Informativo eletrônico da ADUnB
Brasília
22 de outubro de 2007
Nº 57

 

Leia nesta edição:

 


 

 

RELATÓRIO DA REUNIÃO DA MESA DE NEGOCIAÇÃO
COM A SECRETARIA DE RECURSOS HUMANOS - SRH/MP E MEC,
REALIZADA NO DIA 18 DE OUTUBRO DE 2007

Presentes
Governo: SRH/MP - Marilene Ferrari, Elizabeth Muniz, Idel Profeta Ribeiro, Nelson Freitas, Sandra Gustavo, Sergio Carvalho e Maria da Penha. MEC: Maria do Socorro Gomes (Nina), Marcos Brito e Nora Gomes.
Parlamentares: Márcia, assessora da Deputada Fátima Bezerra.
ANDES-SN: Paulo Rizzo, Almir Menezes Filho e Agostinho .Beghelli.
SINASEFE: Nildo Gonçalves da Silva, Carlos Roberto Coelho Martins e Josemar Clemente de Almeida.
PROIFES: Gil Vicente, Eduardo Rolim de Oliveira e Joviniano Soares de Carvalho Neto (a convite).

A Secretária Adjunta de Recursos Humanos do Ministério de Planejamento, Marilene Ferraz, abriu a reunião pedindo desculpas pela ausência do Secretário Duvanier e pelo atraso (duas horas) do início dos trabalhos e, imediatamente, passou a apresentar os parâmetros que, para o governo, nortearão a construção de sua proposta. Ela indagou se havia concordância das entidades em relação aos parâmetros, críticas e sugestões que pudessem trazer, na reunião do dia 23, simulações com valores monetários.

Informou que se tratava de uma nova estrutura de composição da remuneração. Hoje, a remuneração é composta de vencimento básico (VB); complemento do salário-mínimo para as faixas em que o vencimento básico é inferior ao salário-mínimo; vantagem pecuniária individual (VPI) no valor de R$ 59,87 para todos os servidores; GAE (160% do vencimento básico) e GED. A nova composição seria: vencimento básico; incentivo de titulação e gratificação por desempenho. A implantação seria feita em três anos: 2008; 2009 e 2010. Seguiu-se uma longa rodada de questionamentos feitos pelos representantes das entidades e respostas por parte dos representantes do governo.

Pretende o governo incorporar a GAE e a VPI, o que levaria, segundo seus representantes na mesa, à eliminação da complementação do salário-mínimo, mas o incentivo de titulação passaria a ser uma parcela dissociada do vencimento. A proposta de transformar a titulação em parcela independente do vencimento e não mais em percentual, mas em valores fixos diferenciados por classes, níveis, foi objeto de intenso debate. Observou-se que o governo busca, com isso, compensar parte da incorporação da VPI e da GAE ao vencimento básico.

 

A proposta seria implantada com o seguinte calendário:

2008: incorporação da GAE e da VPI, criação de valores para titulação para classes e níveis e reestruturação da gratificação de desempenho com valores para classes e níveis;
2009: alteração dos valores dos pontos da gratificação de desempenho por classes e níveis;
2010: novamente alteração dos valores dos pontos da gratificação por desempenho por classes e níveis;
2010-2: incremento do novo vencimento básico e alteração dos valores dos pontos da gratificação de desempenho por classes e níveis.

Apesar de os representantes do governo terem afirmado em praticamente todas as reuniões que estávamos construindo uma proposta em conjunto e que estavam sempre dialogando com as entidades, apresentaram uma proposta de estrutura salarial construída pelo governo profundamente diferente das pleiteadas pelas entidades.

Afirmaram explicitamente que o governo é contra a paridade entre ativos, aposentados e pensionistas e que tem que haver uma gratificação por desempenho.

Neste sentido, mantida a GED ou substituída por uma outra gratificação, esta seria por desempenho, composta por 20% de avaliação individual e 80% de avaliação institucional. Neste caso, seria mantida a atual diferença de remuneração entre ativos e aposentados. Marilene foi enfática ao afirmar que esta era a linha que o governo vinha adotando nas negociações com todos os setores do serviço público.

