ANDES-SN
RELATÓRIO
DA REUNIÃO DA MESA DE NEGOCIAÇÃO
NA SECRETARIA DE RECURSOS HUMANOS - SRH/MP
REFERENTE AOS DOCENTES DA CARREIRA DO 1º E DO 2º
GRAU,
REALIZADA NO DIA 17 DE DEZEMBRO DE 2007
Presentes
Governo: Idel Profeta Ribeiro e Beth Muniz da SRH/MP,
Getúlio Marques Ferreira e Gleison Rubin da SETEC/MEC.
ANDES-SN: Paulo Rizzo, Almir Menezes Filho, Agostinho Beghelli
Filho, Emerson Araújo (ADUFEPE) e Sandra Moreira
(ADUFPA)
SINASEFE: Carlos Martins, Edmar da Rocha Marques e Tânia
Guerra.
PROIFES: Gil Figueiredo, Eliane Leão, Marco Aurélio
Visintin e José Eduardo Borges Moreira.
Marcada para iniciar às 15h, a reunião teve
início às 16h. Idel a abriu dizendo que algumas
das questões apresentadas pelos participantes da
Mesa na reunião anterior seriam respondidas e que
outras demandavam um tempo maior de estudo por parte do
governo. Lembrou que o resultado da votação
da CPMF imobilizou as ações do governo nas
negociações salariais com os servidores públicos
levando-o a redimensionar o tempo para finalização
de propostas. Assim sendo, a apresentação
de uma proposta mais concreta pode sofrer um processo de
desaceleração. A redução de
44 bilhões no orçamento está obrigando
o governo a estudar outras formas de arrecadação
e/ou cortes nos investimentos e que, nesta semana, ainda
há indefinição em relação
às medidas que serão adotadas. Em seguida,
passou a tratar das questões apresentadas na reunião
anterior, afirmando que:
1. A proposta de reformulação da carreira
é direcionada aos docentes da base do MEC, excluindo
os docentes dos ex-territórios e dos Colégios
Militares.
2. A GAE e a VPI vão ser incorporadas ao Vencimento
Básico.
3. A composição remuneratória vai ser
similar à do 3º grau: Um VB “robusto”,
titulação e uma gratificação
de desempenho, como adotado para o conjunto do funcionalismo
público.
4. Quanto à GED e à GEAD, que são gratificações
de naturezas jurídicas diferentes, a proposta é
de estabelecer semelhança entre elas, criando algum
tipo de avaliação também para o 1º
e o 2º grau.
5. Em relação aos degraus entre classes e
entre níveis será tomada como referência
o que foi construído para o 3º grau.
6. Não definiram ainda critérios para acesso
à classe especial e à nova classe a ser criada.
7. Quando à aposentadoria especial o governo ainda
não tem posição fechada.
8. A titulação será tratada como no
3º grau, isto é, como um adicional à
parte do VB.
Informou
ainda que o governo, pelos motivos já referidos,
não apresentará, na reunião em curso,
uma tabela de remuneração e que a portaria
que institui o grupo de trabalho será publicada no
dia 20 de dezembro.
A partir desse momento as entidades solicitaram vários
esclarecimentos. Os questionamentos foram respondidos um
a um e os principais foram os seguintes:
- Se vai haver uma nova classe, como ela será estruturada?
Resposta: Haverá um paralelismo com a estrutura da
carreira do magistério do ensino superior. Serão
extintas as classes A e B e haverá quatro classes
com quatro níveis e uma com nível único.
- Se uma parte dos docentes do magistério federal
(dos colégios militares e dos ex-territórios)
não será contemplada, como pretende o governo
fazer considerando que todos pertencem ao PUCRCE?
R.: Estão sendo avaliados os aspectos jurídicos.
Uma possibilidade é uma nova carreira desvinculada
do PUCRCE e outra é manter todos no PUCRCE, mas com
tratamentos diferenciados.
- Como será o acesso às classes superiores,
por progressão ou por titulação?
R.: Não está definido.
- Se a estrutura da carreira vai ser igual para o 1º,
o 2º e o 3º grau, os salários também
o serão?
R.: A pretensão do governo é de criar uma
carreira similar à carreira do magistério
superior, mas que a questão dos valores ainda não
foi estudada.
- O governo pretende criar uma nova carreira ou reformular
a já existente?
R.: O governo não fechou questão sobre isso.
- Como ficará a aposentadoria especial?
R.: Há entendimento de que, a partir da emenda 47,
os problemas relativos à aposentadoria não
mais existirão.
Após os esclarecimentos, foi concedida a palavra
para que as entidades apresentassem propostas. Paulo Rizzo
iniciou a rodada dizendo que o trabalho que ali será
feito não deve objetivar a criação
de uma nova carreira, mas sim a reestruturação
da atual, concentrada em seus aspectos remuneratórios,
sob pena de não haver tempo para a conclusão
dos trabalhos, principalmente porque ele vai se desenvolver
ao longo do recesso escolar, o que dificulta a participação
da base. Lembrou que é importante que fazer um esforço
para aproximar as atuais carreiras (a de 1º e 2º
grau e a do 3º grau), mas, para que existam verdadeiros
avanços, os problemas que foram apontados na proposta
para o magistério superior não podem se repetir
para o 1º e o 2º grau e precisam ser sanados.
Para
o ANDES-SN, avanços seriam possíveis a partir
de:
a) equiparação entre GED e GEAD em seus valores
segundo o conceito contido atualmente na GEAD e não
no da GED, como anunciado pelos representantes do governo;
b) manutenção dos incentivos de titulação
em percentuais do VB e como parte do vencimento básico;
c) estes incentivos devem ser iguais para os três
graus;
d) valorização efetiva do VB, pois, para o
magistério do ensino superior, a proposta do governo
fará com que, em 2010, a participação
das gratificações nas classes de maior rendimento
(Associado e Titular, em DE) terá a mesma proporção
que têm hoje na remuneração: em torno
de 75%. Tânia e Agostinho argumentaram também
contrariamente à idéia de criação
de uma nova carreira, pois isso envolveria um debate conceitual
profundo com ampla participação da base.
Almir e os outros representantes do ANDES-SN insistiram
que não se deve retomar o debate sobre gratificação
de produtividade para a área de educação,
uma vez que isso já fora exaustivamente debatido
na mesa e rejeitado. Também foi cobrada dos representantes
do governo uma resposta aos questionamentos feitos pelo
ANDES-SN do dia 5 de dezembro sobre as distorções
contidas na proposta do governo para o 3º grau, sendo
destacada a forma discriminatória com que são
tratados 5.524 professores que terão reajustes que
nem sequer corresponderão à inflação.
Idel reconheceu que a proposta para os professores do ensino
superior mantém algumas incongruências, mas
que o governo não conseguirá resolvê-las
até 2010. Afirmou que, em relação ao
argumento de que docentes terão reajustes abaixo
da inflação, o governo vai avaliar, mas que
a resposta não será dada nas reuniões
com pauta exclusiva para tratar da carreira de 1º e
de 2º grau. Foi então questionado como, quando
e onde estes pontos serão esclarecidos. Idel disse
que o problema será levado para o interior do governo.
Em seguida, passou-se à definição da
agenda. Os representantes do governo comprometeram-se a
enviar às entidades, até o dia 9 de janeiro,
proposta de tabelas remuneratórias e respostas às
questões levantadas nas duas reuniões sobre
carreira de 1º e de 2º grau. Uma nova reunião
foi marcada para o dia 18 de janeiro, sexta feira, 15 horas
e outra, para o dia 22 de janeiro, terça-feira.
Brasília, 18 de dezembro de 2007