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Informativo eletrônico da ADUnB |
Brasília |
9
de abril de 2008 |
Nº 45 |
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A intensa manifestação dos estudantes na última semana evidenciou o agravamento da crise de gestão da Universidade de Brasília (UnB), revelada, há três meses, pelas denúncias do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT). Na avaliação dos docentes, a crise agravou-se no fim de março em virtude das novas denúncias envolvendo a Editora UnB e a Funsaúde e da falta de esclarecimentos por parte do reitor, Timothy Mulholland. O fato é que uma semana depois das denúncias contra a Editora UnB e a Funsaúde, os estudantes ocuparam o prédio da administração central da universidade e, convencidos do envolvimento de membros da reitoria, iniciaram uma campanha pelo afastamento do reitor, do vice-reitor e de suas equipes da direção da universidade. Os dois primeiros pontos da pauta de reivindicações é a saída imediata do reitor e do vice e a dissolução do Conselho Diretor da Fundação Universidade de Brasília (FUB). O reitor, por sua vez, rejeita qualquer reivindicação que indique a sua saída imediata e informa que só negocia se os estudantes retirarem os dois primeiros pontos da pauta. E assim, no meio de uma grave crise de gestão, a UnB se vê também diante de um impasse: o reitor não abdica o comando da universidade e não têm acesso ao prédio da reitoria; os estudantes rejeitam sua permanência e ameaçam entrar em greve geral. A insatisfação do segmento estudantil foi comprovada na assembléia geral realizada no dia 7/4, quando mais de 1.300 estudantes aprovaram a continuidade e o fortalecimento da ocupação. Essa deliberação, ao contrário do que esperava a Polícia Federal, que tenta convencer os estudantes, por meio da negociação, a saírem do prédio e a cumprir uma ordem judicial de desocupação, resultou num reforço da ocupação. Com isso, um clima de tensão envolveu a universidade. Para o professor do Instituto de Física e coordenador de pós-graduação, Tarcísio Marciano, a situação é grave, tensa e preocupante para toda a instituição. “Acho que estamos numa situação de impasse causada pelas denúncias veiculadas na imprensa contra a administração, que são tão graves que levaram, até mesmo, ao pedido de indiciamento do reitor e de um decano por improbidade administrativa. Isso é extremamente grave e a universidade, por meio de seus órgãos colegiados, não pode se furtar a dar uma resposta clara e inequívoca sobre o que ela pensa”, afirma. O professor de física se refere à denúncia do Ministério Público Federal do Distrito Federal e do MPDFT à Justiça, contra o reitor e o decano de Administração e Finanças da UnB, Erico Paulo Weidler, feita ontem (8/4). Na denúncia, eles são acusados de usar recursos destinados ao financiamento de projetos de pesquisa para mobiliar o apartamento funcional da universidade destinado a reitor e de comprar um carro de luxo para beneficiar Mulholland. O professor Marciano explica que a situação é resultado também do fato de já terem passado mais de 50 dias da assembléia geral dos docentes, em que aprovaram a realização de uma reunião do Conselho Universitário (Consuni) para discutir a crise, e nada foi feito pela reitoria no sentido de investigar e esclarecer as denúncias. O Consuni reuniu-se duas vezes depois da AGE, mas até hoje não foi convocado para discutir e deliberar sobre a crise de gestão. Na segunda-feira (7/4), ele foi convocado às pressas para discutir a ocupação do prédio da reitoria. Segundo Marciano, “parte dos professores conselheiros acusou o reitor de fazer uma convocação intempestiva a ponto de vários deles não terem participado”, disse. Marciano avalia que “a falta de uma investigação isenta, independente e idônea tanto da universidade como das denúncias cria um vácuo jurídico e, com isso, uma situação que permite que movimentos populares, como o dos estudantes, venham a se manifestar, como estão fazendo agora, com a ocupação da reitoria da UnB, criando uma situação que é ruim para todos”.
