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Informativo eletrônico da ADUnB |
Brasília |
7
de abril de 2008 |
Nº 44 |
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Editorial Ocupação: a resposta ao silêncio A ocupação do prédio da Reitoria da UnB pelos estudantes é a resposta do movimento estudantil ao silêncio da Reitoria sobre as denúncias do Ministério Público do DF e Território, bem como o resultado do constrangimento que, a cada dia, aumenta na universidade por causa intensidade da crise de gestão. Enquanto os estudantes expressam sua angústia e insatisfação por meio da ocupação, os professores aguardam, há 45 dias, o atendimento, por parte da Reitoria, das deliberações da Assembléia Geral Extraordinária. Na Assembléia, realizada no dia 20 de fevereiro, foi aprovada a convocação de uma reunião do Consuni para discutir a crise de gestão da universidade, democraticamente. Até hoje nada foi feito no sentido de esclarecer as denúncias e resolver essa situação que vem difamando publicamente a instituição e seu corpo docente, discente e técnico-administrativo. As declarações do reitor na CPI das ONGs chocaram e, ao mesmo tempo, irritaram profundamente a comunidade universitária. Entendemos que a falta de explicações ocorre propositadamente com o objetivo de abafar os fatos, minimizar a crise e ocultar os crimes cometidos contra a universidade. A ocupação dos estudantes reflete também o sentimento de indignação que toma conta da universidade a cada omissão da Reitoria. Excluídos do debate democrático, sentimo-nos menosprezados, ignorados e constrangidos. Respeitamos a forma que o movimento estudantil encontrou de expressar sua indignação, bem como a autonomia dos movimentos sociais. Assim, afirmamos que a ocupação da Reitoria pelos estudantes da UnB é legitima e autônoma. Ao contrário do que diz a nota da Reitoria, na qual acusa a direção da ADUnB de incitar a ocupação, esclarecemos que estamos presentes na manifestação com o intuito de auxiliar os estudantes na busca de uma solução negociada para o conflito agravado pela intransigência da Reitoria, manifestada, nos dois primeiros dias da ocupação, com o corte de luz e água do prédio, indispensáveis à vida. Não aceitamos conviver com a impunidade e não adotamos a tolerância com a corrupção como modelo de vida. A despeito de a corrupção ser um problema mundial e ocorrer em todos os níveis - dos pequenos delitos diários aos grandes desvios financeiros no poder público e privado, entendemos que o maior impacto desse crime recai sobre os cidadãos mais pobres, que não têm condições de absorver seus custos. Ao desviar recursos públicos, a corrupção compromete serviços importantes para as classes menos favorecidas, como saúde, educação, transporte e policiamento. Diante disso, convidamos a comunidade acadêmica a não permitir que a UnB se transforme em mais um exemplo de impunidade e a não assumir uma posição transigente, confirmando a tese de que a corrupção no Brasil é uma espécie de lei natural. Entendemos que, ao
agendar o debate sobre a crise de gestão da UnB para um futuro
qualquer, corremos o risco de habituarmo-nos com as graves irregularidades
e de transformarmos a indignação em condescendência.
O resultado dessa postergação, como é comum acontecer
no Brasil, é o abandono dos crimes cometidos nas esferas públicas
nos registros históricos do País.
Ocupação é o auge de uma série de protestos Desde
o fim de janeiro deste ano, os estudantes realizam protesto no campus
por causa
Os estudantes que ocupam o prédio da reitoria da UnB se livraram, temporariamente, da ameaça de uma ação policial para retirá-los à força do local. Hoje (6/4) de manhã, quatro representantes do grupo de estudantes em ocupação, um delegado e a superintendente da Polícia Federal (PF), Walquíria Teixeira, e os advogados dos estudantes e da ADUnB participaram de uma reunião de negociação em que a PF se comprometeu a não usar a força e a aguardar o resultado de uma assembléia geral dos estudantes a ser realizada na segunda-feira (7/4), às 12h. Segundo informações da diretoria da ADUnB, que intermediou a negociação, a realização da assembléia geral para discutir o cumprimento da ordem judicial de desocupação do prédio é parte do acordo entre os estudantes e a PF. Ficou acordado também que o resultado da assembléia será comunicado à PF numa reunião prevista para acontecer na sede da ADUnB, Casa do Professor, amanhã (7/4), às 15h. A PF se comprometeu também a viabilizar o acesso dos estudantes e de seus advogados nos ambientes ocupados. A diretoria da ADUnB, que desde o início do movimento, deflagrado no dia 3/4, mantém-se no prédio da reitoria como intermediadora do conflito, informa que com a negociação de hoje “foi dado um passo importante para garantir a continuidade das negociações na busca de uma solução pacífica para o conflito”.
