Informativo eletrônico da ADUnB

Brasília

6 de junho de 2007

Nº 33

 

ANDES-SN

RELATÓRIO DA REUNIÃO CONJUNTA DOS TRÊS SETORES
Brasília-DF, 4 de maio de 2007

1- Pronunciamentos

1- Pronunciamento do Presidente do ANDES-SN

Paulo Rizzo iniciou a sua apresentação destacando a importância da unificação das ações do Sindicato em defesa do caráter público e da gratuidade da educação superior no país, desafio que acompanha sua história desde sua fundação. Destacou o ataque brutal à autonomia universitária em todos os setores e a necessidade de conter a sanha avassaladora da privatização em curso. Ressaltou que, apesar do crescimento acelerado da rede particular de ensino superior no país, o Brasil, dentre os países latino-americanos, é o país em que a universidade pública ainda não está totalmente destruída. No entanto, não se pode perder de vista que é cada vez mais intensa a privatização interna das IES públicas, especialmente via fundações privadas ditas de apoio. A presença dessas fundações, na forma como instituem suas relações com as universidades públicas, só existe no Brasil. Assinalou que na relação público versus privado é importante reconhecer que não há expansão de um setor sem a retração do outro. Nesse aspecto, afirmou que a retração do público ocorre substantivamente naquilo que diz respeito à subtração do direito à educação pública e gratuita, por meio de vários mecanismos, dentre os quais o PROUNI. Por último, reforçou que o enfretamento da reforma universitária exige a unificação de todos os setores do Sindicato, com destaque para a organização do Dia Nacional de Paralisação contra todas as reformas que retirem direitos dos trabalhadores, previsto para o próximo dia 23 de maio.


1.2- Pronunciamento do Representante da Coordenação do Setor das IFES

Agostinho B. Macedo Beghelli Filho, representante do Setor, iniciou sua apresentação dizendo que, ao falar sobre a expansão do ensino superior no Brasil, logo vem à mente a questão da precarização do trabalho. Se a expansão do ensino superior no Brasil tivesse como meta atingir um padrão de qualidade, certamente estas duas expressões não seriam tão facilmente conjugadas. O processo de expansão desencadeado no setor das particulares, fortalecido pelas políticas para educação implementadas pelo governo de Fernando Henrique Cardoso sem a devida preocupação com a qualidade do ensino ministrado nessas instituições e sem controle efetivo destas, levou ao rebaixamento da qualidade educacional média no setor.

       Ao analisar os dados que mostram o número de vagas ofertadas a cada ano nas instituições públicas em relação às vagas no setor das particulares, é fácil constatar que o processo de expansão das instituições particulares se repete no governo de Lula da Silva. No ano de 2000, as vagas nas IES públicas perfaziam 32,9%; já em 2005, esse percentual caiu para 26%.

As políticas de ajuste fiscal do atual governo – com metas cada vez mais altas de superávit primário e sucessivos cortes orçamentários, conforme recomendações dos organismos internacionais (OMC, Banco Mundial e FMI), implementadas a partir de leis, medidas provisórias e decretos – aprofundam o processo de sucateamento da educação pública ao abrir espaços para a privatização interna das instituições públicas de ensino superior. Entre as medidas adotadas, podemos citar a regulamentação das fundações de apoio, a criação de Parcerias Públicas Privadas (PPPs) e a Lei de Inovação Tecnológica. A partir do segundo mandato, mantendo a lógica economicista de redução dos custos com a educação pública, o governo Lula propõe mecanismos que possibilitam uma maior oferta do número de vagas, desde que estas onerem o mínimo possível os cofres públicos. Entre as medidas, podemos citar a criação da Universidade Aberta do Brasil (UAB), que amplia a oferta de vagas via cursos a distância; o PROUNI, que compra com dinheiro público vagas na iniciativa privada; a criação de novas vagas a partir do desmembramento de universidades já existentes, de escolas e faculdades especializadas e a criação de novos campi; e, por fim, via Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais Brasileiras - REUNI.

       Esse conjunto de medidas certamente aprofunda o processo de empresariamento da educação superior e afeta tanto as instituições particulares quanto as públicas no que se refere à qualidade do ensino. Os efeitos são claros na vida da maioria dos docentes, que podem sentir o quanto tem sido precarizada a vida acadêmica. Assim, ao abordar a questão da precarização do trabalho docente, é necessário focar duas vertentes: a primeira que reconfigura as relações de trabalho pela via da perda de direitos sociais duramente conquistados pela classe trabalhadora. Nesse patamar se encontram os contratos temporários, os subcontratos e o contrato por meio de terceirizações, que se configuram pelo não-cumprimento dos encargos sociais, pela ausência de vínculo empregatício direto e por salários abaixo da média.

