Informativo eletrônico da ADUnB

Brasília

27 de março de 2009

Nº 65

Professores unem-se para defender direito ao trabalho

ADUnB lidera manifestação para garantir ao professor

Timothy Mulholland o direito de dar aula


Ato ocorreu em frente ao Instituto de Psicologia

Por Ana Carolina de Mello

Numa demonstração de repúdio à matéria agressiva do Correio Braziliense, um grupo de 25 docentes da UnB realizou, na semana passada, uma manifestação em defesa da cátedra e do trabalho na entrada do Instituto de Psicologia. O ato, liderado pela diretoria da ADUnB, foi, dentre outros motivos, uma reação à matéria intitulada “Reencontro com alunos adiado”, publicada pelo Correio Braziliense no dia 18 de março, em que retoma a cobertura tendenciosa e provocativa com a que ocorreu no ano passado contra o ex-reitor da UnB, Timothy Mulholland, e contra vários docentes.

A manifestação, que ocorreu no dia 18/3, às 14h, data e hora previstas para a primeira aula deste ano do professor Mulholland, foi também uma reação dos professores à ameaça dos alunos que, de acordo com o Correio Braziliense, teriam programado um protesto, a ser liderado pelo DCE, contra a presença do ex-reitor na universidade. Indignados com o estilo de cobertura que o jornal vem dando ao caso, vários professores presentes no ato definiram a atuação do periódico como perigosa.

Para eles, a cobertura jornalística do Correio, além de tendenciosa, reflete uma série de provocações, julgamentos e condenações que não passaram pelo crivo da Justiça brasileira e cujo único objetivo é promover o linchamento moral não só de alguns professores, mas, principalmente, da própria UnB. Prova disso é que, dentre várias acusações relacionadas ao professor Timothy Mulholland, o Correio Braziliense afirmou que ele não havia comparecido à aula inicial, no dia 17 de março, ou teria preferido fazer sua “reestréia de forma muito discreta”.

Na matéria, o jornal informou que alunos da universidade teriam afirmado que a instituição teria montado uma espécie de esquema para “blindar” Mulholland. Por outra parte, afirmou que a coordenação do Instituto de Psicologia teria informado que a disciplina ministrada por ele, Pesquisa em processos cognitivos 1, não é presencial, e que o professor teria liberdade para se encontrar com alunos onde e quando achasse conveniente.

Um dos participantes da manifestação, o professor do Instituto de Ciências Sociais (ICS), Henrique de Castro, destacou a defesa da liberdade de cátedra como um dos fatores importantes para a garantia da democracia no País. “Qualquer professor universitário, independentemente de sua posição, convicção ou situação tem o direito constitucional, político e humano a trabalhar. Qualquer manifestação contrária é claramente fascista, do ponto de vista técnico”, declarou.

O professor do Instituto de Psicologia, Hartmut Gunther, por sua vez, afirmou que em 1975, quando chegou ao Brasil, o País se encontrava em plena ditadura militar e que viu de perto a luta pela libertação da Academia. Para ele, os acontecimentos sucedidos na UnB hoje o fazem se lembrar daquele momento específico vivido na segunda metade da década de 1970: “Na época da ditadura, lutou-se para libertar a Academia novamente, e é curioso que o que está acontecendo neste momento me lembre fatalmente daquele período. Isso é muito triste”, desabafa.

Os manifestantes protestaram também contra a política do denuncismo, da calúnia e de linchamentos morais, que tanto professores quanto a UnB têm sido vítimas nos últimos meses. No entendimento dos docentes, a instituição é sacrificada em virtude dos ataques advindos da imprensa. Para eles, os professores e a própria universidade são achincalhados pelos meios de comunicação que não lhes dão o direito à defesa: condena, simplesmente, sem sequer esperar o julgamento da própria Justiça que, aliás, até hoje não acusou o professor Mulholland de ter cometido qualquer crime.

Na manifestação, vários docentes avaliaram o momento como perigoso e o classificou como uma espécie de caça às bruxas semelhante ao que ocorria durante a ditadura militar, época em que não se permitia à sociedade civil compreender as acusações e as distorções evidenciadas por notícias precipitadas.

A posição dos alunos – Durante a manifestação, a aluna e coordenadora do DCE, Catharina Lincoln, declarou à imprensa que ela e os demais alunos tiveram motivos para ocupar a reitoria no ano passado, quando estavam em curso as investigações contra o ex-reitor. Acrescentou ainda que por muito menos outros indivíduos foram perseguidos politicamente. E questionou o fato de uma pessoa que tenha desviado dinheiro da pesquisa possa lecionar uma disciplina ligada à pesquisa. “Isso é um absurdo”, completou.

Para a aluna, a UnB deveria entrar com processo administrativo contra o professor Mulholland e classifica como absurdo o fato de ele estar dentro de uma sala de aula. Explicou que não questiona sua capacidade acadêmica, apesar de ele estar afastado do magistério há 18 anos, e, sim, sua atuação política dentro da universidade. “O DCE está questionando o papel político e corrupto que ele cumpriu nos últimos tempos. O papel corrupto da administração que ele formou”, afirma.

