Informativo eletrônico da ADUnB
Brasília
30 de abril de 2007
Nº 23


Leia nesta edição:

 


 

A pedido do professor Frederico Flósculo Pinheiro Barreto:

RESPOSTA À PROFESSORA MARIZA MONTEIRO BORGES
(SEU ARTIGO PUBLICADO NO ADUNB INFORMA ON LINE Nº 22, DE 26 DE ABRIL DE 2007)


Professor Frederico Flósculo Pinheiro Barreto

Departamento de Projeto, Expressão e Representação em Arquitetura e Urbanismo.

A professora Mariza Monteiro Borges colocou observações – em resposta a artigo que escrevi - com que concordo, com suas questões de ORDEM. A Ordem está no centro do artigo inicial. No entanto, temos compreensões diferentes do que seja “ordem”. Certamente essa direção da discussão pode ser bem esclarecedora. Acho que a ADUnB faz bem em acolher essa discussão. Há mais coisas a surgir através da discussão pública.

Ordem, a meu ver, significa algo que deve permitir e assegurar a confiança depositada em nossa comunidade, em nossa sociedade, em nossas instituições. Para mim é isso que os nossos Reitores psicólogos lamentavelmente não asseguraram e não asseguram. Eles me parecem mais aptos quanto a jogar problemas para debaixo do tapete. Como consumidor dos seus serviços, afirmo: Esses Reitores dão PROCON.

Se esses Reitores citados no artigo inicial são psicólogos, Mariza, que isso seja dito. Tirei partido disso, dessa condição profissional desses importantes personagens políticos, para a reflexão que fiz sobre o atentado contra a vida dos estudantes africanos.

A expectativa que mantenho, de que pessoas com essa formação (de psicólogos) sejam mais consistentes quanto a seus comportamentos profissionais e públicos é compreensível, você há de concordar comigo.

Ser psicólogo, eu creio, implica numa certa expectativa profissional e política, numa certa qualidade e lisura devida a seu conhecimento e treinamento – espero que você concorde também.

Será que a referência aos psicólogos – e que lhe parece tão desrespeitosa - não é, na verdade, uma forma profunda de respeito e reconhecimento ?

Então, professora Mariza, quanto ao flanco pela qual você ataca, peço que vá com mais calma. Se esses eminentes psicólogos não exemplificam qualidade e lisura com respeito à ordem desejada na Universidade, se isso não ocorre, e se há um padrão que pode ser reconhecido, e esse padrão é público, se tem relevância pública, temos aí um problema. Para todos os universitários, não somente para os psicólogos, infelizmente.

Se, por outro lado, a crítica aos dirigentes for uma forma de desrespeito à UnB, estamos com outro problema. Sou, como a senhora fala, de oposição a determinados aspectos da atual administração. Mas não comungo de vossas regras de oposição, professora Mariza. Não me venha dizer como fazer oposição, por favor. Você passa a ser parte do problema, se é que pensa ter tanta superioridade moral como pretende. Daqui a pouco me expulsa da Universidade.

Todos devemos discutir e perceber os padrões de conduta de nossos Reitores sejam de que categoria profissional que sejam. Se são psicólogos, e se os psicólogos não discutem publicamente o que personagens públicas – sejam essas personalidades públicas psicólogos -, outros discutirão. Que venham, então, os psicólogos, ao debate ! Estão desafiados.

Infelizmente, professora Mariza, percebo em sua argumentação um tom chauvinista de defesa da corporação. Agora o ataque aos Reitores Psicólogos surge, na sua argumentação, como um ataque à Psicologia. Tolice. Chauvinismo profissional tolo, professora. Claro que eu tenho consciência que, ao colocar em evidência a profissão que associa dois Reitores com condutas políticas assemelhadas, eu posso comprar briga com a corporação que os abriga. Se a discussão for por esse caminho, que venham os psicólogos. Que eu saio correndo, pela outra ponta. Brigar com psicólogo é coisa de louco.

Está pintando uma Electra no debate – o debate ficará Electrica, me perdoe.

Mas, professora Mariza, dizer que eu pareço desconhecer a Psicologia é ofensivo, não apenas a mim, mas ao próprio Instituto de Psicologia. Agora você pegou pesado, professora. Estou no programa de pós-graduação há OITO ANOS, por razões que posso especificar, se desejar – tanta demora para escrever uma tese. Durante esse período estudei com excelentes professores – com você infelizmente, não. Aprendi muito sobre Psicologia, mas vejo que ainda há muito a aprender sobre os psicólogos.

A questão, professora Mariza, CONTINUA DO MESMO TAMANHO, e sua resposta não tocou nela: a agressão aos estudantes africanos está relacionada a um padrão de omissão de nossas administrações universitárias ? Não esperaríamos dos Reitores, psicólogos OU NÃO, uma atitude administrativa mais alerta e responsável com relação ao fatos básicos da ordem do convívio, da honestidade no trato com a coisa pública, com a “eticidade de nossa presença no mundo”, para usar suas próprias Freirianas palavras, professora ?

Que venham os Psicólogos. E as psicólogas, gente aguerrida.

 

 

 

 

A pedido do professor Jairo Eduardo Borges-Andrade:

 

Reitores não precisam ser psicólogos organizacionais

A presente mensagem refere-se ao texto REFLEXÃO SOBRE O ATAQUE DO 28 DE MARÇO AOS ESTUDANTES AFRICANOS – O PADRÃO HISTORICAMENTE OMISSO DA REITORIA, publicado no ADUnB Informa online, de 17/4/2007, em que o Prof. Frederico Flósculo Pinheiro Barreto afirma que " Esses nossos reitores psicólogos parecem ter mesmo algo em comum: não são da área da psicologia das organizações, e apresentam padrões de conduta assemelhados ..."

Lamentável a sugestão implícita no argumento do autor, de que reitores psicólogos precisam pertencer à área de psicologia das organizações, para alcançarem desempenho apropriado como administradores, ou para não realizarem o que o autor denuncia que teriam ou estariam fazendo na UnB. Gestores de organizações ocupam tais posições por razões de natureza política, social e econômica, dentre outras. Quando o fazem, não precisam pertencer a qualquer área ou sub-área profissional ou de conhecimento. A crença nesta necessidade infelizmente existe e está baseada em dois equívocos. Um que tem como base um pressuposto corporativista que visa reservar mercados profissionais. O outro supõe que somente a ciência é capaz de resolver os problemas do mundo.
 
A psicologia das organizações faz sua parte, produzindo e divulgando conhecimentos e tecnologias que podem ser usados para melhorar os processos referentes à gestão dessas organizações. A apropriação e uso desses conhecimentos e tecnologias pode ser feita de muitas e variadas formas. Dificilmente a melhor estratégia para que isto ocorra será pela exigência de que os gestores passem a ser especialistas em psicologia das organizações.


Prof. Jairo Eduardo Borges-Andrade
Pós-graduação em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações
Universidade de Brasília http://www.unb.br/ip/pst/
 

Expediente:
ADUnB Informa On Line é uma publicação da Associação dos Docentes da UnB
Sede e Redação: Campus Universitário Darcy Ribeiro - Gleba A - Casa do Professor
Caixa Postal nº 04425 - Cep: 70919-970 - Brasília-DF
Fones: (61) 3307-1157, 3307-2462 e 3307-3395

Jornalista: Ricardo Borges Contatos: imprensa@adunb.org.br Site: http://www.adunb.org.br

A Diretoria da ADUnB-S.Sind. não se responsabiliza pelas opiniões expressas em artigos e matérias assinados.