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Informativo eletrônico da ADUnB
Brasília
14 de abril de 2008
Nº 46

Consuni adia para amanhã escolha
de nome para reitor pro tempore


Reunião do Consuni do dia 14 de abril

A segunda-feira foi movimentada na UnB. Vários institutos e faculdades se reuniram a fim de definir um nome e os critérios para escolha do reitor pro tempore a serem levados para a reunião do Conselho Universitário (Consuni) realizada hoje (14). Aberta à comunidade acadêmica e à imprensa, a reunião, convocada para discutir e indicar um nome para dirigir a universidade temporariamente, foi marcada pelo debate sobre a necessidade de estabelecer eleições paritárias para o próximo reitor.

Trata-se de uma reivindicação do movimento estudantil, que, em assembléia realizada hoje, definiu que só vai desocupar a reitoria se o Consuni aprovar a realização de um congresso estatuinte e instituir a paridade na consulta para reitor.

Com isso, boa parte das declarações, durante a reunião do Consuni, ocupou-se das reivindicações do movimento estudantil e o nome para reitor pro tempore não chegou a ser votado. Os conselheiros deliberaram por levar às unidades as propostas apresentadas tanto pelos estudantes como pelos docentes e servidores técnico-administrativos com o intuito de aprofundar a discussão apresentadas na reunião de hoje.

Apesar de adiar o debate para amanhã às 14h, nomes como o dos ex-reitores Antonio Ibañez e Cristovam Buarque, bem como do magistrado Sepúlveda Pertence, de docentes aposentados, como os dos professores Roberto Aguiar e Dércio Munhoz, além de professores da ativa, como José Geraldo, Estêvão Martins e Isaac Roitman, foram apresentados como possíveis indicações.

A UnB tem até amanhã, às 18h, para indicar o nome de um professor para ocupar o cargo de reitor temporariamente. O prazo, estabelecido no domingo (13) pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, é considerado pela equipe do MEC uma prioridade uma vez que, segundo o ministro, a universidade não pode ficar acéfala por mais tempo.

A escolha do reitor pro tempore foi determinada depois que o reitor da UnB, Timothy Mulholland, afastado temporariamente por 60 dias, comunicou sua renúncia por telefone durante uma reunião, realizada no domingo (13), em que o ministro Haddad e representantes da comunidade universitária discutiam soluções para o impasse surgido no fim de semana com o pedido de exoneração do vice-reitor, Edgar Mamiya.

Com a saída irrevogável do vice-reitor, ocorrida no sábado (12), e a renúncia de Mulholland, no domingo (13), Haddad estabeleceu um prazo de 48 horas para a universidade indicar um nome para substituí-los temporariamente até que se realize nova consulta para escolha de reitor. O reitor pro tempore terá 90 dias, prorrogáveis por mais 90 ou fração, para convocar a nova consulta.

De acordo com o ministro, com a entrega da carta com o pedido de exoneração do vice-reitor, Edgar Mamiya, fez-se necessário avaliar o momento pelo qual a UnB atravessa "para tentar estabelecer, democraticamente, os desdobramentos e as ações previstas para superação da crise, uma vez que o mero afastamento do reitor Timothy não parecia conduzir a uma solução do problema porque só o vice-reitor havia se exonerado das funções e o professor Timothy, reitor da universidade, apenas afastado, mantinha não só a si próprio no cargo como a sua equipe de decanos e, em virtude desse descompasso, entre a decisão do reitor e do vice-reitor, a solução parecia difícil, e exigiria do MEC e do Conselho Superior algumas providências para a superação do problema. Mas no meio da reunião o reitor Timothy fez um contato com o MEC e anunciou também a sua renúncia", disse o ministro.

A indicação de um reitor pro tempore destitui os atuais decanos de suas funções, uma vez que, por ser cargo de confiança, sem a presença do reitor e do vice-reitor, eles não se sustentam na administração.

Na reunião de domingo com o MEC, os 27 participantes discutiram critérios para a escolha do reitor pro tempore. A sugestão da diretoria da ADUnB, dos representantes dos estudantes e dos funcionários, é que seja uma pessoa que além de unificar e representar a comunidade universitária, não se disponha a concorrer ao cargo de reitor na próxima consulta e que não tenha nenhum vínculo com o modelo de gestão como esta, contestada pela maioria da comunidade acadêmica.

No entendimento da diretoria da ADUnB, os critérios foram escolhidos em virtude da crise provocada pelo modelo de gestão antidemocrático e sem transparência adotado nas quatro últimas gestões, a qual é o principal motivo de toda a situação conflituosa que envolve a UnB hoje.

Haddad propôs a indicação de um nome com envergadura intelectual para que possa servir como uma espécie de magistrado nesse projeto. "Alguém que não postule o cargo de reitor até para conduzir os trabalhos com total imparcialidade e possa permitir que o processo sucessório se dê atendendo as questões de isonomia entre os postulantes", disse o ministro.

O ministro disse que espera receber apenas um nome de consenso, mas caso a comunidade indique mais de um, o MEC vai procurar fazer o melhor possível. "O que não podemos é deixar a instituição acéfala por mais tempo. Alguém tem de responder pelo expediente da UnB porque há muitas obrigações a serem honradas pela instituição, até mesmo em relação a seus servidores, à folha de pagamentos, aos bolsistas, tanto professores quanto alunos, que precisam ter garantidos os seus direitos acadêmicos", afirma.

 


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