ADUnB


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Informativo eletrônico da ADUnB
Brasília
23 de julho de 2007
Nº 15


ANDES-SN: É preciso aumentar
a pressão sobre o governo

Conforme encaminhamento da reunião do Setor das IFES do ANDES-SN realizada no dia 30 de junho, as Seções Sindicais estão discutindo o indicativo de greve nas universidades federais em assembléias.

A próxima assembléia-geral da ADUnB, marcada para o dia 8 de agosto, irá avaliar o indicativo.

O governo Lula continua intransigente: não negocia a pauta de reivindicações aprovada no 26º CONGRESSO do ANDES-SN e tem tomado medidas que só contribuem para “maquiar” as estatísticas do ensino superior e precarizar ainda mais a atividade docente, como REUNI, professor equivalente e IFETs.

A pauta de reivindicações dos docentes das IFES protocolada na Secretaria de Ensino Superior (Sesu) do MEC no início de maio, mas até o momento não há um processo de negociação, porque o governo insiste em atrelar a negociação da pauta à discussão do projeto de regulamentação do direito a greve dos servidores públicos. O ANDES-SN também espera pela abertura da negociação da proposta da nova tabela salarial, protocolada na Sesu no início de junho.

O presidente do ANDES-SN, Paulo Rizzo, alerta os docentes de que as condições atuais exigem muita pressão sobre o governo e que “essa pressão pode vir, inclusive, na forma de greve”. “Já tivemos reuniões com a Sesu e estamos buscando reuniões com a Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, mas o governo trancou as portas para o serviço público em função do PLP 01/2007, que significa arrocho salarial por uma década, e com sua intenção de restringir o direito de greve”, diz Rizzo.

Paulo Rizzo, no entanto, lembra que as dificuldades existiram em outros momentos e que a mobilização dos docentes foi essencial para o atendimento de suas reivindicações por parte do governo federal.

Resistência
Além das ações que visam à retirada de direitos para o conjunto dos servidores públicos, o governo tem adotado medidas que pioram a educação universitária brasileira, como Prouni, REUNI, EAD e IFET, entre outras, que atacam a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, aprofundam o processo de mercantilização do ensino e precarizam as condições do trabalho docente.

Para fazer frente a esses ataques e reivindicar melhorias salariais, os servidores estão se mobilizando. No dia 1º de julho, a Plenária Nacional dos SPFs aprovou indicativo de paralisações para o mês de agosto, objetivando a construção de uma greve unificada até o início de setembro. Algumas categorias já se encontram em greve, entre elas os técnicos-administrativos das IFES, que paralisaram suas atividades há mais de 50 dias.

Greve é instrumento de luta
e defesa dos trabalhadores

A principal avaliação, tanto dos representantes dos SPFs quanto do Setor das IFES do ANDES-SN, é que somente com muita mobilização será possível barrar o PLP 01 e outros ataques, bem como forçar o governo Lula a negociar as reivindicações da campanha salarial.

Nas últimas décadas, a greve tem sido último recurso para levar o governo federal a estabelecer a negociação da pauta de reivindicações. Vale também lembrar que todas as conquistas da categoria docente foram obtidas com muita pressão e luta, em movimentos grevistas (Veja quadro abaixo).

Para o ANDES-SN, é urgente que os docentes discutam a necessidade de greve para denunciar as reformas mercantilistas do governo e a falência em que se encontra a educação superior no país. A greve é um direito coletivo dos trabalhadores, garantida pela Constituição. A deflagração das greves do Sindicato Nacional é uma deliberação emanada da decisão soberana, autônoma e democrática das assembléias, devidamente ratificada pela reunião do Setor das Federais do ANDES-SN.

Vale destacar também que as greves nas universidades públicas são deflagradas não apenas por reposição salarial e melhores condições de trabalho, mas também pela manutenção da universidade pública, gratuita e de qualidade para todos os cidadãos brasileiros.

Setor das IFES avaliará rodada de assembléias

O Setor das IFES do ANDES-SN estará reunido na próxima quarta-feira 25, em São Luís-MA, para avaliar o resultado parcial da rodada de assembléias gerais que estão acontecendo nas seções sindicais para deliberação do indicativo de greve nas universidades federais.

 


HISTÓRICO DA CAMPANHA SALARIAL 2007

15 de março - A CNESF entregou a pauta de reivindicações dos servidores públicos federais.