Os representantes do ANDES-SN lembraram que as negociações passadas com a FASUBRA e com o SINASEFE resultaram respectivamente em não haver gratificação de desempenho para os servidores técnico-administrativos e na GID ter sido substituída por uma gratificação fixa, a GEAD, em 2004. Lembraram, ainda, que para os docentes da Carreira do Magistério do Ensino Superior, o governo adotara o procedimento de uma aproximação gradual entre os valores da GED dos aposentados aos 140 pontos pagos aos docentes da ativa. Em 2004, quando congelou a GED em 140 pontos para os professores em atividade, o governo elevou de 84 pontos (60%) para 90 pontos a GED dos aposentados e, em 2006, para 115 pontos. Portanto, agora deveria completar o processo por ele mesmo estabelecido, elevando a GED dos aposentados para 140 pontos. Os representantes do governo desconversaram, e Marilene afirmou que apenas a FASUBRA e o SINASEFE não percebiam gratificações de produtividade.

A apresentação de parâmetros de composição remuneratória apenas para a Carreira do Magistério do Ensino Superior levou ao questionamento por parte das entidades sobre qual seria a proposta para a Carreira de 1º e 2º grau e quando seria apresentada. Os representantes do ANDES-SN e do SINASEFE foram enfáticos na exigência de que as propostas para as duas carreiras fossem tratadas conjuntamente. Os representantes do governo admitiram que a mesa que trataria das propostas para 1º e 2º grau seria a mesma, mas insistiram que ocorreria em momento distinto ao tratamento das propostas para os docentes do ensino superior. O debate sobre este problema foi retomado por diversas vezes ao longo da reunião, pois os representantes do governo mostravam querer esquecê-lo.

Já quase no final da reunião, Carlos Roberto Coelho Martins, dirigente do SINASEFE, indagou novamente sobre quando trataríamos das propostas para os docentes da carreira de 1º e 2º grau. Um dos representantes do governo, Nelson Freitas, respondeu provocativa e desrespeitosamente. Sugeriu que ficasse somente para depois da paralisação indicada pelo SINASEFE para sua base para os dias 23, 24 e 25 de outubro, sob o argumento de que a paralisação não se justificava, uma vez que as negociações estavam em andamento.

Seguiu-se um debate muito tenso, devido à provocação, com os representantes das entidades argumentando que se tratava de uma intromissão na autonomia de uma entidade e mostrando o que já estava evidente: a recusa do governo em tratar das questões relativas aos docentes da carreira de 1º e 2º grau. Os representantes do ANDES-SN reiteraram que não se pode avaliar o que é proposto para uma das carreiras do magistério sem saber o que está sendo pensado para a outra, independentemente do fato de o governo ser manifestamente contrário ao tratamento isonômico para todos os docentes.

Ficou claro que a apresentação pelo governo de alguma proposta apenas no dia 18 de outubro, suas posições contrárias às reivindicações das entidades e a ausência de qualquer proposta para os docentes da carreira de 1º e 2º grau implicarão o prosseguimento de reuniões para além do dia 23 de outubro, data que fora definida como referencial para a conclusão do processo. O planejamento das reuniões futuras será feito na reunião do dia 23.

Brasília, 19 de outubro de 2007

 

 


 

 

Parâmetros para nova composição da remuneração dos docentes da Carreira do Magistério do Ensino Superior apresentados pelo governo na reunião do dia 18/10/07 na SRH-MP

O governo apresentou, pela primeira vez, os parâmetros a partir dos quais deseja negociar. Apesar de afirmar reiteradas vezes que estávamos construindo uma proposta em conjunto e que estava sempre dialogando com as entidades, o governo apresentou diretrizes que diferem profundamente das pleiteadas pelas entidades, em particular pelo ANDES-SN.

A composição atual da remuneração é a seguinte: vencimento básico (VB) + complementação do salário-mínimo (para os níveis abaixo do salário-mínimo) + vantagem pecuniária individual (VPI) (R$ 59,87) + GAE (160% do VB) + GED.
A composição salarial proposta é a seguinte: VB + titulação + gratificação de desempenho.