       Esse redesenho das relações de trabalho é fruto da tentativa do capital de reduzir o custo com o trabalho para superar sua crise. Nessa lógica, a “precarização do trabalho” corresponderia apenas ao trabalho contratado, permitido por lei e caracterizado pela ausência de muitos direitos trabalhistas e sem qualquer estabilidade.

       No entanto, há uma segunda questão, de suma importância, que certamente contribui para aprofundar a precarização do trabalho docente. Ela está relacionada com a intensificação do trabalho, a flexibilização e a estagnação dos salários, a subtração ou a relativização de direitos sociais; o aumento da produtividade e o aumento das exigências institucionais. Assim a nova estrutura das relações de trabalho implementada pelo capital busca aumentar o trabalho docente em extensão, intensidade e em uma falsa qualidade. No interior das instituições públicas de ensino superior, nota-se claramente essas mudanças a partir de novas regras de remuneração implementadas por gratificações produtivistas; aumento das horas de trabalho e de orientação; aprofundamento do empresariamento da ciência, tecnologia, pesquisa e desenvolvimento; processos de avaliação institucional do tipo ranqueamento dos cursos; avaliação por critérios exclusivamente quantitativos da produção docente; e valorização dos artigos científicos de acordo com o periódico a que se vincula.

       Assim, resta claro que as mudanças implementadas nos últimos anos que rebaixam os contratos de trabalho e aquelas que intensificam e flexibilizam, voltadas para produtividade acadêmica, são fatores que levam à precarização do trabalho no interior das universidades.

Para Agostinho, a tarefa que nos é posta verte no sentido da denúncia dessas políticas de cunho economicista e tecnicista que resultam na precarização do trabalho docente. Juntos, os docentes dos três setores – IFES, IEES/IMES e IPES - devem construir, em conjunto com estudantes, técnicos e outros setores da sociedade, estratégias que possibilitem um real enfrentamento das políticas neoliberais impostas pelos atuais governos.


1.3- Pronunciamento do Representante da Coordenação do Setor das IEES/IMES

Líghia B. Horodynski Matsushigue salientou a importância quantitativa do setor, sendo que as IEES contabilizam, segundo dados do INEP de 2005, 33 universidades (portanto, em média, mais de uma por estado) e 26 faculdades ou faculdades integradas; e as IMES, 5 universidades, 3 centros universitários e 51 estabelecimentos menores. A partir desse levantamento, verifica-se que tanto o número de vagas e de ingressos, quanto o de concluintes, da ordem de uma centena de milhar, são comparáveis aos números verificados nas IFES, observando-se 142 mil ingressos nas IEES e 46 mil ingressos nas IMES, frente aos 144 mil ingressos nas IFES. Na caracterização global, verifica-se que as IMES se assemelham muito mais às instituições privadas de ensino superior do que às públicas e, também, que têm uma representação extremamente pequena no ANDES-SN. Em 2005, o setor privado, no entanto, já concentrava 10 vezes mais ingressos do que qualquer dos dois setores públicos, sejam IEES, sejam IFES, embora, ao contrário destas, que apresentam número de ingresso superior às vagas disponibilizadas, não conseguisse preencher 500 mil das vagas colocadas à disposição. Concluiu que não faltam vagas no ensino superior brasileiro, mas sim, vagas de qualidade e que os projetos grandiloqüentes que emanam ultimamente do MEC têm relação com o fato de que, frente a tal desproporção, apenas ampliações muito expressivas dos setores públicos seriam notadas pela sociedade.

Salientou que, assim, os 3 setores estão, ou estiveram, submetidos à mesma lógica: expansão sem financiamento público e, conseqüentemente, sem qualidade. Entre 2001 e 2005, as IEES expandiram suas matrículas em mais de um terço, o dobro do que ocorreu com as IFES, mas bem abaixo das IMES e IPES, sendo que as últimas abrigaram, em 2005, 3,3 milhões de estudantes, um crescimento de 56% em relação a 2001.