30 de março - Reunião no Ministério do Planejamento. O governo mostrou resistência em atender às reivindicações dos SPF e insistiu na criação de um GT para realizar estudos sobre o sistema de negociação. Mas, com o PLC/01, que limita os gastos com pessoal por dez anos, tal negociação só valerá a partir de 2017. A CNESF realizou reuniões e foram colocadas condições para as entidades participarem. O ANDES-SN quer a retirada do PLC/01, cuja essência é o arrocho salarial, e exigiu a discussão da pauta de negociação protocolada.

9 de maio - O ANDES-SN participou de audiência na SESU/MEC, ocasião em que foi entregue documento com a pauta de reivindicações. Ficou definido que uma nova reunião seria realizada no final de maio. Marcada para o dia 1º de junho, a reunião foi adiada para o dia 6 de junho.

10 de maio - O ANDES-SN participou da audiência da bancada sindical dos servidores públicos federais com a Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento. O secretário Sérgio Mendonça reafirmou a intenção do governo de manter o PLC 01/07 e de restringir o direito a greve.

3 de junho - A Plenária Nacional da CNESF analisou o desenvolvimento da campanha salarial e reiterou a disposição das entidades nacionais em participar de efetivo processo de negociação das reivindicações dos servidores, o que, até o momento, não se concretizou.

6 de junho – O ANDES-SN entregou proposta de tabela salarial ao secretário de Educação Superior do MEC, Ronaldo Mota. O secretário disse que constituiria uma comissão para estudar a proposta.

21 de junho – O ANDES-SN envia ofício ao Ministério do Planejamento solicitando audiência para tratar da pauta de reivindicações dos docentes. No mesmo dia, em audiência pública na Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados, o ministro Paulo Bernardo reafirmou reajuste zero e restrição do direito de greve.

30 de junho – Reunião do Setor das IFES.

1º de julho - Plenária Nacional dos SPF

3 de julho - ANDES-SN solicita novamente audiência com ministro da Educação.

25 de julho - Previsão de nova reunião do setor das IFES do ANDES-SN para deliberar sobre indicativo de greve dos docentes das universidades federais


QUADRO DAS GREVES DO ANDES-SN

Ano

Período

Atores envolvidos

Principais reivindicações

Resultado

1

9

8

0

26 dias (16/11
a
11/12)

Professores de 19 Universidades Autárquicas e 7 Escolas Isoladas

Reajuste de 48% retroativo à março; envio ao Congresso do anteprojeto de Carreira do Magistério; revogação da lei que determinava a nomeação de reitores pelo Presidente da República; revogação imediata do D.L. Nº 6.733/79; 12% do orçamento da União para a educação.

Aprovação de decreto estabelecendo novo plano de carreira do magistério superior das IFES Autárquicas e reenquadramento dos docentes; reajuste de 35% para janeiro de 81 e 35% cumulativos em abril, resultando em 82,25% de aumento para os servidores.

1

9

8

1

20 dias (11/11 a 01/12)

Professores de 19 Universidades Autárquicas e 5 Escolas Isoladas

Reposição de 45% retroativo à março; reajuste semestral igual ao INPC, em setembro de 1981; enquadramento dos professores colaboradores admitidos após 31/12/79; eliminação de distorções na Carreira do Magistério; 12% do orçamento da União para a educação. Absorção dos colaboradores; reposição de 30% a partir de 01/01/82; recuo do governo federal em transformar as Universidades Autárquicas em Fundações.

1

9

8

2

32 dias (18/11 a 20/12)

Professores de 19 Universidades Autárquicas e 3 Escolas Isoladas. Adesão dos técnicos-administrativos em 29/11. Pela primeira vez, a ANDES e a FASUBRA apóiam o movimento das categorias.

Reposição de 23,8%; aposentadoria integral; direitos iguais para estatutários e celetistas; correção de distorções no enquadramento de docentes na Carreira do Magistério; reestruturação da Universidade com base na proposta da ANDES. Recuo do governo na implantação do ensino pago nas IFES e na transformação das Universidades Autárquicas em Fundações; derrota nas reivindicações salariais.

1

9

8

4

84 dias (15/05 a 07/08)

Professores de 19 Universidades Autárquicas e 8 Escolas Isoladas. Adesão dos técnicos-administrativos.

Reposição de 64,8% retroativo à janeiro; reajuste semestral em julho de 1984, com base no INPC e garantido por lei; 13º para estatutários e qüinqüênios para celetistas; piso de 3 mínimos para servidores; verbas para financiamento das IES. Suspensão da greve com o corte dos salários em 01/08; formação de uma "Comissão de Alto Nível" no Congresso para reabrir negociações revertendo as punições; não houve conquistas salariais mas a consolidação da ANDES naquela que fora, até então, a greve mais longa e de maior confronto entre docentes e governo.

