|
Fórum
Social Mundial 2007 Foco nas ações dos movimentos sociais deu certo
O Fórum Social Mundial deste ano deu visibilidade às lutas, campanhas e ações concretas dos povos na construção de outro mundo possível. Essa foi a principal mudança em relação às edições anteriores. Realizado em Nairobi, capital do Quênia, entre 20 e 25 de janeiro, o evento contou com a presença de 60 mil pessoas oficialmente inscritas, sendo 80% de africanos, que participaram de um fórum pela primeira vez. Um ponto a destacar neste fórum foi a marcante participação de grupos populares organizados por igrejas. Em relação à participação estrangeira, foram pelo menos 400 italianos, 450 franceses, 600 estadunidenses e cerca de 400 brasileiros. Promover a paz e garantir direitos - Os movimentos sociais do Sudão, Uganda, Tanzânia, Etiópia e Somália foram os mais acionados. Liderados pelos palestinos, iraquianos e iranianos, o povo africano foi convocado a participar das manifestação contra as guerras, incluindo aí as internas, travadas entre eles, e contra a política imperialista dos EUA. Campanha Global pela Reforma Agrária na África - A Via Campesina lançou Campanha Global pela Reforma Agrária para a África. Desde 1996, a campanha é desenvolvida na América Latina e vem rendendo bons frutos, que a partir de agora poderão ser colhidos em terras africanas. Um dos objetivos é o combate à fome. Somente na África do Sul existem cerca de 15 milhões de sem terra. No continente africano são mais de 15 milhões de deslocados pelas últimas guerras. A delegação da Via Campesina contou com 50 delegados vindos de vários países, tais como, África do Sul, Brasil, Índia, França, Cuba, República Dominicana, Cuba, Nepal, Madagascar, Tailândia, Honduras, Nicarágua, Noruega, Moçambique, Espanha, Indonésia e Filipinas. Além de lutar pela reforma agrária, a Via Campesina defende os recursos naturais do planeta e combate o agronegócio, o latifúndio e as transnacionais. Movimento feminista - No dia 23, o terreno do FSM foi palco de uma Marcha Mundial de Mulheres contra Todas as Formas de Fundamentalismos. O evento, que vem sendo realizado desde o primeiro fórum, em 2001, reuniu, desta vez, centenas de militantes de diferentes regiões da África e de outros continentes, deixando claro que a discriminação, a desigualdade e a violência sofridas pelas mulheres são bem semelhantes em todo o mundo. No lançamento da campanha, houve um protesto contra a circunscisão e mutilações de mulheres africanas. O fórum de 2008 deverá ser diferente. A proposta é organizar manifestações de rua durante dois dias consecutivos em todos os cantos do planeta. "É como se fosse possível reunir dez ou 15 milhões de pessoas ao mesmo tempo, criando a sensação de proximidade numa jornada internacional de luta", disse Cândido Grzybowski, diretor-geral do Ibase e membro do Conselho Internacional do FSM. O encerramento do fórum reuniu mais de 60 mil pessoas no Parque Uhuru, situado no centro de Nairobi. A maioria era jovem. Somente o FSM permitiria tanta gente reunida para gritar: "Another Africa is posible! Another the world is posible...", trocando a palavra principal por Quênia, Etiópia, Somália, Ruanda, Gana, Madagásgar, África do Sul, Tanzânia. O local não poderia ser melhor, pois, lá, Uhuru significa "liberdade", na língua mais falada: o quicuio. * Paulo
Miranda viajou a Nairóbi à convite do FSM e
gravou mais de 12 horas de manifestações e cenas
da cidade e do Quênia para veicular na TV Comunitária
- canal 8, na NET, ou via web: www.tvcomunitariadf.com.br.
|
|
Expediente: A Diretoria da ADUnB-S.Sind. não se responsabiliza pelas opiniões expressas em artigos e matérias assinados. |