Em sua opinião, esse desenvolvimento está subordinado a um projeto de Estado, possivelmente de inspiração externa, que vem perpassando as últimas gestões tanto no âmbito federal, quanto no estadual, o qual parece indicar para o país uma inserção subordinada na economia globalizada, como “aplicador competente” de tecnologia importada, fruto de pesquisas realizadas alhures. Tal projeto, evidentemente, dispensa a realização de pesquisas básicas, admitindo, no máximo, pesquisas aplicadas, reduzindo, portanto, o papel das universidades essencialmente de “produtoras” a apenas “reprodutoras de conhecimento”.

Os recentes ataques às universidade acontecem dentro desse contexto e podem afetar especialmente as IEES, num sistema fragmentado e fragilizado, diretamente subordinado aos respectivos governadores. Sentirão mais fortemente as pressões que foram exercidas, em 2006 e 2007, sobre as IFES, ou seja, entre outras, as propostas de Universidade Aberta do Brasil (UAB), cujo segundo edital estendeu o oferecimento de cursos em formato EaD às IEES e IMES, para início já em 2008. O rebaixamento da qualidade decorrente da opção pela UAB será apenas inferior àquele que se instalará se o projeto “Universidade Nova”, de ciclos básicos ranqueadores, também for imposto às IEES. Além destes, há, ainda, formulações extremamente perigosas contidas no próprio PL 7200/06, projeto de contra-reforma apresentado pelo executivo, que se encontra no Congresso, ladeado por projetos de imenso interesse do setor mercantil da Educação Superior (PL 4221/04 e 4212/04, entre outros). O PL 7200/06 pode apontar para a transformação das IEES em instituições que sejam muito mais parecidos com as atuais IMES do que com as IFES, que podem continuar sendo um pouco mais preservadas.

A compreensão desta conjuntura e o seu enfrentamento em ações conjuntas dos 3 setores é tarefa imediata de todo o conjunto do Sindicato, ou seja, demanda empenho unificado de todos.

1.4- Pronunciamento do Representante da Coordenação do Setor das IPES

ANDES-SN – Sindicato de todos os docentes do Ensino Superior

A professora Maria Inês Marques, pela coordenação do Setor das IPES, iniciou seu pronunciamento com a leitura das Resoluções do 26º CONGRESSO.

Item 10

Convocar reunião dos três setores, tendo por pauta a ação intersindical para a consolidação do Sindicato de todos os docentes do ensino superior; carreira única; precarização do trabalho docente e em defesa das liberdades sindicais.

Item 11

Enfrentar politicamente as iniciativas de deslegitimação e enfraquecimento do ANDES-SN com ações nacionais, regionais e locais.

Item 13 –

Elaboração e formatação de uma campanha nacional de divulgação do ANDES-SN a ser deliberada no próximo CONAD.

Após a leitura dos itens, enfatizou a necessidade de o sindicato trabalhar articulado para prosseguir em sua rota na luta em favor dos interesses da categoria e em defesa da educação pública.

As resoluções apontam outra necessidade que é a de trabalho em rede, envolvendo os setores, para a defesa do ANDES-SN e sua aproximação dos docentes que desconhecem a entidade. Este é o caso específico dos docentes das IPES.

Hoje é sabido das instituições particulares de ensino superior que a expansão, iniciada com intensidade na década de 80, ganhou nos anos 90 impulso e apoio governamental. Os privatistas defendem o conhecimento como mercadoria e a educação como serviço. Sob essa perspectiva, o espaço do empresariamento da educação foi consolidado e garantido pelo governo.

No processo de expansão das IPES, várias alegorias são utilizadas no carnaval promovido pelos empresários da educação, uma das mais comuns refere-se ao termo universidade e o que a ele concerne. Nas IPES, a propaganda é estratégia para enganar estudantes e sociedade. Longe da fiscalização do Estado, essas instituições têm um mercado livre de compra e venda de serviços.

Enquanto isso, o governo alardeia a implantação de políticas públicas para o aumento de vagas no ensino superior público. O setor privado concentra hoje 80% da oferta de vagas, reinando absoluto, com todo apoio público para sanear finanças. Ainda que continue recebendo todo apoio do governo, sua clientela não consegue pagar suas mensalidades. Decorre daí o grande número de vagas ociosas, problema que PROUNI algum conseguirá resolver, pois o estudante com bolsa parcial continuará pagando para estudar. Toda permissão foi concedida aos empresários para conseguir clientes: liquidação de vagas, promoções, vestibulares agendados e toda festa de ingresso permitido pelo ENEM.