A posição da ADUnB – A diretoria da ADUnB, contudo, entende que a comunidade universitária deveria acatar o princípio da presunção da inocência, uma vez que as denúncias contra o ex-reitor ainda não foram julgadas. “O fundamental é que prevaleça o direito ao trabalho e à livre circulação de idéias, o que em última instância, caracteriza a atividade acadêmica numa sociedade democrática”, afirma o presidente professor Flávio Botelho.


 

ADUnB tem novo atendimento jurídico

Uma reformulação estrutural na Alino & Roberto e Advogados, escritório que há 18 anos assessora juridicamente a ADUnB, modificou também o atendimento dos plantões, o advogado e o formato dos relatórios jurídicos da entidade sindical. A partir deste ano, os plantões ocorrerão todas as segundas-feiras, das 10h às 12h, e nas quintas-feiras, das 16h às 18h, sob a orientação do advogado Peter Alexander.

Com a mudança, os plantões foram unificados e, por isso, nas terças-feiras não mais haverá atendimento específico para questões relacionadas ao direito do consumidor. O docente que tiver esse tipo de demanda poderá, desde já, procurar o advogado Peter nos plantões das segundas e das quintas-feiras.

Os relatórios, por sua vez, passaram a ser mais transparentes. Além de mensais, eles deixam de abordar as questões judiciais dos docentes UnB por tema e passam a destacar as ações de maior relevância, com a discriminação do número e informações sobre o andamento dos processos. (Atendimentos Jurídicos e Relatório Jurídico)

As modificações no atendimento jurídico da ADUnB ocorreram em virtude de uma adequação interna do escritório cujo objetivo é otimizar os serviços prestados aos clientes e melhor atender às demandas de primeira e de segunda instâncias.

“Concentramos na unidade de Brasília a parte contenciosa, ou seja, a primeira e a segunda instâncias e a assessoria sindical. Um grupo de advogados vai prestar assessoria e fazer os processos. O intuito é concentrar numa só unidade todo o atendimento sindical, quer seja consultoria, quer seja assessoria para as entidades, quer seja o ajuizamento de demandas”, explicou o advogado Cláudio Santos durante uma reunião específica com a diretoria da ADUnB, ocorrida no mês passado, para informar sobre as reformulações.

A reestruturação, que foi comunicada durante uma reunião da assessoria jurídica com a diretoria da ADUnB na Casa do Professor (foto), proporciona a promoção dos advogados Shigueru Sumida e Cláudio Santos que assumem novas atividades e encargos no escritório. A partir de agora, Sumida deixa de executar tarefas de atendimento sindical e passa a atuar em processos especiais de maior relevância do ponto de vista jurídico.

O advogado Cláudio Santos, por outra parte, saiu da Coordenação Consultiva e assumiu, juntamente com outros advogados, a Consultoria Especial a fim de atuar em causas que necessitam de tratamento específico.“Agora, os plantões serão feitos pelo advogado Peter que já fazia os plantões do consumidor. Agora ele vai acumular os plantões de consumidor e da área de direito administrativo”, informa Santos.

A advogada e coordenadora da unidade de Brasília da Alino & Roberto e Advogados, Érika,  e o advogado e subcoordenador da unidade, Rodrigo Torelli, passam a atuar nas tarefas antes executadas pelos advogados Sumida e Santos. A outra unidade do escritório está situada em Salvador, Bahia.

Confira a seguir entrevista exclusiva com o novo advogado da Alino & Roberto e Advogados que atenderá os docentes da UnB na ADUnB.


Entrevista

O escritório de advocacia Alino & Roberto e Advogados, que presta assessoria jurídica à ADUnB, inicia o ano com uma reestruturação que resultou em modificações no atendimento à seção sindical. Confira a seguir entrevista com o novo advogado, Peter Alexander (foto), que, de agora em diante, vai atuar nos plantões da entidade.

Boletim da ADUnB (BA) –  Gostaríamos que você se apresentasse à categoria e explicasse como é sua relação com o escritório e como é que você veio parar no contexto sindical.

Peter – Sou Peter Alexander, representante do Alino & Roberto e Advogados na ADUnB. Assumi recentemente o plantão de atendimento aos associados da entidade das segundas e quintas-feiras. Formei-me no UNICEUB e atuo no escritório há pelo menos dois anos ininterruptamente. Desde que me formei em Direito, em 2001, exerci a advocacia, mas foi o escritório Alino & Roberto que abriu para mim, desde o começo, a oportunidade de trabalhar ao lado de sindicatos e associações de classe. Isso chamou muito a minha atenção e despertou meu gosto pela ação, principalmente, ao lado dos hipossuficientes, das pessoas que precisam da representação de um grande escritório em razão das suas necessidades e, principalmente, das lutas que se desenvolvem para afirmação dos direitos individuais e dos direitos coletivos, como se faz aqui na ADUnB.

