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Informativo eletrônico da ADUnB |
Brasília |
7
de março de 2008 |
Nº 42 |
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Editorial A crise continua A questionável relação da Universidade de Brasília com as fundações ditas de apoio continua a ocupar espaço de destaque na grande imprensa nacional. Chamado a prestar esclarecimentos na CPI das ONGs, no Senado Federal, o reitor da UnB apenas lamentou o abalo na imagem da universidade, resultante da “polêmica”. Em vez de dar explicações convincentes, o reitor preferiu usar a estratégia de apontar culpados e não se envolver. Assim, voltou a afirmar que a escolha de fazer a luxuosa reforma do apartamento que ocupava partiu do Conselho Diretor da Fundação UnB, que ele mesmo preside, alegando que estava ausente no exato momento da decisão. Sobre os recursos aplicados, o reitor declarou que a preparação do imóvel não prejudicou as pesquisas e os programas desenvolvidos pela universidade – embora seja mais do que patente a precariedade da estrutura física da universidade e seus laboratórios de pesquisa. Mais uma vez colocou toda a culpa na diretoria da Finatec quanto aos gastos excessivos com a mobília, incluindo a lixeira de luxo. Muitas perguntas ficaram sem respostas claras, como a própria origem dos recursos e os critérios adotados para os investimentos na universidade. A falta de transparência e a confusão estabelecida entre o público e o privado decorre da visão empresarial assumida pelas fundações, que se apropriam do espaço e do prestígio da universidade em benefício próprio. Essa também é a avaliação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), que investiga o caso. Ouvidos na CPI, os promotores denunciaram diversas irregularidades cometidas pelas cinco fundações que atuam na UnB - FINATEC, FEPAD, FAHUB, FUNSAÚDE e FEMAT. Entre as principais falhas estão: a dispensa de licitação, a subcontratação de empresas para executar serviços, a aplicação de verbas em atividades alheias à pesquisa e a remuneração de docentes com dedicação exclusiva. Vale ressaltar que em 2006 a ADUnB encaminhou ao Ministério Público e ao próprio reitor notificação sobre os ilícitos cometidos por essas fundações (os documentos estão disponíveis na página da ADUnB). Também é importante frisar que a atuação das fundações ditas de apoio vem sendo alvo de denúncias de norte a sul do país. Entre janeiro de 2003 e dezembro de 2007, o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou irregularidades graves em 19 fundações (29% do total), espalhadas por 16 estados. Na avaliação do MPDFT, não há mais justificativas para as fundações continuarem a exercer atividades empresariais. Conforme afirmou o promotor Gladaniel de Carvalho na CPI, “trata-se de um sistema falido, ultrapassado, criado no regime ditatorial”. A postura, no mínimo, esquiva do reitor e a ausência do representante da Finatec à CPI ajudam a manter a crise no interior da universidade. Essa crise, fundamentalmente, é de gestão democrática. Conforme a ADUnB vem apontando nos últimos boletins, faz-se urgente a retomada do Conselho Universitário, que é o espaço para o debate sobre a aplicação de recursos públicos e a definição de prioridades dos investimentos. Infelizmente, o autoritarismo e a falta de transparência vêm sendo a tônica da administração da UnB, haja vista o desrespeito aos órgãos que devem discutir e tomar as decisões. A ADUnB reafirma a deliberação aprovada pela última assembléia geral (dia 20/2) de a categoria continuar a debater, serenamente, nas unidades acadêmicas, a crise por que passa a nossa universidade.
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Expediente: A
Diretoria da ADUnB-S.Sind. não se responsabiliza |