatro gestões que se sucederam no comando da ADUnB. A chapa 1, intitulada "ADUnB para os professores – em defesa do retorno da ADUnB para os reais interesses dos professores da UnB!”, foi eleita com 408 dos 726 votos válidos. A chapa 3, com o título “ADUnB – autonomia e democracia” e apoiada pela atual diretoria da seção sindical, recebeu 195 votos e, a chapa 2, intitulada “Alternativa livre – por uma UnB sem donos”, somou 126. Apesar de se caracterizar como uma das poucas eleições da seção sindical com grande participação dos docentes, assim como nas últimas eleições, o número de abstenções permaneceu elevado: mais de 650 professores deixaram de votar, 18 docentes anularam o voto e oito votaram em branco. Contudo, a eleição revelou características peculiares em relação aos sufrágios anteriores da ADUnB. Crise e afastamento – Realizada logo depois do aprofundamento da crise de gestão da UnB em que, com a ocupação da reitoria pelos estudantes, o ex-reitor Timothy Mulholland e sua equipe foram pressionados a se afastar da direção da universidade, a eleição acabou por refletir, por um lado, o sentimento de inconformismo e de injustiça do grupo de professores defensor do ex-dirigente e, por outro, por ressaltar opiniões políticas divergentes entre o professorado, favorecendo o surgimento de novas forças políticas na comunidade acadêmica. Um dos fatores que expressaram essa reação foi a formação de duas chapas no campo político da atual diretoria da seção sindical. Outro aspecto particular do pleito foi a vitória da chapa 1 cujos integrantes representam uma coalizão entre os aliados do ex-reitor exonerado e o grupo de professores contrários à eleição paritária para reitor. Dentre as várias interpretações para explicar o resultado das urnas, os concorrentes destacaram fatores que vão desde a acusação de que as últimas diretorias da ADUnB se afastaram da base até o fato de parte da categoria não aceitar a paridade. A eleição, no entanto, diferentemente das anteriores, revelou características peculiares que tanto refletem os efeitos imediatos da crise de gestão da UnB como as conseqüências da crise do sindicalismo brasileiro na era Luiz Inácio Lula da Silva, marcada pelo enfraquecimento do sindicalismo combativo e autônomo. O resultado desse enfraquecimento é que, assim como em outras categorias de trabalhadores, sobretudo do serviço público, foram criadas organizações sindicais para substituir os sindicatos dissonantes dos projetos governamentais. No caso das Ifes, um grupo de docentes criou um fórum para reunir apoiadores do governo Lula no âmbito sindical intitulado ProIfes, que combate as políticas defendidas pelo ANDES-SN. Na avaliação dos líderes da chapa vencedora, contudo, a eleição da chapa 1 foi o resultado do afastamento da entidade da sua base. O 1º vice-presidente eleito e professor do Instituto de Artes (IdA), Ebnezer Silva, avalia que a chapa 1 ganhou porque “o sindicato estava totalmente descolado da base e é por isso que a chapa da situação está levando essa chamada de atenção realmente forte”, disse. Segundo ele, “as pessoas estavam cansadas daquele modelo antigo de ADUnB. Foi isso a nossa plataforma. Nós falamos isso: a UnB para os professores e não para os vários grupos daqui de dentro que achavam que isso não era necessário, como, por exemplo, plano de saúde. O nosso sindicato não funcionava como sindicato”, afirmou. O professor de música diz ainda que a categoria estava inconformada com a atuação da ADUnB por outros motivos: “Para começar, em pleno século XXI a gente ainda vive fazendo assembléias de três, quatro pessoas. Isso é inaceitável. Por isso a nossa proposta de uma consulta eletrônica, todo mundo tem internet, foi algo que as pessoas acharam que poderiam fazer. Várias coisas que o nosso sindicato tem muita oposição foram determinantes para essa eleição, as pessoas começaram a pensar como a gente está vendo. O resultado é que nunca teve tanta gente votando na história da ADUnB”, afirma Ebnezer Silva. Com a proposta de modificar completamente as bandeiras defendidas pelas diretorias anteriores, a chapa 1 promete, por meio do consenso entre os três grupos, retirar a universidade das páginas policiais. “Agora vamos procurar construir um caminho em conjunto com todos os professores das três chapas para a gente superar esse momento de crise, para tirar a UnB das páginas policiais e colocar a UnB na página da excelência acadêmica”, disse o professor de agronomia e presidente eleito da ADUnB, Flávio Borges Botelho Filho, que vai tomar posse no dia 23 de junho, na sede da seção sindical, na Casa do Professor.
