ADUnB


Conlutas

Informativo eletrônico da ADUnB
Brasília
15 de fevereiro de 2008
Nº 39

 

Editorial

Faltam transparência e gestão democrática na UnB

O professor Timothy Mulholland, publicou, na terça-feira (12), uma nota à comunidade acadêmica com o anúncio de sua imediata desocupação do apartamento funcional. Na nota, ele diz, dentre outras explicações, que sua saída do imóvel tem o objetivo de preservar a instituição e também porque se considera “sensível às preocupações da comunidade universitária”.

O problema, no entanto, é maior do que uma simples mudança de endereço, afinal, o gasto feito na decoração do apartamento funcional da Universidade de Brasília é um exemplo do desvio de finalidade da fundação privada dita de apoio à pesquisa, que usou recursos do Fundo de Apoio Institucional (FAI) para fazer a decoração.

Prova da falta de transparência da gestão dos recursos financeiros da instituição, o gasto com a mobília do apartamento funcional no valor de R$ 470 mil foi aprovado por um foro deliberativo que, na prática, não constitui uma instância representativa da comunidade acadêmica, visto que foi durante a 445ª reunião ordinária do Conselho Diretor da FUB, realizada no dia 6 de julho de 2006, que os conselheiros decidiram usar recursos do FAI e incumbir a Finatec de decorar o apartamento sem discussão sobre prioridades com a comunidade acadêmica.

Além disso, ao levar-se em consideração a letra da lei e diante das precariedades da universidade, o gasto com a mobília representa, no mínimo, uma infração ao princípio da moralidade instituído pelo artigo 37 da Constituição Federal de 1988.

Essa despesa mostra ainda, numa primeira análise, que tipo de “investimentos” a Administração da UnB considera prioridade: entre equipar a universidade para desenvolver ciência, conhecimento, ensino e pesquisa, os recursos financeiros são desviados para finalidades que, mesmo consideradas bens que se revertem para a instituição, são supérfluos diante da crise financeira da UnB.

A preocupação do reitor em preservar a instituição deveria ser respondida não somente com a mudança do apartamento, mas, sobretudo, com maior transparência e uma gestão democrática eficiente.

Assim como o gasto com o apartamento funcional, outras despesas são alvo de desconfiança da categoria docente. Na verdade, uma das questões que incomodam os docentes e a comunidade universitária é não saber os reais valores dos recursos financeiros que chegam à universidade e como tais recursos são geridos pela Administração.

A desconfiança é o sentimento que prevalece entre docentes, estudantes e funcionários. Não se sabe, por exemplo, se a Finatec repassa todo o dinheiro que deveria à UnB. Os questionamentos sobre como é aplicado esse dinheiro se sucedem sem qualquer resposta esclarecedora. Os professores reclamam da falta de clareza dos relatórios financeiros disponibilizados pela universidade na sua página eletrônica.

O fato é que as denúncias do MPDFT revelam que a universidade tem dinheiro, mas não vemos esses recursos revertidos em ensino, pesquisa e extensão e, muito menos, em infra-estrutura. Um exemplo disso são as condições precárias das salas de aula, das salas de professores, dos laboratórios, da casa dos estudantes, dentre outros. A maioria esmagadora dos docentes compra, com dinheiro do próprio bolso, parte dos instrumentos necessários para execução de suas tarefas de professor e pesquisador.

É do nosso bolso sai boa parte das condições de funcionamento da universidade. De canetas para quadro branco, computadores, impressoras, equipamentos laboratoriais até lâmpadas, grades para janelas e móveis, compramos de tudo para fazer a universidade funcionar.

Na UnB, o que está a olhos vistos são essas precariedades. A instituição sucumbe entre problemas que vão desde falta de iluminação à falta de investimento em pesquisa e produção de conhecimento novo e desaba aos poucos com uma infra-estrutura carcomida pelo tempo.

Quanto aos recursos financeiros oriundos das captações das fundações privadas ditas de apoio, a comunidade sabe, por alto, que parte de tais recursos é destinada aos editais, no entanto, mesmo nesse caso, há indícios claros de irregularidades na distribuição desse dinheiro, tais como falta de critérios para julgamento, integrantes das comissões beneficiados nesse mesmo processo, impossibilidade de o professor que teve seu projeto desclassificado mover um recurso contra o julgamento, dentre outras. A outra parte dos recursos ninguém sabe como é e para quem é distribuída.

As denúncias do MPDFT somadas aos escândalos a que a universidade foi submetida nos últimos três anos, tais como os casos Cespe e HUB, e o atual caso dos cartões corporativos, revelam a falta de transparência na distribuição dos recursos financeiros, bem como na administração e classificação das prioridades da instituição. Revelam, portanto, a crise de gestão da Universidade de Brasília, o que, no nosso entendimento, deve ser discutido em fóruns apropriados com participação expressiva dos professores.




Deliberação do Conselho de

Representantes Ampliado da ADUnB-S.Sind.


O Conselho de Representantes Ampliado da ADUnB-S.Sind. do ANDES-SN se reuniu nesta quinta-feira (14) para discutir a situação da Universidade de Brasília (UnB) perante a crise estabelecida com as denúncias do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Depois do debate sobre o assunto, o Conselho de Representantes entende que as instâncias representativas de gestão democrática foram ignoradas e desrespeitadas na decisão sobre o apartamento da reitoria.

Entende também que há evidências de esvaziamento dos órgãos colegiados representativos da UnB.