A nova composição seria produto de:
a) Incorporação da GAE e da VPI ao VB.
b) Separação do incentivo de titulação do vencimento básico, que não seria mais em percentuais, mas em valores fixos e.
c) Retomada do pagamento da GED por desempenho com modificações ou criação de uma nova gratificação de desempenho em substituição à GED, sendo que 20% corresponderão à avaliação individual e 80% à avaliação institucional.

A proposta seria implantada com o seguinte calendário:
2008: Incorporação da GAE e da VPI, criação de valores para titulação para classes e níveis e reestruturação da gratificação de desempenho com valores para classes e níveis;
2009: alteração dos valores dos pontos da gratificação de desempenho por classes e níveis;
2010: novamente altera os valores do ponto da gratificação por desempenho por classes e níveis;
2010-2: incremento do novo vencimento básico e alteração dos valores dos pontos da gratificação de desempenho por classes e níveis.

Não foram apresentados quaisquer valores monetários e tampouco a proporção de cada um dos três itens que comporiam a nova remuneração. Os representantes do governo acenaram apenas que os reajustes seriam maiores para o regime de 20 horas do que para os demais. Afirmaram que apresentarão simulações apenas na reunião do dia 23 de outubro.

Trata-se efetivamente de uma nova estrutura de remuneração e alguns pontos da mudança proposta merecem ser bem explicados.

1. Atualmente, os percentuais de titulação incidem sobre o vencimento básico e o compõem. O incentivo de titulação é de 7,5% sobre o vencimento básico para quem tem aperfeiçoamento, de 18% para o especialista; 37,5% para o mestre e 75% para o doutor. A GAE é então calculada sobre esta composição, isto é, 160% de (VB + incentivo de titulação). A proposta do governo é que o vencimento básico seja igual para todos (aperfeiçoamento, especialização, mestrado e doutorado). Seria calculado assim: vencimento básico atual + GAE + VPI (a titulação não entra nesta composição). A remuneração final proposta seria a soma deste novo vencimento básico, + o incremento por titulação (agora em valores fixos para cada grau, na forma de uma parcela à parte, como uma gratificação) e mais a nova GED. Obs.: A incorporação da GAE, que vale 160% do vencimento, corresponderá, na prática, a 160% para graduação; 153% para aperfeiçoamento; 145% para especialização; 133% para mestrado e 117% para Doutorado. Em outras palavras, haverá perdas de parcelas da incorporação da GAE respectivamente de 7%, 15%, 27% e 43%.

2. Ganhos judiciais que hoje incidem sobre o vencimento básico e, portanto, também sobre os incentivos de titulação, não incidiriam mais sobre esta parcela, o mesmo para adicional de tempo de serviço e outras vantagens individuais. Poderá haver, em 2008, aumento nominal desses ganhos, mas que poderão ter redução relativa nos anos seguintes, principalmente pela pretensão de incremento da gratificação de desempenho e, além disso, um incentivo dado por meio de um valor fixo, rapidamente perderá este valor ser corroído pela inflação. A separação da titulação do vencimento básico poderá trazer problemas futuros também para o cálculo dos proventos da aposentadoria, uma vez que todas as parcelas que não compõem o vencimento não estão asseguradas para tal cálculo.

3. Os representantes do governo colocaram de forma explícita que não concordam com a paridade entre ativos e aposentados, e que precisa haver uma gratificação por desempenho. Neste caso, será mantida a diferença atual entre os ativos e os aposentados, o que poderá ser acentuada com as pretendidas alterações de valores de ponto. Tanto a GED quanto a GID eram, até abril de 2004, pagas aos aposentados no valor de 60% da gratificação. A GID foi, então, extinta e em seu lugar foi criada a GEAD, fixa e paritária. Para os docentes da Carreira do Magistério do Ensino Superior, o governo fixou para os em atividade a GED em 140 pontos e, para os aposentados, elevou a GED para 90 pontos, comprometendo-se com o ANDES-SN em paulatinamente promover uma aproximação até chegar aos 140 pontos para todos. Em 2006, elevou para 115 pontos a GED dos aposentados e deveria, portanto, nas atuais negociações, completar o processo.

4. A alteração dos pontos da gratificação por desempenho nos anos de 2009, 2010 e 2010-2 indica que esta parcela do vencimento terá um peso substancial na composição do vencimento total. Outra preocupação é o percentual dos componentes da avaliação, sendo 20% para avaliação individual e 80% para avaliação institucional, indicando salários diferentes na mesma instituição e entre as instituições.