Ao estudante, cliente, quando enfrenta dificuldades para fazer valer seus direitos e procura o MEC,  é recomendado o PROCON. Afinal, educação é serviço!

Nesse contexto, as empresas crescem e os docentes são silenciados. Para atingir seus objetivos, o patronato retira um direito humano fundamental: a liberdade sindical. É, pois, tarefa sindical defender o direito dos docentes à livre organização. Para tanto, o 26º CONGRESSO deliberou  “Repudiar toda arbitrariedade do governo e patrões em relação à liberdade de organização sindical dos docentes”; deliberou também, “Organizar a luta unificada com entidades sindicais do setor público e do privado, em defesa da liberdade e estabilidade sindical e pela liberação de dirigentes para o exercício de mandato sindical”.

A organização da luta unificada vai para além dos nossos setores, a deliberação envolve a aproximação de entidades sindicais tanto do setor público quanto privado, para garantir a liberdade de organização e a estabilidade do dirigente sindical.

O trabalho articulado entre os setores facilitará sobremaneira a ação do ANDES-SN: o sindicato de todos os docentes do ensino superior. Os docentes das IPES vivem momento de terror, tanto para conseguir sua organização sindical quanto para a manutenção do emprego. A cada final de semestre, vivem a tensão da permanência ou demissão. Doutores e mestres precisam ocultar sua qualificação para não serem demitidos. São muitos os problemas, e organizar a luta conjunta dos três setores será uma conquista e fará toda a diferença.


1.5- Pronunciamento do Representante do GTPE

A comunicação proferida pelo representante do GTPE Alexandre Antônio Gilli Nader consistiu no desenvolvimento dos pontos relacionados a seguir.

1.        Função da exposição: sistematizar, do ponto de vista da política educacional que vem sendo implementada pelo governo, os aspectos abordados nas intervenções anteriores (Diretoria, setor IFES, setor IEES/IMES e setor IPES).

2.        Duas concepções básicas antagônicas para a construção da política educacional:

1ª (ANDES-SN) conhecimento como patrimônio universal e educação como direito;

2ª (governo) conhecimento como mercadoria e educação como negócio.

A opção por uma dessas concepções terá, na política educacional, desdobramentos, principalmente, sobre:

a)       relação entre público e privado;

b)       opção de modelo de institucionalização;

c)       relação entre especificidade de educação e as demais políticas de governos com ênfase na econômica;

d)       caracterização do conceito de padrão de qualidade.

A opção pela 2ª concepção no que concerne ao item “d” significa a busca de uma padronização que viabilize tratar a educação como negócio transfronteriço globalizado.

3.        A questão do número de ingresso nas IES públicas e privadas: na situação atual, a expansão prevista na rede pública da educação superior, ainda que supondo um improvável congelamento de vagas na rede privada, não muda muito a situação.

4.        PROUNI: cria um monstro, um frankstein: vagas públicas na rede privada, a partir da concessão de benesses já concretizadas e outras novas previstas no PDE (REFIS Fiscal e Previdenciário das dívidas).

5.        Universidade Nova: situa-se como política “moderna” que resolve um problema estrutural: como assegurar a dualidade educacional na essência preservando a unicidade do ponto de vista formal.

6.        UAB/EAD: caracterizado como panacéia universal para solucionar o peculiar antagonismo existente na educação brasileira entre qualidade e quantidade. No entanto, uma análise dos cursos propostos pelas IES evidencia uma amplíssima maioria de propostas para a formação de professores da educação básica, justamente uma das profissões que vêm sendo mais desqualificadas pelas ações dos últimos governos.

7.        Relação entre IPES e reforma universitária. A justificativa inicial da reforma era a regulação da atuação da iniciativa privada na educação superior. Foi descartada e não poderia deixar de sê-lo, pois a regulação é incompatível com a opção da concepção feita pelo governo (ver item 2).

8.        Autonomia e reforma universitária: opção de novas intervenções. A seguir, a questão será aqui pontuada em duas de suas dimensões.

a)       Todas as ações propostas e previstas na normatização exarada pelo governo configuram-se como ataques frontais à autonomia.

b)       Não há nas referidas normas nenhum indício de busca de resolução do principal problema que viabiliza a essência do exercício da autonomia – a insuficiência de recursos públicos para o financiamento das IES públicas.