1

9

8

5

45 dias (10/08 a 23/09)

Professores de 16 Universidades Fundações

Implantação de reajuste trimestral; reajuste salarial igual ao INPC do semestre; reposição de 38,5%; aposentadoria integral; adicional de DE acima de 50%; 5% de produtividade; adicional de 5% a cada qüinqüênio; verbas de OCC para as IES Fundacionais (954 bilhões de cruzeiros). Reajuste de 75,06% a partir de setembro; liberação de 60 bilhões de cruzeiros para as IFES; promessa de criação de um Plano de Cargos e Salários que garantisse isonomia entre Fundações e Autarquias, descumprido pelo MEC devido à diferença de regimes jurídicos.

1

9

8

7

44 dias (25/03 a 07/05)

Professores de 45 IFES, incluindo autarquias e fundações.

Defesa do ensino público e gratuito; carreira única para docentes das IFES; isonomia salarial plena aos docentes de autarquias e fundações; aposentadoria integral; revogação de decreto proibindo a contratação de pessoal; verbas de OCC (14,5 bilhões de cruzados) para retornar aos índices de 1973 e mais 5,8 bilhões para retornar o pleno funcionamento das IFES. O Congresso aprova lei criando o Plano Único de Classificação e Redistribuição de Cargos e Empregos, regulamentada por decreto presidencial em 23/07/87, com nova tabela salarial com efeito retroativo a abril.

1

9

8

9

66 dias (08/05 a 13/07)

Professores de 42 IFES; estudantes; técnicos-administrativos (em 02/05)

Reajuste mensal dos salários; verbas de OCC/OG em 27,8% assegurados por recursos do Tesouro; revogação de decreto proibindo contratações e imediata abertura de concurso; reposição de 34,9%; anuênio de 1% em substituição ao qüinqüênio; incorporação da gratificação de nível superior aos salários, estendendo-a às IES Fundacionais; aposentado-ria integral. Liberação de 60 milhões de cruzados novos; alteração no plano de carreira dos docentes, aumentando de 40 para 50% o incentivo de DE sobre o salário base; para os docentes de 1 º e 2 º graus das IFES o percentual passa de 25 para 30%; a progressão horizontal, de um nível para outro passa de 4 para 5%; o governo autoriza contração de 760 docentes e 1340 técnico-administrativos para as IFES e reconhece o direito à aposentadoria integral.

1

9

9

1

107 dias (05/06 a 20/09)

Professores de 45 IFES e técnicos-administrativos

Reposição de 144,38%; incorporação de perdas salariais nos planos "Bresser", "Verão" e "Collor" (640,39%); repasse para as IFES do saldo das verbas previstas no orçamento/90 e dos recursos estabelecidos no orçamento/91, em valores reais; abertura de concurso e expansão do quadro de pessoal com imediata contratação; escolha direta e democrática de dirigentes das IFES; repasse para a ANDES-SN das contribuições dos docentes, conforme a Constituição. Rejeição da medida provisória que excluía docentes e técnicos dos reajustes do governo; reajuste geral de 20%; correção da tabela dos vencimentos dos docentes; aumento do valor das gratificações por títulos; implantação da gratificação para especialização; aumento da gratificação de DE de 50 para 55%.

1

9

9

3

31 dias (13/05 a 14/06)

Primeira greve unificada dos SPF’s, com apoio dos estudantes.

Pauta unificada: definição de uma política salarial com reajustes mensais mediante a inflação; unificação dos percentuais das gratificações pelo maior valor e incorporação aos salários; pagamento de perdas salariais; extensão das gratificações por titulação a todos os SPF’s; anistia para todos os servidores punidos em greves; liberação do FGTS. Anistia aos servidores punidos em greves anteriores; reajuste salarial escalonado de 85%; aprovação de uma política salarial vinculada à receita líquida até junho/94, quando outra seria definida; elevação da GAE escalonada; os SPF’s abandonam a greve em 03/06, enquanto os docentes tentam manter o movimento por discordarem das medidas do governo, mas não conseguem por mais de 11 dias.

1

9

9

4

50 dias (19/04 a 08/06)

Professores de 38 IFES, técnicos-administrativos e demais SPF’s.

