Diante
do encerramento das negociações salariais para os
docentes do ensino superior das IFES, o ANDES-SN reafirma sua
disposição de luta em defesa da valorização
do trabalho docente
Nota
da diretoria do ANDES-SN
No
dia 5 de dezembro, a despeito da insistência do ANDES-SN
em dar prosseguimento às negociações com
o governo sobre a campanha salarial dos docentes das IFES, este
impôs o término das negociações relativas
aos docentes da carreira do magistério do ensino superior
e a continuidade apenas para a carreira do 1º e do 2º
grau, que deverá prosseguir até aproximadamente
20 de janeiro do próximo ano.
Os representantes do governo apresentaram sua última proposta
em 20 de novembro para apreciação pelas entidades.
A diretoria do ANDES-SN a encaminhou para as seções
sindicais solicitando divulgação aos docentes, análise
e posicionamentos em uma rodada de assembléias e convocou
uma reunião do seu setor das IFES para o dia 2 de dezembro
com o objetivo de colher os resultados das assembléias
e definir a posição a ser encaminhada à Mesa
de negociação no dia 5 de dezembro.
Compareceram vinte e três seções sindicais
que determinaram, com apenas uma abstenção, à
Diretoria do ANDES-SN “defender que a proposta marca de
fato o início da negociação e que o seu encerramento
neste momento é inaceitável e que um avanço
poderá ocorrer se o governo mantiver as regras atuais na
composição salarial para os docentes das duas carreiras
destacando: o incentivo de titulação percentual
vinculado ao VB, estabelecimento de valores fixos para a GED,
equiparação da GED e da GEAD e calendário
de incorporação da GED nos próximos anos”
(Relatório da reunião do Setor das IFES realizada
no dia 2 de dezembro de 2007, em Brasília-DF em www.andes.org.br).
Tal posicionamento foi expresso em documento apresentado na reunião
da Mesa (ver anexo dois da circular 366/07 na mesma página
eletrônica).
Os representantes do governo utilizaram como argumento para o
encerramento das negociações a crise da CPMF, alegando
que se sua renovação não for aprovada pelo
Congresso, os prejuízos serão grandes não
apenas para o governo, mas para as pessoas que usufruem dos serviços
públicos e para os servidores. Informaram, ainda, que,
em função disso, haviam suspendido todas as negociações
com entidades de servidores que estavam no começo e que
apenas concluiriam aquelas que já estavam em estágio
avançado. A continuidade das negociações
em relação à remuneração dos
docentes da carreira de 1º e 2º grau até 20 de
janeiro contradiz tal argumentação, mostrando que
seria possível ter continuidade para se obter mais avanços.
O ANDES-SN, pelas razões apontadas acima, e o SINASEFE,
em função da proposta não contemplar o 1º
e o 2º grau, não concordaram em assinar termo de acordo
conclusivo do processo de negociação.
Um termo firmado entre governo e governo
Ao
impor o final da negociação, o governo fechou as
portas para se chegar a ter um acordo com o ANDES-SN. Para dar
o processo por concluído, o governo firmou Termo de Acordo
com o PROIFES e a CUT. O PROIFES já vinha, desde 20 de
novembro, atuando como força auxiliar do governo para que
o processo se encerrasse e buscava, portanto, a assinatura do
termo final. Curiosa é a assinatura da CUT, a qual o Sindicato
não é filiado e que não tem qualquer representatividade
no Movimento Docente. Ela assinou o Termo de Acordo sem que houvesse
qualquer delegação dos professores para isso. Essa
central sindical é uma das peças basilares do atual
governo e sua participação praticamente se restringiu
a chancelar o que o governo pretendia.