2. A 2ª parte da programação da manhã consistiu na palestra  sobre  o tema: Autonomia Universitária.

Palestrante: Prof.Francisco  Miraglia – ADUSP - USP

Chico Miraglia iniciou a sua comunicação revendo a origem e o sentido da palavra autonomia. Em seguida, destacou a importância da autonomia na definição das regras acerca da produção intelectual e científica nas universidades. Por último, ressaltou que não há autonomia universitária sem financiamento público para o ensino, pesquisa e extensão nas universidades públicas do país. Para ele, falar em autonomia requer: a) Financiamento adequado com a capacidade instalada; b) Gratuidade ativa. O debate com o governo exige o não-prejuízo ou perda do parque universitário já existente (resultado de esforço coletivo) e a ênfase na defesa do modelo de universidade que temos.

PERÍODO DA TARDE

DISCUSSÃO E ENCAMINHAMENTOS DOS GTs

GRUPO 1: LIBERDADE E FORTALECIMENTO DA AÇÃO SINDICAL

Participantes: 20

Diretores: ZAGO, MARIA INÊS e GENE

Relatora: Gene Maria Vieira Lyra Silva

COMENTÁRIOS GERAIS.

O GT iniciou os seus trabalhos a partir da discussão dos problemas e da situação atual nas IES, nos termos apresentados pelos presentes. Dentre as questões debatidas,  algumas tiveram destaque.

·         É crescente o movimento de greve nas estaduais, mas as greves têm conseguido poucos ganhos. Ainda existe resistência no movimento docente.

·         O trabalho sindical tem se dado nos limites das atuais dificuldades do movimento docente - poucas pessoas envolvidas na luta.

·         Existe uma estratégia instalada de afastamento dos professores do sindicato (baixos salários, perseguições, demissões, trabalho precário etc), somente a mobilização por melhores salários atrai os professores.

·         Existe nas particulares um clima de terror permanente.

·         Falta regulamentar nas IES públicas plano de carreira, estatuto, concursos, melhores salários etc.

·         É preciso unificar a luta com ações coletivas.

·         As regionais devem ter papel importante na integração das seções sindicais dos três setores (boletins, seminários, cursos de formação sindical, grupos de estudos etc).

·         É necessário desenvolver formação sindical para a “nova configuração” dos docentes. Os professores acreditam que irão resolver seus problemas de forma individual. O coletivo é o entrave.

·         É preciso esclarecer e mostrar o diferencial existente no trabalho sindical das IPES.

·         O 26º CONGRESSO do ANDES acertou com o item 4 da centralidade, temos que fortalecer a categoria.

·         A filiação à Conlutas também contribuirá para o enraizamento da base no enfrentamento com o governo e nos esclarecimentos à sociedade, pois ela atua com os sindicatos e os movimentos sociais.

·         A conjuntura atual do país mostra o crescimento de um Estado “fortalecido”.

·         A expansão das seções sindicais de particulares deve ser feita com cautela.

·         A luta deve mostrar que a precarização do trabalho está aumentado e está acontecendo de forma diferente nas instituições particulares/públicas, mas é tão nociva quanto para qualquer carreira docente (professores colaboradores e substitutos).

·         As IFES têm apresentado dificuldades na composição de chapas para as seções sindicais, as assembléias gerais estão esvaziadas, as questões judiciais se sobrepõem às políticas.

·         O ANDES-SN tem sofrido ataques internos com o objetivo de dividir a categoria e, conseqüentemente, diminuir a força do sindicato perante os governos (federais, estaduais e municipais).

·         A falta da estabilidade sindical é real.

·         É necessário ter o apoio do movimento estudantil e dos técnicos-administrativos.

·         A expansão das IFES, de certa forma, contribui para a expansão do ANDES-SN.

·         É necessário denunciar a falta de liberdade sindical no Brasil (IPES) no Comitê Interamericano de Direitos Humanos – poderá ter força de lei e, não apenas, um comunicado ao governo.

·         O patronato das IPES tem o apoio total do governo e do legislativo.

·         É preciso ter clareza e denunciar que não estão mudando somente as universidades e, sim, mudando todo o país.