Brasília, 18 de outubro de 2007

 


topo

 


 

 

CONSIDERAÇÕES SOBRE OS PARÂMETROS PARA PROPOSTA
SALARIAL DO GOVERNO APRESENTADOS EM 18/10/07


Para reestruturar as IFES, o governo precisa reestruturar
a composição remuneratória dos docentes

O REUNI é um projeto de reestruturação das IFES, que se inspira, entre outras coisas, na reestruturação produtivista que vem ocorrendo nas empresas privadas. Nestas, para incrementar a produtividade do trabalho e conseqüentemente reduzir os custos, diversas mudanças têm sido feitas com a adoção de tecnologias, reestruturação dos ambientes de trabalho e, principalmente, o comprometimento dos trabalhadores com a competitividade da empresa. A remuneração do trabalhador, agora chamado de colaborador, passa a depender dos resultados obtidos pela empresa na competição no mercado. Ele é então chamado a “vestir a camisa” da empresa para que possa ser complacente em exaurir-se e estimular a exaustão dos seus companheiros de trabalho em favor do lucro da empresa do qual não participa.

O governo trata a educação como uma fábrica que necessitaria de ter sua produtividade incrementada e, para se tornar um bom negócio, seus custos de produção reduzidos. Trata-se de uma fábrica de certificados. No caso do REUNI, a meta do governo é a de reduzir o custo médio anual do aluno de graduação de aproximadamente R$ 6 mil e quinhentos atuais (descontadas as despesas com os hospitais universitários e com as aposentadorias e pensões) para R$ 4 mil. Para isso, pretende elevar a relação média de alunos por professor para dezoito. Pretende, ainda, a redução da evasão e atingir a meta de 90% de taxa de conclusões.

Para reduzir os custos de produção, a empresa privada tem que fazer investimentos, sendo que muitas vezes altos valores monetários são investidos para obter, no tempo, a redução dos custos. Ao anunciar que cada universidade que aderir ao REUNI poderá ter até 20% a mais de recursos ao longo de cinco anos, o que é um investimento muito baixo, o governo pretende, com isso, incentivar uma reestruturação curricular que resulte na redução dos custos.

Para obter “melhor aproveitamento da estrutura física e de recursos humanos existentes nas universidades federais” (Decreto nº 6.096/07, artigo 1º.), o governo precisa promover uma reestruturação do trabalho nas IFES. Para obter isso, ele precisa redefinir a forma de remuneração dos “recursos humanos”, em particular dos docentes. Eles terão que ser incentivados a darem mais aulas e para número maior de alunos.

Nesse sentido, a primeira medida foi a criação do banco de professor equivalente. Com o banco, as universidades adquirem autonomia para substituir um docente em regime de DE que se aposentou por três professores em regime de 20 horas que podem, somados, dar mais aulas que um em regime de DE. A segunda medida aparece, agora, com a proposição do governo de conceder um reajuste salarial maior para o regime de 20 horas e menor para o regime de DE.

Os parâmetros para a nova composição da malha salarial dos professores pretendida pelo governo vieram a revelar uma reestruturação mais profunda. A exemplo da GED, criada em 1988, a remuneração por produtividade é retomada de uma forma a exacerbar ainda mais o individualismo e a competição. Esta mudança em relação à GED se dá quando a remuneração do professor passa a ser dependente da combinação de resultados da instituição (80%) e de resultados do indivíduo (20%). Portanto, para receber quantidade elevada de pontos na gratificação, não basta ao indivíduo dar muitas e muitas aulas, é preciso que seu departamento, seu curso, sua universidade, alcancem bons resultados, nas metas definidas pelo REUNI. Lembremos que as metas não se limitam a quantidades de alunos, mas também de certificações. Portanto, no limite, a remuneração do docente dependerá também da redução da evasão e dos índices de conclusão dos cursos. A reprovação de alunos poderá ser sentida no bolso dos professores. O governo, incapaz de implementar uma política educacional que permita aos alunos um bom desempenho escolar, impõe a diplomação sem mérito acadêmico. E agora, para atingir esse objetivo, busca uma fórmula para obter pelo “bolso” a cumplicidade dos professores. Pretende o governo que cada professor seja não alguém dedicado ao seu trabalho, mas um feitor a exigir o produtivismo dos seus colegas. Desgraçadamente, esse envolvimento dos docentes, pretendido pelo governo, levará à degradação da qualidade do ensino.

