Informativo eletrônico da ADUnB
Brasília
4 de abril de 2007
Nº 15

Pedido de publicação da profª Alejandra Pascual

 

CARTA DE REPÚDIO À TENTATIVA DE HOMICIDIO

CONTRA ESTUDANTES DA UnB

 


Muitas vezes observamos que as próprias vítimas de violência acabam sendo transformadas em culpadas dessa violência; assim, a menina de cinco anos sadicamente estuprada pelo tio, vizinho, amigo da família, é transformada em "culpada" pelo agressor, sob a alegação de que ela o teria provocado com olhares insinuantes e atitudes sensuais.

A mulher, vítima de espancamento por parte do companheiro, marido, namorado, é transformada em "culpada" da agressão sofrida sob a alegação de que ela "merecia" essa violência porque andava muito "largada" ou porque não era nenhuma santa mesmo... 

Durante recentes ditaduras militares, as vítimas de tortura, de "desaparecimento-forçado", de prisões ilegais por parte das forças de segurança eram "culpabilizadas" por grande parte da população dos países sob regime militar sob a alegação de que "em alguma coisa essas pessoas deviam estar envolvidas".

Atualmente, pessoas submetidas à prática da tortura, da repressão e/ou prisão ilegal e a tantas outras formas de violência não apenas não recebem o apoio solidário e a indignação de nossa sociedade, como, muito pelo contrário, acabam sendo consideradas "culpadas" pela violência padecida por elas devido a sua condição de "pobres", de "negros", de "desempregados", de "marginalizados", de "maconheros", de "vagabundos" etc., etc., etc.

Observo perplexa, nestes últimos dias o surgimento de vozes que levantam a acusação de que os estudantes da UnB que foram vítimas de tentativa de homicídio teriam sido, na verdade, os "responsáveis" -ou "culpados"- pelo ato criminoso praticado contra eles ... (alegam, por exemplo, que as vítimas teriam sido provocadores, baderneiros, estranhos, diferentes, estrangeiros, irresponsáveis, largados, bagunceiros, não-pobres, etc., etc., etc.) 

Como professora da UnB não posso deixar de manifestar minha repulsa por algo que parece óbvio mas que, a partir de certas declarações, percebo que não é tão óbvio: manifesto publicamente meu repúdio e minha condenação contra aqueles que praticaram a fracassada tentativa de homicídio de um grupo de nossos estudantes, no Campus da UnB.

Manifesto publicamente a minha solidariedade, meu total e incondicional apoio aos estudantes agredidos; isso é o mínimo que posso fazer neste momento de luto dentro do Campus: deixar clara, explicitamente clara, minha condenação a tão covarde crime, é minha obrigação!. Parece que o que deveria ser óbvio precisa ser esclarecido.

Contudo, da minha parte, sinto que isso não é ainda suficiente: sinto-me, então, no dever moral tanto de acompanhar o desencadear das investigações para que  os culpados sejam realmente punidos como de contribuir para que na UnB NUNCA MAIS!!! haja espaço para qualquer tipo de prática discriminatória e/ou preconceituosa.

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                                                                  ALEJANDRA PASCUAL

                                    Coordenadora do Grupo de Estudos " Direitos Humanos e

                                            Ações Afirmativas: o Direito na Diversidade" ,

Faculdade de Direito-UnB, inserido no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq.

Professora adjunta da Faculdade de Direito/UnB e Pesquisadora nível PQ2 do CNPq

 


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ANDES-SN

Movimentos sociais vão à luta no dia 17 de abril

O ANDES-SN marcou presença nos encontros realizados em São Paulo, nos dias 25 e 26 de março. O primeiro, chamado para aglutinar forças para a luta contra as reformas neoliberais, reuniu mais de cinco mil pessoas e criou o Fórum Nacional de Mobilização Contra as Reformas Neoliberais. O segundo reuniu mais de mil pessoas para organizar as ações da Frente de Luta Contra a Reforma Universitária. Os dois eventos adotaram como método, para a construção de seus calendários, a unificação de ações em torno de datas que já haviam sido estabelecidas por determinados movimentos, com o objetivo de acumular forças para ações comuns mais contundentes ao longo do ano.

A primeira data do calendário é o dia 17 de abril. Inicialmente o MST, movimento que esteve representado no encontro do dia 25 de março e que está discutindo sua integração mais efetiva ao Fórum Nacional, programou ações (ocupações, fechamento de rodovias, etc.) para a semana do dia 17, em sua jornada de lutas chamada de abril vermelho. Os servidores públicos federais, em sua última plenária, definiram a realização de manifestações em todos os estados no dia 17, como o primeiro momento de pressão pela abertura de negociações. O Fórum das Seis, que reúne as organizações sindicais das universidades estaduais paulistas, está convocando paralisação, para o dia 17, contra os decretos do governador José Serra que atacam a autonomia universitária. Os professores das estaduais da Bahia estão em franco processo de mobilização. Outros movimentos do campo e da cidade também irão se manifestar no dia 17 de abril. O objetivo desses diversos movimentos, ao buscar a articulação de ações e potencializar as mobilizações, é o de que as diversas lutas não podem mais ser encaradas isoladamente.

O ANDES-SN e as seções sindicais participarão da construção do dia 17 de abril, combinando discussão com a base docente com a articulação com os estudantes os servidores técnico-administrativos e demais segmentos sociais envolvidos na luta.

 


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