BA – A nossa diretoria vê a luta política como questão essencial do sindicato. E nessa luta política, que é a defesa dos trabalhadores em todos os campos, um dos enfrentamentos mais importantes é a luta econômica, que se desdobra em vários campos, um deles é o jurídico. Nesse sentido, não abrimos mão da luta política e da relação com a luta política e temos muito claro que no momento atual da sociedade brasileira o espaço das lutas sindicais começa a crescer. Com base nesse entendimento, gostaríamos de saber por que vocês estão fazendo essa modificação aqui, com relação à ADUnB, e o que vocês pretendem atingir com isso?

Peter – Houve uma reestruturação recente no escritório em razão dos perfis dos advogados que o compõem e, principalmente, visando ao melhor atendimento da ADUnB e de outros clientes nossos, reestruturamos as grandes áreas do escritório. O objetivo é melhorar o atendimento aos associados e à própria ADUnB e aos demais sindicatos que fazem parte de nossa carteira de clientes. Vai ser um atendimento mais personalizado e vamos ter uma estrutura voltada para estudos mais aprofundados sobre as carreiras, que é exatamente a área que o dr. Cláudio Santos abriu, agora, em conjunto com mais três advogados.

BA – Você entrou para substituir o advogado Shigueru Sumida, mas ele continua no escritório?

Peter – Isso. Shigueru foi promovido para uma área que se chama Processos Especiais e vai continuar atuando em alguns processos específicos da ADUnB. Nos processos que têm mais representatividade para a categoria. Os plantões, na verdade, quem fará a partir de agora sou eu, em continuidade ao trabalho desenvolvido pelo Shigueru. Naturalmente, em razão da experiência dele, sempre vou tê-lo como referência ou como histórico aqui dentro da ADUnB.

BA – De agora em diante a nossa linha de frente aqui dentro da ADUnB será o advogado Peter?

Peter – Sim. Em todos os plantões.

BA – Quais as ações mais importantes para a ADUnB?

Peter – Ações como a da URP; a dos 3,17%; a do Élbio, na qual ainda persistem alguns pagamentos a serem realizados, programados, inicialmente, para 2010. Enfim, Shigueru vai atuar em processos desse tipo, que têm representatividade econômica, ou mesmo pela matéria, e representam muito para a ADUnB e para seus associados. Ou seja, vai haver uma continuidade do trabalho do Shigueru em conjunto com o dr. Alexandre Lindoso que já atuava em processos especiais.

BA – Isso é também resultado do aumento da demanda na ADUnB?

Peter – Sim. Houve um aumento da demanda jurídica da ADUnB e também por isso queremos melhorar a qualidade do atendimento aos docentes.

BA – Quais as principais ações que vão afetar os professores nos próximos meses?

Peter – Temos um estudo em andamento sobre a questão daqueles professores que, aposentados, recebem a rubrica do artigo 192 do RJU. Notamos que com a extinção da GAE, que ocorreu recentemente, houve uma diminuição dos valores que eram pagos nesse título. Estamos fazendo um estudo, mais aprofundado, para verificar se a situação dessa diminuição é geral e, a partir daí, vamos atender especificamente cada professor para identificar, caso a caso, qual foi o prejuízo e, eventualmente, até ações judiciais para compor o patrimônio que é recebido por meio dos vencimentos.

BA – É possível que os professores que estão enquadrados no 192 do RJU tenham esperança de conseguir ainda alguns ganhos na Justiça?

Peter – Sim. Estamos realizando esse estudo para elaborar uma tese genérica para partirmos para a particularidade, ou seja, para o caso individual de cada professor.

BA – E tem alguma outra ação que você acha importante divulgar?

Peter – Temos recentemente a informação, noticiada na imprensa nacional, de que vai se iniciar o desconto do imposto sindical dos servidores públicos. Já iniciamos um estudo no sentido de fazer uma ação judicial para impedir esse desconto. A diretoria da ADUnB concordou conosco sobre a necessidade dessa ação e proximamente vamos entrar com uma ação já com o pedido de liminar para impedir o desconto.

BA – Você poderia explicar sobre a ação, relativa ao abono permanência, que pode afetar professores que se aposentaram?

Peter – Essa é uma terceira ação bastante relevante para os professores aposentados. Aqueles professores que já têm tempo de aposentadoria mas continuam trabalhando recebem uma verba que juridicamente é chamada de abono permanência, mas, até para poder identificar, estamos fazendo uma pequena brincadeira chamando de verba “pé na cova”. Temos um estudo em andamento sobre isso para futuramente entrarmos com uma ação para que não incida imposto de renda sobre esse abono permanência. É uma das ações que estamos gestando para que proximamente a gente possa entrar, quem sabe, em substituição processual, ou seja, em nome da ADUnB, ou, ainda, quem sabe, em nome de cada um dos professores que se sente atingido por essa questão.

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