Diante deste quadro, diversas propostas foram discutidas:

  • Criação de uma Comissão de ética para fazer uma analise e um diagnostico da gestão da UnB.
  • Pedido do afastamento do cargo do Reitor e do Decano de Administração e Finanças da UnB para permitir os trabalhos da Comissão mencionada.
  • Articulação com todos os segmentos representativos da Universidade numa Campanha pela democratização interna da UnB.

Todas estas propostas serão analisadas numa Assembleia Geral da ADUnB a ser realizada na próxima semana com a seguinte pauta: A crise de Gestão da UnB.



Ato público

Protesto em frente ao apartamento do reitor


Foto: Carla Lisboa

Um grupo de estudantes que participavam do Encontro Regional
de Casas de Estudantes Universitários do Centro-Oeste e vários representantes do DCE da UnB denunciaram as precariedades das casas dos estudantes
em manifestação na 310 Norte


As denúncias envolvendo a Finatec e o gasto de R$ 470 mil na decoração do apartamento em que reside o reitor da Universidade de Brasília (UnB), feitas pelo Ministério Público do Distrito Federal e Território, foi tema de um protesto dos estudantes da UnB no fim de semana passado. No sábado (9), eles realizaram um ato público na frente do edifício, na 310 Norte, em que denunciaram os contrates entre o luxo do apartamento e as precariedades das casas de estudantes no País.

Dentre as denúncias, os estudantes revelaram, em tom bem humorado e em forma de cantoria, a situação da Casa dos Estudantes da UnB (CEU), situada no Centro Olímpico, no campus da Asa Norte. Desde fio desemcapado e infiltrações até paredes sustentadas por escoras, como é o caso das duas passarelas dos dois blocos de apartamentos que compõem a residência estudantil, formam, hoje, o cenário em que vivem os cerca de 350 estudantes da universidade.

Eles fizeram um paralelo entre as precariedades da CEU e o luxo do apartamento do reitor e compararam a CEU com a música A casa, de Vinícius de Moraes. Segundo eles, as últimas reformas feitas na residência estudantil no CO ocorreram ainda na década de 1980, quando o professor do Departamento de Economia e senador, Cristovam Buarque, era reitor da UnB. Eles afirmam que dentre as precariedades existentes a mais gritante é o caso de dois estudantes que residem em ambientes inapropriados.

Um deles, estudante de arquivologia, mora atualmente numa sala de televisão de um dos blocos, na qual não há banheiro, cozinha e quarto equipados. Segundo o estudante de filosofia, Thiago Costa, o estudante dorme num sofá velho e sujo. O outro, um estudante estrangeiro, refugiado político dos Camarões, que aguarda ainda a conclusão do processo de entrada na casa, mora numa espaço de 1,5m por 2m, em que não conta também com infra-estrutura, e dorme num colchonete improvisado. Os dois estudantes utilizam o banheiro dos seguranças: “Isso quando os seguranças permitem”, afirma Thiago.

Reivindicações – Além de uma melhor infra-estrutura, os estudantes reivindicam, dentre vários itens da pauta, acesso à saúde, ao lazer, ao transporte e à alimentação. Thiago informa que na CEU “há um razoável número de estudantes que precisam de assistência médico-hospitalar”, disse. Eles querem também gratuidade nos transportes coletivos, ônibus intercampus com itinerário e horário de acordo com as demandas de cada instituição de ensino superior, bem como uma bolsa permanência no valor de R$ 350,00 para todos os alunos de baixa renda e a extensão do ProUni a todos os beneficiários do programa.

Uma das principais reivindicações do estudantes, no entanto, é a garantia da gestão democrática, com paridade nos processos eletivos das instituições federais de ensino superior.

Ocupação da reitoria – A manifestação do dia 9 foi parte de um protesto que começou com a ocupação da reitoria entre os dias 29 de janeiro e 1º de fevereiro deste ano, em que os estudantes moradores da CEU tentaram uma audiência com o reitor, Timothy Mulholland. Depois de cinco dias de ocupação, eles foram recebidos pelo vice-reitor da UnB, Edgar Mamiya, e apresentaram uma pauta de reivindicações.

Ontem, em resposta à pauta de reivindicações, o estudantes tiveram uma reunião de negociação, na prefeitura do campus, com o vice-reitor, Edgar Mamiya; o decano de Assuntos Comunitários, Pedro Sadi; o prefeito, Antônio Wilson de Sousa; e o chefe da Segurança da UnB, Evani Oliveira. Além da reunião, eles já conquistaram um dos itens da pauta: o café-da-manhã, todos os dias, bem como o almoço e o jantar nos fins de semana.

Construído para abrigar esportistas em curtas temporadas, os dois blocos do Centro Olímpico foram ocupados por estudantes de graduação e de pós-graduação na década de 1970. Hoje, os estudantes contam com a promessa do vice-reitor da UnB, Edgar Mamiya, de que no fim de 2009 a universidade terá construído um edifício destinado à moradia dos estudantes na Colina, com capacidade para alojar 600 estudantes. O custo da obra está avaliado em R$ 12 milhões.

 



AGENDA

16 e 17/2/2008

9h - Reunião do GTPE do ANDES-SN
Local: Sede do ANDES-SN
16 e 17/2/2008

9h - Reunião do GTPFS do ANDES-SN
Local: Sede do ANDES-SN
1º e 2/3/2008

8h30 – Abertura do Seminário Ciência e Tecnologia e IFET: Educação Profissional Nova?
Local: Sede do ANDES-SN – 3º andar
13 e 14/5/2008

ELEIÇÕES para a Diretoria do ANDES SINDICATO NACIONAL
,
gestão biênio 2008/2010.

 

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