ENCAMINHAMENTOS

Após o debate, foi encaminhado que:

·         as seções sindicais e regionais articulem cursos de formação sindical e divulguem para professores dos três setores; trabalhar a paralisação de 23/5/07 – dos servidores públicos federais;

·         sejam desenvolvidas campanhas contra o assédio moral nas instituições e a precarização do trabalho docente; promover discussões/debates/seminários sobre o processo democrático nas instituições; combater os cursos pagos nas instituições públicas com o apoio dos estudantes;

·         sejam levantados os temas de pesquisa dos docentes nas instituições e convidá-los a participar dos GTs das seções sindicais e do ANDES-SN, conforme os interesses de pesquisa;

·         as regionais promovam reuniões com os setores da sua região;

·         a divulgação da perspectiva do ANDES-SN seja explicitada no tema da ditadura instalada pelo atual governo e a democracia que queremos;

·         sejam promovidos cursos sobre os direitos estudantis;

·         seja elaborado um calendário de cursos/seminários/palestras que discutam: Modelo Econômico e Estrutura Sindical;

·         se utilizem as publicações (Revista Universidade e Sociedade, Cadernos ANDES, INFORMANDES) do ANDES-SN para o trabalho de divulgação do Sindicato e de qualificação dos militantes.

·         sejam contactados intelectuais que concordam em produzir matérias denunciando a situação dos docentes nas IPES;

·         os setores das IFES e IEES/IMES procurem os professores das IPES, em suas instituições, para uma primeira conversa;

·         as seções sindicais e/ou regionais organizem atividades das quais os docentes das IPES possam participar;

·         se utilizem todos os veículos de comunicação (rádios comunitárias) para divulgar temas como: liberdade sindical, precarização do trabalho docente etc;  

·         seja promovida uma campanha de um dia nacional de divulgação do ANDES-SN;

·         se faça um levantamento, com um prazo determinado, de situações de precarização, assédio moral e cerceamento da liberdade sindical para a produção de um dossiê;

·         a luta seja unificada por meio do tema Saúde e Seguridade Social;

·         o dia 1º de maio seja instituído como data base dos três setores;

·         se produzam unificadamente boletins informativos entre seções sindicais de IFES, IPES e IEES/IMES.

·         a CONLUTAS seja fortalecida nos estados;

·         as lutas conjuntas com a Frente Contra a Reforma Universitária sejam fortalecidas.  

GRUPO 2: A PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO NAS IES

Coordenação: Sirlei Aparecida Silveira (ANDES-SN)

Relatoria: Adilson Siqueira de Andrade (SINDUTF-PR)

Participantes:  Zózina Maria Rocha de Almeida (ANDES-SN); Agostinho B. Macedo Benghelli (ANDES) Vera Jacob (ADUFPA);   Clóvis F. R. M. Oliveira (ADUNEB); Norma L. R. de Almeida (ADUFS); Joanir Pereira Passos(ADUNI-RIO); Silvano Pohl M. Castilho(ADUFMAT); Ercilia Maria A. T de Paula(SINDUEPG); Paulo Juarez Rielser(APROFURG); Zezineto Mendes de Oliveira(ADUERN); Sérgio Alfredo Massen Prieb(SEDUFSM) Ricardo Roberto Behr(ADUFES)

COMENTÁRIOS GERAIS

No conjunto, o debate acerca da Precarização do Trabalho nas IES, realizado no GT, focou os seguintes pontos relacionados ao tema em questão:

● inexistência de Plano de Cargos e Salários na maioria das IEES/IMES;

● existência de um grande contingente de professores temporários, horistas e voluntários nas IES;

● expansão e crescimento desordenado das universidades, sem os critérios que assegurem a qualidade da educação superior no país;

● instituição de programas e propostas alternativos para o funcionamento das IES;

● institucionalização da cobrança de taxas e mensalidades nas IES públicas, especialmente nos cursos de extensão e pós-graduação lato sensu;

● ampliação do número e ações das fundações privadas ditas de apoio às universidades públicas, com sérias implicações na autonomia intelectual e científica das IES públicas;

● quebra da carreira docente nas IFES frente ao número crescente de docentes substitutos e de remuneração extra por serviços de natureza privada realizados em várias instituições;

● institucionalização do caráter produtivista e ranqueador na avaliação das atividades docentes nas IES, com implicações, dentre outras, na saúde de um número cada vez maior de professores, dado o desgaste físico e o psicológico em razão do aumento das horas de trabalho, da competição e do individualismo gerado no interior das universidades.