Salta aos olhos a cláusula nona do referido Termo de Acordo
que faz referência aos signatários como “representação
sindical”, pois o PROIFES não é organização
sindical e nem pode outorgar-se tal representatividade. O governo
deve uma explicação em relação à
cláusula oitava: “a instalação formal,
em março de 2008, com a participação das
entidades signatárias deste Termo de Compromisso, de Grupo
de Trabalho que inclua o MP e o MEC, para discutir a reestruturação
das Carreiras de Magistério Federal, com prazo para a implantação
do que aí for definido que seja, no máximo, o da
vigência do presente acordo”. Estaria ele propondo
a exclusão dos sindicatos que representam a categoria de
tal grupo de trabalho?
Termo de acordo não tem qualquer validade jurídica
e as proposições têm que ser encaminhadas
por meio de instrumentos legais. Tem sido comum o governo não
cumprir acordos firmados com entidades de servidores. A última
greve dos servidores técnico-administrativos das IFES foi
motivada pelo não-cumprimento, por parte do governo, de
acordo firmado com a FASUBRA. A particularidade do atual é
ele ter sua implantação em três anos, o que
poderá resultar em mais de um instrumento legal a serem
editados a cada ano, o que, efetivamente, não assegura
o seu cumprimento. A continuidade da luta se dá, num primeiro
momento, na busca de um melhor resultado nas negociações
em torno da carreira do 1º e do 2º grau, mas se desenvolverão
perseguindo um tratamento isonômico para toda a categoria.
Conquistas
e pendências
A
campanha salarial deste ano enfrentou uma determinação
geral do governo de promover negociações em separado
para implantar, em todo o serviço público, uma única
estrutura remuneratória composta de Vencimento Básico
e Gratificação de Produtividade. Uma vez definida
a tabela de vencimento básico para cada carreira a vigorar
a partir de 2008, seus valores ficam congelados até 2010,
enquanto a gratificação de produtividade terá
reajustes em 2009 e 2010. Sua proposta, por exemplo, para os servidores
dos ministérios da saúde, da previdência e
do trabalho, os servidores da ativa podem ter até 100%
da gratificação, enquanto que os aposentados terão
apenas 30%, o que está sendo rejeitado pelas entidades
sindicais.
A negociação relativa aos docentes logrou barrar
este tipo de proposta e obteve-se paridade na GED entre ativos
e aposentados, o que é um avanço significativo na
conjuntura de expansão das IFES. É importante ressaltar
que nenhum dos segmentos docentes e técnico-administrativos
da educação federal tem na sua remuneração
gratificação de produtividade e que, a partir de
março e 2008, haverá paridade para os docentes do
magistério do ensino superior.
O ANDES-SN, em sua pauta de reivindicações, pedia
a incorporação de todas as gratificações
enquanto o PROIFES propunha mantê-las, sob a argumentação
de que isso beneficiaria apenas uma parcela da categoria. Sua
proposta foi rejeitada e o próprio MEC propôs a incorporação
da GAE e da VPI, como reivindicava o ANDES-SN, o que é
outro passo importante do processo de negociação.
No entanto, a proposta do governo continuou insistindo em congelar
os novos vencimentos em 2009 e 2010, promovendo apenas reajustes
na GED. Separou o incentivo de titulação do vencimento
básico e retirou-lhe a relação percentual
conquistada pela categoria com suas lutas. E isso, é uma
grande perda. Devemos lutar para que isso não ocorra com
a carreira do 1º e do 2º grau e para reconquistar essa
relação para o conjunto dos docentes. Também
precisaremos lutar muito para efetivamente garantir a valorização
do vencimento básico, contendo o reajustamento da GED e
insistindo por reajuste no vencimento, sem o que as conquistas
mencionadas serão anuladas e as discriminações
contidas na proposta do governo serão aprofundadas.
As seções sindicais devem avaliar o atual processo
e seus resultados até o momento, levar suas contribuições
para a reunião do setor das IFES que será realizada
no dia 15 de dezembro. Essa reunião será de grande
importância para a preparação do 27º
CONGRESSO do Sindicato, que definirá o plano de lutas para
2008.
Brasília, 7 de dezembro de 2007