Informativo eletrônico da ADUnB
Brasília
26 de abril de 2007
Nº 22


A pedido da professora Mariza Monteiro Borges:

 

Resposta ao artigo do professor Frederico Flósculo

Desde a publicação do artigo REFLEXO SOBRE O ATAQUE DO 28 DE MARÇO AOS ESTUDANTES AFRICANOS: O PADRÃO HISTORICAMENTE OMISSO DA REITORIA,  de autoria do Prof Frederico Flósculo Pinheiro Barreto, publicado no ADUnB Informa de 17 de abril de 2007, venho refletindo sobre as idéias ali veiculadas e sobre a oportunidade de reagir a elas.

O artigo me incomodou, não nego, mas não gostaria que minha manifestação fosse uma reação ao meu próprio incômodo, o que certamente me faria bem. Embora o silêncio nunca tenha sido a minha forma predileta de agir, a vida me ensinou que há momentos psicológicos mais adequados para quebrar o silêncio, que é melhor esperar, recuperar a capacidade de raciocinar e, então, falar. Sinto-me pronta para reagir às idéias do Prof. Frederico. Espero que eu realmente esteja pronta e que ao tornar público o que penso eu não esteja simplesmente fazendo um desabafo.

No longo artigo, o Professor Frederico toma como ponto de partida o lamentável atentado contra os estudantes africanos para nos trazer à luz um outro episódio que, nas palavras do próprio Prof. Frederico, “ quero ligar a esse evento do atentado contra a vida dos estudantes africanos”.

O episódio refere-se a transgressões que ocorreram na Casa do Estudante, há mais de uma década, que envolveram estudantes negros na condição de denunciados e de denunciantes. Descrevendo as transgressões com cores fortes, o professor continua o seu discurso explicitando a recomendação de punição que foi feita pela comissão de sindicância da qual ele participou e a “revelação” de que o processo fora engavetado pela administração superior da UnB.

A ligação entre os dois episódios, no entender do professor Frederico, permite-lhe identificar e atribuir a dois reitores da UnB um só estilo administrativo caracterizado pela omissão no que diz respeito à ordem interna da UnB.

A partir do desenho da “teoria topográfica da omissão”, o professor parece sentir-se fortemente alicerçado para passar a analisar e, sobretudo, desqualificar o que bem lhe aprouver.

Nessa tarefa, o Prof Frederico arma uma trama na qual a Psicologia funciona como contexto para todas as suas conclusões. No afã de acusar e desqualificar os reitores e suas políticas, ele desrespeita a Psicologia, enquanto área de conhecimento, e desrespeita os psicólogos.

Permito-me dizer, Professor Frederico, que a Psicologia que o senhor parece desconhecer dispõe de melhores instrumentais teóricos e técnicos para dar conta de descrever e estudar o ser humano na sua relação com o mundo e com os outros seres humanos. O conhecimento psicológico não torna os psicólogos mais aptos ou menos aptos para o exercício pleno da cidadania ou para a ocupação de postos políticos ou administrativos. A contribuição da Psicologia para a sociedade é bem diferente daquela que o senhor concebe.

Permito-me, ainda, dizer que se deve haver uma ordem na Universidade, esta deve ser a ordem das idéias, a ordem do fazer acadêmico, a ordem do respeito à diversidade, a ordem do respeito às áreas do conhecimento, a ordem do respeito às pessoas, a ordem do respeito à própria UnB.

Certamente, Prof. Frederico, a oposição política só contribuirá para o avanço da instituição se for pautada pelas ordens que listei acima. Se a oposição pautar o seu discurso e a sua prática no mesmo molde do discurso e da prática que pretende superar, esgota-se, como diria Paulo Freire, a eticidade de nossa presença no mundo.

 

Mariza Monteiro Borges

Psicóloga

Prof. Aposentada - UnB

Associada da ADUnB

 

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