É importante observar que a elevação anual dos valores do ponto da gratificação, expressa nos parâmetros apresentados pelo governo, tem por objetivo assegurar as etapas de implantação do REUNI. A cada ano, a parcela da remuneração que depende do desempenho assumirá proporção maior em relação aos demais componentes da remuneração: o vencimento básico e a titulação – esta última tornada fixa e que poderá ficar com valor congelado por longo tempo.

Opor-se a essa forma de remuneração não significa ser contrário à avaliação institucional e individual e, tampouco, fazê-la de forma dissociada. A avaliação, no entanto, deve ter por objetivo a melhoria da instituição e da qualidade do trabalho individual. Portanto, ela não pode estar resumida a aspectos quantitativos e particularmente a metas que comprometam a qualidade da educação. A valorização do mérito se dá no desenvolvimento da carreira.

A recusa do governo em tratar, na mesa de negociação, da remuneração dos docentes da Carreira de 1º e de 2º grau, neste momento, e deixá-la para depois de tratar dos docentes do ensino superior é expressão de uma discriminação. Deve-se, ainda, ao fato de o governo não ter, até o momento, uma definição em relação a que tipo de composição remuneratória ele precisará para a implantação dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia – IFET (Decreto nº 6.095/07). A pauta de reivindicações do ANDES-SN trata das duas carreiras e busca uma isonomia remuneratória entre elas. Pede equiparação dos vencimentos básicos, dos incentivos de titulação e entre GED e GEAD, com paridade entre ativos, aposentados e pensionistas.

O que o governo apresenta para os docentes da Carreira do Magistério do Ensino Superior e o não-tratamento simultâneo da remuneração dos professores da carreira de 1º e 2º grau, caminham no sentido inverso das reivindicações do sindicato, democraticamente definidas.

Pior ainda em ralação aos aposentados. Os representantes do governo foram explícitos ao dizer que, em razão de serem poucos os recursos, não há como atender às reivindicações dos aposentados, sem que isso implique prejuízo para os docentes em atividades. Esse posicionamento perverso é bem visível na proposta pois, além do novo perfil da gratificação anunciada, há indução a mudanças de conceito sobre aquilo que era gratificação e passaria a ser salário, de um lado, e aquilo que era salário e passaria a ser gratificação, de outro, implicando certamente maior distanciamento na remuneração dos aposentados em relação aos professores que permanecem em atividade.

A reunião do setor dos docentes das IFES, de 19/10/07, considerou, então, que o Sindicato deve continuar exigindo que se paute na mesa de negociação a remuneração de 1º e 2º grau, a paridade entre ativos e aposentados e a rejeição do que está sendo proposto pelo governo para o magistério do ensino superior. A incorporação da GAE, já feita para os técnicos-administrativos, deve ser feita para os docentes como está na pauta de reivindicações, mas não se pode aceitar a separação do incentivo de titulação do vencimento básico e tampouco a instituição de gratificação por desempenho.

A reunião reafirmou, ainda, a necessidade de aprofundar a luta contra a aprovação do REUNI nas IFES e exigir do governo sua revogação. É preciso que todos os professores sejam alertados sobre todas as conseqüências desse projeto. É preciso ampliar a mobilização. Como visto, na atual negociação, está em jogo não apenas os valores da remuneração, mas o futuro das condições para o exercício do trabalho docente e o futuro da universidade fundada no princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. De fato, o governo pretende desestruturar a malha remuneratória, um dos pilares que têm garantido o princípio citado.