ENCAMINHAMENTO

Recomendou-se que as secretarias regionais do ANDES-SN, em conjunto com as seções sindicais da sua base, realizem e/ou intensifiquem os debates sobre o tema em questão, ou seja: “A Precarização do Trabalho Docente”.


GRUPO 3: AGRESSÕES À AUTONOMIA UNIVERSITÁRIA

Coordenação: Jacob (ANDES-SN)

Relatoria: Marinalva Vilar de Lima (ADUFCG)

Participantes: Marinalva Vilar de Lima (ADUFCG); Jacob (ANDES-SN); Chico Miraglia (ADUSP); Alexandre Nader (ANDES-SN); Marcos (Juiz de Fora); Maria Neusa (ADUESC-ILHEUS); Rosemary (ADUFPA); Simone (ADUNB); Juarez (ADUFF); Sônia Lúcio (ADUFF); Leninha (...); Leonardo (ADUFPI); (ADUEPE); Lighia (ANDES-SN); Sara (ADUFRJ);

COMENTÁRIOS GERAIS

As intervenções enfatizaram o tema da autonomia universitária nas IES, considerando que este não é de fácil compreensão pela sociedade e até mesmo pelos professores. Inicialmente, houve destaque para aspectos específicos de ataque à autonomia universitária por parte de governos e de reitores nas IEES, exemplificados pelo ocorrido recentemente em S. Paulo. Os sete decretos baixados pelo governador José Serra vão de encontro à autonomia até então conquistada pelas universidades paulistas. No ataque ao sistema de ensino superior, o governo colocou a FAPESP sob controle direto da Secretaria de Planejamento, ignorando a articulação entre os três pilares de sustentação da universidade (pesquisa, ensino e extensão). As verbas da educação passaram para o controle da Secretaria de Fazenda e Planejamento, quebrando a autonomia financeira e patrimonial das universidades paulistas; vetou contratações; criou o recadastramento. As medidas do governo paulista levaram a uma reação maciça dos professores (aproximadamente 19.000), no sentido de exigir seus direitos e defender as instituições estaduais de ensino superior de S. Paulo. O reitor da Unicamp (José Tadeu Jorge) reagiu energicamente ao ataque de Serra, 25 diretores assinaram manifesto contra o pacote do governo; na UNESP, o vice-reitor seguiu a mesma linha de Tadeu; na USP, a reitora (Helen Vilela) eximiu-se de posicionar-se mais abertamente, não participou dos debates com a comunidade universitária. Optou por criar uma comissão para avaliar os impactos das medidas de José Serra, fugindo, assim, do enfrentamento direto, como fizeram os outros reitores. Em razão disso, os estudantes da USP ocuparam a reitoria. Participantes vinculados a outras IEES, fora de S.Paulo, também corroboram com outros exemplos aos ataques à autonomia universitária, dentre eles a não-implementação de muitos dos aspectos acordados entre o Movimento Docente e o governo, tais como o repasse do percentual orçamentário nos termos definidos em lei e a participação dos docentes em vários órgãos colegiados.

No caso das IFES, as intervenções contemplaram a articulação do debate entre a agressão à autonomia universitária e a propaganda da proposta da Universidade Nova, de autoria do reitor da UFBA. Vários participantes discorreram sobre como o referido projeto vem sendo apresentado e absorvido em suas respectivas IES. Na maioria delas, as pró-reitorias assumiram o papel de difusoras da Universidade Nova junto às unidades de ensino, sob a promessa de inovação acadêmica e mais verbas para os programas e projetos nas universidades, precedidas, via de regra, por “aula inaugural” ministrada pelo reitor da UFBA (Naomar Monteiro). Porém, em algumas instituições, já se esboçam sinais contrários ao projeto em causa; consideram o MEC autoritário, na medida em que determina mudança às pressas (a data divulgada para o envio de aceite da proposta estava prevista para 30 de abril/2007). Os presentes foram unânimes em destacar que o modelo de universidade pretendida, já em forma de decreto (REUNI), piora substantivamente a situação dos cursos de graduação nas IFES e a precarização do trabalho docente, contrariamente ao que propagam os representantes do governo e administrações superiores quando afirmam que o “novo modelo” favorece a autonomia universitária, pois possibilita que os próprios reitores cuidem da reposição automática do quadro docente, dentre outros aspectos. Em verdade, tudo indica que o que está em curso com a criação do Professor Equivalente é a redução da Dedicação Exclusiva nas IFES e a substituição das exigências de maior qualificação docente, além da desvinculação entre pesquisa, ensino e extensão. Há que atentar, também, para os fatos de que o decreto em causa não aloca nenhum recurso financeiro a mais para a execução de novas propostas, o financiamento disponibilizado para o ensino superior é insuficiente para as ações já em andamento e, que sem dinheiro, é impossível falar em autonomia de gestão nas universidades. Agregando-se a isso, muito da autonomia universitária, naquilo que diz respeito à liberdade acadêmica, vem sendo minado frente à adequação dos projetos pedagógicos às exigências do MEC em relação aos chamados currículos nacionais. Porém, não há uma compreensão acerca dessas questões, assim como do verdadeiro sentido da autonomia no conjunto dos docentes. Não se pode perder de vista que a universidade está encharcada pela lógica do mercado, o que dificulta a construção de contraposições. No entanto, começa a ser observada uma retomada da luta estudantil em defesa da universidade pública, laica e gratuita em vários lugares.