Pauta específica das IFES: reposição de perdas salariais em planos econômicos; definição do Plano Nacional de Capacitação Docente e do Projeto de Plano de Carreira para o magistério superior das IFES públicas e privadas. Nenhum ganho econômico; STF decide que SPF’s têm direito à greve, desde que regulamentada pelo Congresso; o governo ameaça com corte de pontos e inquéritos administrativos que poderiam levar a demissões.

1

9

9

6

68 dias
(16/04 a 24/06/96)

IFES

Política salarial; índice de reajuste (59,96%); pagamento dos precatórios; incorporação da GAE no seu valor mais alto; carreira única; regime jurídico único; isonomia entre as IFES; indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão garantia de financiamento públio para as IFES; Pelo resgate do PLC 101/93; estabilidade; concurso público, repondo-se integralmente as vagas existentes. Imediata contratação dos candidatos selecionados. Expansão de vagas de acordo com as necessidades sdas IFES; equivalência de reajuste salarial entre os trabalhadores da ativa e aposentados.
Nenhum ganho econômico.

1

9

9

8

104 dias (31/03 a 13/07)

Professores de 51 IFES, técnicos-administrativos, com apoio de estudantes.

Reajuste de 48,65%; recomposição do quadro de docentes das IFES; ampliação de vagas e abertura de concursos para docentes; retirada do PIB. Mesmo após greve de fome de 14 docentes, não houve nenhuma conquista referente aos itens da pauta; o governo não abriu mão de seu projeto excludente e privatizante; substituiu o PID pela GED, que tem em comum as mesmas características; nada foi concedido aos professores de 1 º e 2 º graus e aposentados;

2

0

0

0

87 dias (24/05 a 18/08)
a UFMAT entrou em 31/05 e saiu em 18/07

Professores de 31 IFES e servidores, com apoio de alunos e servidores públicos

Pauta unificada dos servidores: reposição de 64% e investimento para serviço público federal Barrar o projeto de autonomia do MEC e barrar o envio ao Congresso Nacional do projeto de emprego público do Governo Federal

2

0

0

1

108 dias (22/08 a 07/12)

Professores de 51 IFES, técnicos-administrativos e estudantes

Reajuste de 75,58%, manutenção do Regime Jurídico Único, abertura de oito mil vagas, incorporação das gratificações Abertura de duas mil vagas, equiparação da GID à GED, manutenção do RJU, reajuste salarial variando entre 8 e 15%.

2

0

0

3

59 dias
(8 de julho a 4 de setembro)

IFES e algumas IEES

Defesa da Previdência Pública: não à reforma da Previdência proposta pelo governo federal (PEC 40), que visa retirar os direitos garantidos na Constituição Federal de 1998

Avanços na unidade e participação dos servidores públicos federais das três esferas de governo. O movimento também contou com o apoio dos trabalhadores do setor privado

2

0

0

4

25 dias (18 de agosto a 11 de setembro)
IFES e algumas IEES
Extinção da GED, incorporação das gratificações, paridade entre ativos e aposentados e isonomia entre docentes do 1º, 2º e 3º graus Avanços na unidade com os estudantes, técnico-administrativos e
movimentos sociais. Mobilização da categoria. Desenvolvimento de uma campanha pelo fim da GED, pela paridade entre ativos e aposentados e pela isonomia nas IFES

2

0

0

5

112 dias
(30 de agosto
a 19 de dezembro)
IFES

Rreajuste de 18% como parte de recomposição salarial;
2. incorporação da GED e da GEAD, com equiparação pelos seus valores mais altos e da GAE, com paridade e isonomia; retomada dos anuênios; implementação imediata da classe especial e da classe de professor associado; abertura imediata da discussão em torno da carreira única para os docentes das IFE, envolvendo o MEC, o ANDES-SN e o SINASEFE, com definição de calendário de trabalho com prazo para conclusão que anteceda o 25º Congresso do ANDES-SN; realização de concursos públicos para reposição de todas as vagas nas IFES.

O governo enviou um PL ao Congresso Nacional (PL 6368)

 

 

AGENDA

25/7/2007
17h - Reunião do Setor das IFES do ANDES-SN
Local: Auditório Central da Universidade Federal do Maranhão - UFMA
São Luís-MA

26 a 29/7/2007
52º CONAD do ANDES-SN - Tema central: EM DEFESA DA EDUCAÇÃO PÚBLICA, CONSTRUIR A UNIDADE, RESISTIR E AVANÇAR A LUTA.
Local: São Luís - MA


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Jornalista: Ricardo Borges
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