Impasse – A ocupação dos estudantes chega ao terceiro dia e o impasse permanece, uma vez que o reitor Timothy Mulholland não aceita negociar os primeiros itens da pauta de reivindicações: a sua saída imediata da reitoria, bem como a do vice-reitor, Edgar Mamiya, a dissolução do Conselho Diretor da Fundação Universidade de Brasília (FUB), e a convocação imediata de eleições diretas e paritárias para reitor. Os estudantes em ocupação afirmam que só saem do prédio depois que o reitor abdicar o cargo. No sábado (6/4), depois de aproximadamente 30 horas sem água e sem luz, cortadas pela administração para tentar inviabilizar a ocupação, os estudantes viveram um dos momentos de extrema tensão em virtude do comunicado de um delegado da PF que esteve no prédio da reitoria e avisou que a polícia tinha ordem para retirá-los do local. Ocupação – No dia 3, depois de discutirem e reconhecerem a existência de uma crise de gestão da UnB, os cerca de 350 estudantes que participaram da assembléia promoveram uma passeata no Minhocão e seguiram para o prédio da Reitoria, onde estava previsto apenas a realização de um ato público com o enterro simbólico do reitor. Segundo uma nota que os estudantes divulgaram na imprensa, a ocupação foi decidida no momento em que chegaram ao prédio da administração central. Essa é a segunda ocupação da reitoria realizada por estudantes este ano. A primeira ocorreu logo depois das primeiras denúncias do Ministério Público Federal e Territórios (MPDFT), quando um grupo de estudantes tomaram posse do gabinete do reitor para protestar, dentre outros, contra o gasto com a decoração do apartamento funcional da reitoria.
Protestos – Dias depois da primeira ocupação, os estudantes realizaram uma manifestação na frente do prédio em que se localiza o apartamento funcional da reitoria em que fizeram comparações entre as precariedades da Casa dos Estudantes da UnB (CEU) e o apartamento decorado por R$ 470 mil e denunciado pelo MPDF. No dia 20 de fevereiro, ajuizaram uma representação por improbidade administrativa contra o reitor no Ministério Público Federal. Desde então, fizeram vários protestos no campus denunciando, sobretudo, as condições de permanência dos estudantes que dependem de verba pública para freqüentar a universidade. Com as últimas denúncias do MPDFT, em que foram evidenciadas irregularidades na Funsaúde e na Editora UnB, decidiram realizar uma assembléia geral, no dia 3/4, em que a idéia era realizar uma passeata e um protesto em frente ao prédio da administração central. A ocupação cresceu e, no dia seguinte, o prédio da Reitoria estava tomado por estudantes que, com uma pauta de 19 itens, classificaram como condição indispensável para se retirarem do prédio o atendimento dos três primeiros itens da pauta. A retirada dos três primeiros itens da pauta, no entanto, foi a condição sine qua non da Reitoria para iniciar as negociações. Com isso, o impasse estabeleceu-se e, de um lado, os estudantes explicam que as três primeiras reivindicações são essenciais para que a universidade retome seu ritmo normal e restaure sua imagem perante a sociedade e a comunidade universitária. Do outro, o reitor, em comunicados divulgados pelo site da instituição, avisa que não vai abdicar do cargo. Desde sexta-feira
(4), a diretoria da ADUnB tenta realizar uma reunião com o reitor,
mas até o fechamento deste boletim, ele não havia atendido
ao pedido.
Reitoria tenta criminalizar o movimento Enquanto a Reitoria busca criminalizar a ação do movimento estudantil e, ao mesmo tempo, atingir o movimento sindical docente liderado pela ADUnB/ANDES-SN, informando em nota divulgada pelo site da instituição que a ocupação é incitada pelas lideranças sindicais dos professores, a diretoria da ADUnB trabalha na mediação do conflito, buscando dentro e fora da instituição soluções para impedir uma ação violenta. Desde o início do movimento de ocupação pelos estudantes, a ADUnB atua na promoção de encontros entre parlamentares, Reitoria, membros dos governos federal e local e Polícia Federal a fim de que as negociações sejam estabelecidas. Uma das primeiras vitórias dessa interlocução foi o restabelecimento da água e da luz, cortadas no primeiro dia da ocupação. A diretoria afirma que procura seguir a tradição da entidade que, há 30 anos, luta e apóia os grupos que lutam por uma universidade pública, gratuita, democrática e socialmente referenciada.
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Expediente: A
Diretoria da ADUnB-S.Sind. não se responsabiliza |