Professor Frederico Flósculo Pinheiro Barreto
Departamento de Projeto, Expressão e Representação em Arquitetura e Urbanismo.
A professora Mariza Monteiro Borges colocou observações – em resposta a artigo que escrevi - com que concordo, com suas questões de ORDEM. A Ordem está no centro do artigo inicial. No entanto, temos compreensões diferentes do que seja “ordem”. Certamente essa direção da discussão pode ser bem esclarecedora. Acho que a ADUnB faz bem em acolher essa discussão. Há mais coisas a surgir através da discussão pública.
Ordem, a meu ver, significa algo que deve permitir e assegurar a confiança depositada em nossa comunidade, em nossa sociedade, em nossas instituições. Para mim é isso que os nossos Reitores psicólogos lamentavelmente não asseguraram e não asseguram. Eles me parecem mais aptos quanto a jogar problemas para debaixo do tapete. Como consumidor dos seus serviços, afirmo: Esses Reitores dão PROCON.
Se esses Reitores citados no artigo inicial são psicólogos, Mariza, que isso seja dito. Tirei partido disso, dessa condição profissional desses importantes personagens políticos, para a reflexão que fiz sobre o atentado contra a vida dos estudantes africanos.
A expectativa que mantenho, de que pessoas com essa formação (de psicólogos) sejam mais consistentes quanto a seus comportamentos profissionais e públicos é compreensível, você há de concordar comigo.
Ser psicólogo, eu creio, implica numa certa expectativa profissional e política, numa certa qualidade e lisura devida a seu conhecimento e treinamento – espero que você concorde também.
Será que a referência aos psicólogos – e que lhe parece tão desrespeitosa - não é, na verdade, uma forma profunda de respeito e reconhecimento ?
Então, professora Mariza, quanto ao flanco pela qual você ataca, peço que vá com mais calma. Se esses eminentes psicólogos não exemplificam qualidade e lisura com respeito à ordem desejada na Universidade, se isso não ocorre, e se há um padrão que pode ser reconhecido, e esse padrão é público, se tem relevância pública, temos aí um problema. Para todos os universitários, não somente para os psicólogos, infelizmente.
Se, por outro lado, a crítica aos dirigentes for uma forma de desrespeito à UnB, estamos com outro problema. Sou, como a senhora fala, de oposição a determinados aspectos da atual administração. Mas não comungo de vossas regras de oposição, professora Mariza. Não me venha dizer como fazer oposição, por favor. Você passa a ser parte do problema, se é que pensa ter tanta superioridade moral como pretende. Daqui a pouco me expulsa da Universidade.
Todos devemos discutir e perceber os padrões de conduta de nossos Reitores sejam de que categoria profissional que sejam. Se são psicólogos, e se os psicólogos não discutem publicamente o que personagens públicas – sejam essas personalidades públicas psicólogos -, outros discutirão. Que venham, então, os psicólogos, ao debate ! Estão desafiados.
Infelizmente, professora Mariza, percebo em sua argumentação um tom chauvinista de defesa da corporação. Agora o ataque aos Reitores Psicólogos surge, na sua argumentação, como um ataque à Psicologia. Tolice. Chauvinismo profissional tolo, professora. Claro que eu tenho consciência que, ao colocar em evidência a profissão que associa dois Reitores com condutas políticas assemelhadas, eu posso comprar briga com a corporação que os abriga. Se a discussão for por esse caminho, que venham os psicólogos. Que eu saio correndo, pela outra ponta. Brigar com psicólogo é coisa de louco.
Está pintando uma Electra no debate – o debate ficará Electrica, me perdoe.
Mas, professora Mariza, dizer que eu pareço desconhecer a Psicologia é ofensivo, não apenas a mim, mas ao próprio Instituto de Psicologia. Agora você pegou pesado, professora. Estou no programa de pós-graduação há OITO ANOS, por razões que posso especificar, se desejar – tanta demora para escrever uma tese. Durante esse período estudei com excelentes professores – com você infelizmente, não. Aprendi muito sobre Psicologia, mas vejo que ainda há muito a aprender sobre os psicólogos.
A questão, professora Mariza, CONTINUA DO MESMO TAMANHO, e sua resposta não tocou nela: a agressão aos estudantes africanos está relacionada a um padrão de omissão de nossas administrações universitárias ? Não esperaríamos dos Reitores, psicólogos OU NÃO, uma atitude administrativa mais alerta e responsável com relação ao fatos básicos da ordem do convívio, da honestidade no trato com a coisa pública, com a “eticidade de nossa presença no mundo”, para usar suas próprias Freirianas palavras, professora ?
Que venham os Psicólogos. E as psicólogas, gente aguerrida.