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Informativo eletrônico da ADUnB |
Brasília |
28
de fevereiro de 2008 |
Nº 41 |
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Editorial Os fatos revelam crise de gestão na UnB O noticiário desta semana dá conta de irregularidades no contrato entre a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec) e a prefeitura de São Paulo, na Editora UnB, além de ter informado que a CPI das ONGs chegou a discutir a possibilidade de incluir em seus trabalhos a investigação dos recebimentos e dos pagamentos feitos por dez fundações privadas ditas de apoio à pesquisa desde 1999. A CPI iria investigar irregularidades que a ADUnB, assim como as demais seções sindicais de Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes), vem denunciando há pelo menos cinco anos: a relação questionável entre as fundações de direito privado e as universidades públicas. Essa relação, na prática, é o que tem desconstituído a natureza pública das Ifes, sendo responsável pelo avanço da privatização da educação superior pública, explicitada, dentre outros fatores, pela proliferação dos cursos pagos na universidade pública e na educação a distância, bem como pelas transferências de recursos públicos às fundações privadas ditas de apoio. A gravidade da relação das fundações privadas ditas de apoio à pesquisa com as universidades públicas é tão profunda que, há tempos, o ANDES-SN vem destrinçando, por meio de estudos, e revelando, nos periódicos, os resultados de sua investigação. Uma das principais denúncias do movimento sindical docente é a constatação de que essa relação tem conduzido as Ifes a instituir gestões anti-democráticas e sem transparência, a universidade pública à privatização e à mercantilização do trabalho docente e a falência das instâncias democráticas das Ifes. Os estudos do ANDES-SN têm demonstrado que à medida que a relação desses entes de direito privado com a universidade pública se aprofunda, a apropriação privada da coisa pública se agrava. Com base nessa análise, entendemos que as denúncias do MPDFT sobre os desvios de finalidade e malversação de verbas envolvendo a Finatec e a Administração da UnB divulgadas pela imprensa serviram para tomarmos conhecimento dos destinos dos recursos financeiros e de como são eleitas as prioridades da UnB. Por isso, lamentavelmente, temos de reconhecer que, diante dessa situação, um dos serviços prestados pelas denúncias do Ministério Público é que elas revelaram a crise de gestão anunciada pela ADUnB. Na UnB, somos reduzidos a expectadores de escândalos que envolvem a universidade, obrigados a viver na dependência das fundações privadas ditas de apoio à pesquisa e limitados a continuar submetidos a uma relação confusa que tais fundações mantêm com a universidade pública, o que nos fragiliza há mais de uma década. Não entendemos como são feitos os repasses de recursos financeiros, mas vemos boa parte do professorado fora dos projetos de pesquisa e, muitas vezes, pagando do próprio bolso os custos da sua produção científica. Não temos acesso às informações, mas nos deparamos com o noticiário da grande imprensa a nos apontar grandes irregularidades e a nos causar profundos constrangimentos. Para nós, as denúncias do MPDFT é um exemplo ilustrativo da relação questionável de transferência de dinheiro público para interesses privados e, ao mesmo tempo, o gasto realizado com a decoração e mobília do apartamento da Reitoria reflete a negligência dos administradores com as reais prioridades da instituição. Indubitavelmente, os fatos denunciados somados ao que vemos e vivemos dentro da instituição e na última Assembléia Geral Extraordinária (AGE) da categoria devem servir para reflexão, uma vez que nos revelam que a crise de gestão da UnB existe e está inserta nesse contexto das fundações privadas ditas de apoio à pesquisa. Fatos como a abordagem de diretores da ADUnB por policiais militares com interrogatórios sobre o conteúdo da Assembléia, bem como a filmagem e as fotografias dos membros da diretoria e de professores durante a reunião, feita por fotógrafos não identificados e sem autorização prévia, ao contrário dos demais órgãos de imprensa que, identificados, cobriram a Assembléia Geral Extraordinária, levam-nos a crer, também, que a gestão democrática da UnB atravessa um momento de risco e de vulnerabilidade que pode, caso não estejamos atentos, resultar em cerceamento da liberdade de manifestação e de pensamento, como já ocorreu no passado. A diretoria respeita, acata e encaminha a decisão da AGE, mas não pode deixar de apontar os fatos, identificar os erros e analisar de forma crítica os acontecimentos. Não podemos deixar de apontar que fatos como a distribuição de um manifesto às secretarias de alguns departamentos por funcionários da Administração e a atitude de uma ex-decana que, com uma demonstração de falta de respeito à Assembléia Geral Extraordinária, contou votos, insinuando que os membros da diretoria da ADUnB não são dignos de confiança, são fatos que nos evidenciam que a crise é mais grave do que a imaginávamos. É por isso que insistimos em afirmar que a gestão democrática da UnB está em crise e se faz necessário, urgentemente, a retomada do Conselho Universitário com seu caráter democrático, afinal, o Consuni é o Conselho Superior e instância deliberativa e democrática da universidade. Diferentemente do Conselho Diretor, o Consuni é o locus do julgamento das questões políticas, além de outras várias questões da universidade, como a distribuição de recursos financeiros públicos e a definição de prioridades da instituição. Entendemos que jamais a decisão sobre a destinação de R$ 470 mil para mobiliar e decorar o apartamento da Reitoria deveria ter sido tomada pelo Conselho Diretor por ser essa uma decisão política. Destacamos que as condições precárias de trabalho na UnB não estão relacionadas apenas aos salários, mas também às condições que a instituição nos oferece, muitas vezes, para trabalhar. No ano passado, a ADUnB publicou um boletim sobre a precarização do trabalho docente e mostrou que essa precarização não passa somente por questões salariais, mas por várias outras, incluindo aí as relacionadas à infra-estrutura, à falta de professores, à sobrecarga de trabalho. Defendemos a idéia de que a transparência seja o primeiro passo para se conquistar uma gestão realmente democrática e entendemos que os fatos ocorridos na UnB e denunciados na imprensa revelam a falta de transparência da Administração. Convidamos, portanto, a comunidade universitária a refletir sobre os acontecimentos sem se intimidar pelas pressões que podem ocorrer nesse processo.
ANDES-SN Comissão
Eleitoral homologa chapa única que concorre à direção
do ANDES-SN A Comissão Eleitoral Central – CEC deliberou, no dia 22 de fevereiro, a homologação da Chapa 1 – Andes Autônoma, Democrática e de Luta, que concorre à direção do ANDES-SN, biênio 2008-2010.
As eleições estão previstas para ocorrer nos dias 13 e 14 de maio, em todo o território nacional.
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Expediente: A
Diretoria da ADUnB-S.Sind. não se responsabiliza |