Diretoria do ANDES-SN

 


topo

 


 

 

RELATÓRIO DA REUNIÃO DO SETOR DOS DOCENTES DAS IFES

Brasília, 19 de outubro de 2007

 

INFORMES DA DIRETORIA

Paulo Rizzo prestou informes sobre a presença do ANDES-SN na Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação - ANPED. Relatou que, pela primeira vez, em trinta anos, um Ministro da Educação esteve presente no evento. Ele fez o lançamento de uma publicação sobre o PDE e pediu apoio ao plano. Deixou o Secretário André Lázaro para debater com os participantes. A despeito desse esforço do governo, a Assembléia Geral da ANPED aprovou duas moções de oposição ao REUNI, sendo que uma delas pede a revogação do decreto que o instituiu. O Presidente do ANDES-SN salientou que, em âmbito institucional, a maior oposição ao REUNI encontra-se nas faculdades de educação.

O segundo informe prestado por Paulo Rizzo foi sobre a reunião da mesa de negociações com a Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento e MEC, realizada no final da tarde e noite do dia 18 de outubro de 2007. Detalhou os parâmetros apresentados pelo governo para a nova estruturação da remuneração dos docentes da carreira do magistério do ensino superior. Fez um resumo sobre suas implicações na estrutura da malha salarial dos docentes e descaso do governo em relação às reivindicações concernentes aos docentes da carreira de 1° e de 2º grau. (Ver os seguintes documentos: “Relatório da reunião da mesa de negociação com a Secretaria de Recursos Humanos – SRH-MP e MEC, realizada no dia 18 de outubro de 2007” e “Parâmetros para nova composição da remuneração dos docentes da Carreira do Magistério do Ensino Superior, apresentados pelo governo na reunião do dia 18/10/2007 na SRH-MP”). Após serem prestados os esclarecimentos sobre as questões levantadas pelos representantes das seções sindicais, a parte da manhã da reunião foi encerrada.

A parte da tarde teve início com a participação da advogada Damares Medina, da assessoria jurídica do ANDES-SN. Ela fez uma explanação genérica sobre alguns apresentados pelo governo na mesa de negociação. Em sua fala, apresentou posições não conclusivas, em razão de não ter ainda conhecimento da proposta completa, mas apenas dos parâmetros apresentados na parte da manhã. Fez analogias entre o que o governo está apresentando para os docentes e as formas como os poderes estão tratando questões correlatas. Relatou que o poder executivo tem adotado uma política remuneratória que, apesar de a paridade e a integralidade estarem garantidas na Constituição, na prática, ao estabelecer gratificações baseadas em critérios de mérito, rebaixa a remuneração dos aposentados em relação à dos servidores da ativa. A lógica é a da criação de gratificações em detrimento do vencimento básico. Damares alertou que a criação desses mecanismos, a partir de reestruturações de carreira no serviço público, tem diferenciado os proventos dos aposentados. Outro fator preocupante é a possibilidade de que o trabalhador, ao se aposentar, não receba os valores referentes a essas gratificações ou, ainda, aqueles que já estão aposentados não fazerem jus à nova gratificação criada após sua aposentadoria. Ao falar sobre ganhos judiciais que dão direito a alguns aposentados de receberem a GED integral, caso dos aposentados da UFRJ, o Supremo reconheceu que é um direito do trabalhador o recebimento integral da gratificação enquanto esta não for regulamentada, pois a gratificação perdeu seu cunho produtivista. No entanto, deu a senha para o poder executivo: se a gratificação vier a ser regulamentada, será possível restabelecer o tratamento discriminatório entre ativos e aposentados.

AVALIAÇÃO DA CONJUNTURA

Antecedendo a abertura das intervenções, Paulo Rizzo fez explanação dando conta da leitura da Diretoria sobre a conjuntura e sobre os parâmetros apresentados pelo governo na reunião da véspera. Na analise da Diretoria, o que o governo está apresentando vem na contra-mão das reivindicações da categoria, pois restabelece gratificação por produtividade, desvinculação do incentivo de titulação do vencimento base e a não-paridade entre ativos e aposentados. Ao mesmo tempo impõe uma negociação em separado ou em tempos diferenciados para os docentes do ensino superior e do ensino básico e tecnológico. Enfim, a análise aponta que os parâmetros para construção da proposta do governo para a malha salarial fazem parte da lógica imposta para reestruturação da universidade pública e atende à proposta do REUNI de maior número de aulas dadas, maior quantidade de alunos nas salas e maior índice de conclusão. Isto é, o desempenho a ser avaliado deverá corresponder às metas do REUNI.