Nesta sexta-feira (11), os estudantes vão promover uma paralisação. A decisão foi aprovada na assembléia geral, realizada hoje,com a participação de 1.600 estudantes,os quais rejeitaram os 11 pontos da contraproposta da reitoria e decidiram manter a ocupação. A assembléia estudantil deliberou também que não negociará enquanto a administração central não restabelecer a água e a luz. A estudante Luiza Oliveira informou que desde terça-feira (8), os estudantes participam de negociações com membros da reitoria e com várias instituições que se propõem a intermediar o conflito. No entanto, até agora não se conseguiu fechar um acordo com a reitoria. Na terça-feira, eles se reuniram com a Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional do DF (OAB/DF) e com o MPDFT. Segundo Luiza, na mesa de negociação com o Ministério Público, o reitor Timothy Mulholland e membros da reitoria e uma comissão de estudantes, a proposta inicial era a de dar um prazo para que o reitor convocasse novas eleições, “mas ele não aceitou alegando que se fizesse isso estaria atestando a própria culpa pelas irregularidades”, disse a estudante. Na reunião com a OAB/DF, realizada na terça-feira, os estudantes foram surpreendidos com a chegada de uma comissão da reitoria. Com isso, abriram um canal de negociação e marcaram uma nova reunião para hoje, que foi cancelada porque a assembléia estudantil definiu que o restabelecimento da água e da luz é precondição para o início das negociações. “Na terça-feira à noite, quando estávamos reunidos com o vice-reitor, Edgar Mamiya, e uma comissão da reitoria, negociando pontos da pauta, um estudante caiu da rampa por causa da escuridão. Pedimos ao vice-reitor para ligar a luz e ele disse que ia nos atender, mas o decano de Assuntos Comunitários, Pedro Sadi, recusou-se a fazê-lo”, conta Luiza. A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Distrito Federal acabou por intervir e apresentar uma medida cautelar na 2ª Vara Federal com o intuito de forçar a reitoria a restabelecer luz e água. No entendimento da presidente da OAB/DF, Estefânia Viveiros, ao cortar a água e a luz do prédio ocupado, a reitoria violenta os direitos básicos dos estudantes.
Os estudantes ressaltaram a importância da religação da água e da luz não só por ser uma precondição para a retomada das negociações, mas, sobretudo, para evitar acidentes. Eles contaram que a falta de luz já provocou um acidente e a falta de água pode comprometer a saúde de todos que estão no prédio, uma vez que estão se alimentando no local e precisam lavar os alimentos. Além de levarem Suplicy e Buarque para uma vistoria nas instalações do prédio da administração central a fim de mostrá-los que não houve depredação do patrimônio público, os estudantes pediram aos senadores uma maior atenção com o caso das fundações privadas atuantes nas universidades públicas e elencaram várias irregularidades cometidas por esses organismos. Ao falarem sobre as
fundações privadas, eles citaram, dentre outros, os escândalos
da Finatec e da Fundação Mendes Pimentel (FUMP), atuante
na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que cobra uma semestralidade
de mais de R$ 100,00 dos estudantes de graduação.
Intermediação – Vários setores buscam um desfecho pacífico para a situação. Na UnB, a diretoria da ADUnB vem atuando como intermediadora do conflito, mobilizando organizações, parlamentares, ministros, dentre outros, para tentar amenizar a intolerância, estabelecer o diálogo e promover uma desocupação pacífica. A intermediação da diretoria da ADUnB, no entanto, vem sendo criticada por vários setores da comunidade acadêmica. O professor do Instituto de Física, Tarcísio Marciano, diz que as críticas à diretoria da seção sindical são improcedentes. “É incorreto afirmar que a ADUnB está apoiando o movimento dos estudantes. Em primeiro lugar, até onde eu sei, não é o caso. E, em segundo lugar, não houve nenhuma deliberação de assembléia no sentido de dizer como é que a ADUnB deve se posicionar frente a esse tipo de movimento”, afirma. O professor Marciano
disse também que a Assembléia Geral Extraordinária,
realizada no dia 20 de fevereiro, “não pediu o afastamento
do reitor, naquele momento, mas, no entanto, definiu que eram necessárias
investigações feitas pelo Consuni. Transcorridos quase dois
meses, nenhuma investigação foi feita, então acho
que há aí um problema sério em que há acusações
graves que difamam o nome da instituição, corroem a sua
reputação e permanecem no ar sem que nenhuma resposta adequada
seja dada; e resposta adequada que eu entendo é uma investigação
em que provas e fatos são levados em conta e se chegam a uma conclusão.
E isso terá de ser feito por meio de um processo normal dentro
da universidade. Isso não ocorreu e é isso que vem gerando
toda essa situação”, diz.
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Expediente: A
Diretoria da ADUnB-S.Sind. não se responsabiliza |