ENCAMINHAMENTOS

● Elaborar texto (ainda que incipiente) que servirá como documento para respaldar o trabalho nas IEES e que deverá ser entregue ao MEC na audiência marcada com o ANDES-SN para 9 de maio.

● Indicar que as seções sindicais

 utilizem os meios de comunicação para combater a proposta de Universidade Nova, enfocando como ponto fundamental o ataque à autonomia universitária.

No 23 de maio, que foi apontado como dia de mobilização e de luta unificada contra as reformas, que os sindicatos marquem audiência com as reitorias para a entrega de kits (material que será disponibilizado pelo sindicato nacional) e que estes constem do texto, indicado no item a. O texto que servirá de suporte ao combate da proposta de Universidade Nova deverá ser concluído pelo GT PE.

ANEXO

  

GRUPO 3 – AGRESSÕES A AUTONOMIA NAS UNIVERSIDADES

TEXTO PARA O DOCUMENTO A SER ENVIADO ÀS ADS.

AUTONOMIA E DEMOCRACIA: A UNIVERSIDADE BRASILEIRA

1. Divulgação ampla da idéia de autonomia e democracia como sendo constitutivas de uma universidade (Alexandre Nader e Chico Miraglia).

2. Financiamento adequado da capacidade instalada com:

a) contratação de professores e funcionários para prover condições concretas e adequadas à criação e à apropriação crítica de conhecimento;

b) investimento público na gratuidade ativa e em políticas de permanência estudantil de forma a garantir o direito social ao ensino público e gratuito.

3. O debate sobre a possível transformação de modelo, ou mesmo de convivência de modelos, só poderá ser frutífero quando afastado de políticas deliberadas de destruição do parque universitário público e de procedimentos incompatíveis com o exercício de mandato público: a propagação de desinformação (quais são as idéias e normas da chamada Universidade Nova) e a chantagem, praticada por meio da oferta de dinheiro suplementar, freqüentemente sem garantia real de aporte, a um sistema estrangulado financeira e academicamente e que, mesmo assim, fruto do esforço e dedicação de seus quadros, se constitui em patrimônio científico, artístico , tecnológico e cultural da população brasileira.

4. Que não paire dúvida sobre a defesa que o Movimento Docente faz da generalização do ensino público e gratuito em todos os níveis. Ao mesmo tempo, consideramos um direito social fundamental e inalienável o acesso de todos os brasileiros à educação crítica de qualidade.

5. Fariam mais e melhor o poder executivo e o legislativo federal, dos estado e dos municípios se, além de sustentar e ampliar o ensino público e gratuito nas balizas indicadas acima, coibissem os abusos perpetrados no setor particular de ensino, onde proliferam instituições sem qualificação alguma, a falta de condições dignas de trabalho, ausência de carreira e a perseguição a docentes e estudantes que tentam tornar-se sujeitos do processo educacional ou defender seus direitos.

São violados princípios constitucionais e legais como direito a organização sindical, a necessária democracia na administração da instituição educacional das mantenedoras e os interesses empresariais que as controlam.

6. Educação não é negócio, ensino não é mercadoria. Nenhum governo que, remotamente, possa ser considerado democrático e republicano pode ser instrumento para auferir lucro por meio da exploração de serviços que são decorrentes de direitos sociais fundamentais como saúde e educação. O modelo de educação liga-se diretamente ao modelo de sociedade em que vivemos ou queremos viver.

 

Brasília-DF, 4 de maio de 2007

 


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