Laboratório – O resultado suscitou outras análises sobre o momento de crise da UnB. Uma das interpretações que mais prevalece entre os docentes é a de que os votos da chapa 1 representam o grupo de professores que discordam da proposta de eleições paritárias para reitor, a qual foi defendida pelas outras chapas durante a campanha. A professora do Instituto de Ciências Sociais (ICS), Rita Laura Segato de Carvalho, que concorreu, pela chapa 2, ao cargo de presidente da entidade, considera a eleição da ADUnB um grande laboratório para os professores que formaram a chapa 2 e para a universidade em geral, uma vez que em breve haverá eleições para reitor. Segundo ela, quatro fatores devem ser levados em consideração para se analisar o resultado e o primeiro deles é o número de abstenções. Segato afirma que
a ADUnB é apenas um dos cenários em que a universidade tem
possibilidade de pensar sobre ela mesma e, por isso, ao analisar essa
eleição sela sugere à categoria levar em conta o
número de abstenções. Ela entende que a eleição
foi uma forma de avaliar onde está o professor, o que é
que ele está pensando. “A gente tem de fazer essa análise.
Ela é muito importante porque a gente daqui vai se dirigir a um
pleito muito mais importante do que esse aqui. Trata-se da eleição
para reitor. Aqui foi um grande experimento e desse experimento a gente
saiu sabendo que tem muito professor que não valoriza a ADUnB”,
afirma. “Timotismo” e paridade – Rita Segato analisa como terceiro fator “o fato de o grupo de professores que votou na chapa 1 se sentir ameaçado pelo compartilhamento do poder com os outros dois segmentos que estão conosco nesta esfera pública”, afirma. Ela explica que “a chapa vitoriosa é formada por alguns professores que simplesmente têm rejeição a algumas das posições das outras chapas, como, por exemplo, a mais importante das rejeições, que é a entrega de uma parcela do poder decisório aos estudantes e aos funcionários. Nessa chapa, em primeiro lugar, um grupo votou pela defesa ao ‘timotismo’. Nessa chapa há muitos apoiadores comprometidos com o processo de desvio de dinheiro público e de corrupção que aqui se viu, mas também tem um grande número de professores que não estão comprometidos com essa corrupção, com esses desvios, com esses erros administrativos, vamos dizer assim, mas que tem rejeição a algumas das posições que estão nas outras duas chapas”, analisa. Para a professora, o resultado da eleição mostra também que os grupos que defendem a paridade terão muito trabalho para esclarecer e para agregar professores à proposta. “Muitos professores não entendem muito bem o que significa partilhar essas decisões e não compreendem exatamente que isso aqui não é uma empresa privada em que um grupo pode controlar completamente o poder do espaço. Isso aqui é esfera pública. Isso mostra também a falta de cidadania do professor, quer dizer, ele não compreendeu que estamos na esfera pública e que funcionários e estudantes compartem essa parcela da esfera pública com o professor e eles têm de ser convidados a participar e a decidir conosco porque eles são, os estudantes, sobretudo, a finalidade”, argumenta. Apesar de afirmar ter sido surpreendida pelo número de votos que a chapa 2 recebeu, Segato afirma que o grupo obteve apenas 126 votos porque perdeu votos para a chapa 3. “Nós pensamos que alguns dos votos que perdemos foram porque as pessoas avaliaram qual a chapa, entre a 2 e a 3, teria mais chances de vencer a chapa 1 e votaram na chapa 3”, diz. O professor da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária (FAV) e candidato a presidente pela chapa 3, Cícero Silva, promete fazer uma oposição crítica ao grupo vencedor e afirma que a chapa 1 só ganhou a eleição porque a “bandeira levantada pelo grupo era mais fácil, mais digerível entre os professores, porque não defendia a paridade”. Silva disse que sabia que a maioria dos professores da UnB não concorda com a paridade. “Conhecemos o eleitorado. No meu caso, no entanto, é o seguinte, vou pedir licença ao Oscar Niemeyer para usar uma frase dele e dizer que temos de ser coerentes até o final. Vou para as bases, defendendo os estudantes, a paridade nas eleições para escolha de dirigentes, e com muito mais liberdade, porque agora não tenho mais de representar professores nem o conjunto de professores, vou representar os 195 eleitores que votaram em mim”, diz o professor. Ele também
considera a eleição da ADUnB como um referencial balizador
para identificação do que pensa o professorado da UnB e
garante que “a chapa 3 saiu derrotada em termos numéricos
de votos, mas a situação proporcionou uma vitória
importante que prova o seguinte: os seguidores do professor Timothy estão
aí, estão espertos; o timotismo está vivo e está
esperto. Mas vamos continuar analisando tudo, com o olhar muito crítico,
pedindo conta de tudo, e toda a irregularidade que surgir, não
temos dúvida, vamos continuar na denúncia, com a denúncia
coerente”, afirma.
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| Expediente: A
Diretoria da ADUnB-S.Sind. não se responsabiliza |