Logo após, foram abertas as inscrições que, em linhas gerais, mostraram o descontentamento dos representantes das seções sindicais quanto ao que foi apresentado pelos representantes do governo. As análises indicam que os parâmetros em apreço retiram direitos conquistados no passado pela categoria. Por fim, foi unânime a rejeição das diretrizes colocadas pelo governo para construir sua proposta e o reconhecimento da necessidade de serem mantidos os princípios da paridade e da isonomia que dão base à pauta de reivindicações da categoria e também a incorporação de gratificações, valorização do vencimento base, compensação das perdas e garantia de não haver perdas decorrentes da inflação nos próximos três anos. Além disso, o ANDES-SN deve negociar simultaneamente as malhas salariais do 1º, 2º e do 3º grau no sentido da unificação, como consta na pauta de reivindicações aprovada no 26º CONGRESSO e reafirmada no 52º CONAD. Portanto, o encaminhamento dado pelos representantes do governo de tratamento em separado é inaceitável.

Por fim, o setor das federais reafirma a convocação de nova reunião para o dia 25 de outubro como parte da programação do II Encontro Intersetorial. Reitera a necessidade de que as seções sindicais envidem esforços no sentido de enviar representantes para esta reunião que, além de tratar os pontos de pauta indicados na Circular nº 289/07 de 7 de outubro de 2007, discutirá os desdobramentos da reunião da mesa de negociação do dia 23/10 e os encaminhamentos a serem tomados. Afirmou, ainda, a necessidade de serem intensificados os esforços para o sucesso da marcha do dia 24 de outubro, bem como de mobilização para barrar a aprovação do REUNI pelos conselhos universitários.

O setor reafirma que, sem uma forte mobilização, dificilmente serão conquistados avanços relativos ao atendimento das reivindicações contidas na pauta.

DEFINIÇÃO DE PROPOSTAS E ENCAMINHAMENTOS

A Diretoria do ANDES-SN deverá

1. produzir relatório minucioso da audiência com preocupação de destrinchar a proposta do MPOG e esclarecer que, para reverter a situação, é necessária uma forte mobilização para o enfrentamento.

2. produzir nota a ser enviada às seções sindicais para ser distribuída e lida nos conselhos superiores na semana prevista para aprovação do REUNI.
3. solicitar audiência com parlamentares que tenham relação com o movimento sindical e, em especial, com membros da Frente Parlamentar em Defesa da Universidade Pública.

4. reforçar, junto às seções sindicais, a importância de intensificar a coleta de assinaturas em abaixo-assinado para os parlamentares, enviando uma cópia da carta com as assinaturas para os parlamentares e uma para a secretaria do ANDES-SN. Esta ação se reveste de suma relevância, pois, necessariamente, as negociações vão desembocar no parlamento, e todo apoio será importante, além de ser um valioso trabalho de militância e de mobilização.

5. Enviar moção de apoio aos estudantes, professores e técnicos-administrativos da UFRJ.

MOÇÃO DE APOIO

Os representantes das seções sindicais da IFES do ANDES-SN, reunidos em Brasília, no dia 19 de outubro, solidarizam-se com os estudantes, professores e servidores técnico-administrativos, que, na reunião do Conselho Universitário da UFRJ, realizada no último dia 18 de outubro, buscaram viabilizar o debate das propostas da reitoria e dos divergentes destas. Criticam a prática adotada pela reitoria de impor o rito sumário de votação para assegurar a aprovação do REUNI.

 

 


topo

 

 


Expediente:
ADUnB Informa On Line é uma publicação da Associação dos Docentes da UnB
Sede e Redação: Campus Universitário Darcy Ribeiro - Gleba A - Casa do Professor
Caixa Postal nº 04425 - Cep: 70919-970 - Brasília-DF
Fones: (61) 3307-1157, 3307-2462 e 3307-3395
Jornalista: Ricardo Borges Contatos: imprensa@adunb.org.br Site: http://www.adunb.org.br

A Diretoria da ADUnB-S.Sind. não se responsabiliza
pelas opiniões expressas em artigos e matérias assinados
.