Manifestação
repudia truculência contra
os docentes e a população de Oaxaca
Na última
quarta-feira (1º/11) foi realizada, em frente à Embaixada
do México, manifestação de repúdio
à ação truculenta do governo do estado mexicano
de Oaxaca contra professores, estudantes e a população.
Participaram
representantes das seguintes entidades, partidos e movimentos
sociais: ANDES-SN, ADUnB, Conlutas, PSTU, PSOL, Sindágua-DF,
Movimento Antiimperialista, Comitê de Solidariedade aos
Povos Palestino e Libanês e contra as Guerras Imperialistas,
Convergência dos Povos Autônomos e Movimento dos Trabalhadores
Desempregados.
Os manifestantes entregaram
uma carta a um representante da embaixada, que se comprometeu
a encaminhar ao governo de Oaxaca.
Leia a íntegra
do documento:
EM DEFESA DO POVO E DA ASSEMBLÉIA POPULAR DOS POVOS
DE OAXACA
Nota
Pública dirigida ao Governo Mexicano e ao Ministério
das Relações Exteriores do Brasil
As entidades signatárias
dessa Nota Pública expressam toda a sua ativa solidariedade
à Assembléia Popular dos Povos de Oaxaca –
México, vítimas de covarde repressão da força
policial-militar do Estado e da Federação. Oferecemos
nossa solidariedade às famílias que perderam seus
entes queridos pela insânia repressora do governo e fazemos
nossa a voz do povo mexicano que clama por justiça.
A ação
da Polícia Federal Preventiva objetivou criminalizar uma
justa mobilização social que envolve, entre outros
lutadores, camponeses, povos originários, operários
e professores da Seção 22 do SNTE. O derramamento
de sangue impingido pela repressão foi um recurso fascista
para silenciar a democracia, a auto-organização
popular, a autonomia e a busca de condições dignas
de vida. Essa ação sanguinária é um
crime hediondo que não será esquecido em toda a
América Latina e ficará na memória das lutas
de todos os povos do mundo.
Responsabilizamos diretamente
ULISES RUIZ e seu gabinete pelos assassinatos e acontecimentos
violentos que se vêm agravando desde 14 de junho, devido
a sua falta de capacidade para conduzir a solução
do conflito e por seu irresponsável apego a um cargo que
já não pode mais ocupar. Ao contrário, os
seus atos ampliam ainda mais a escalada de violência e terror,
que, na altura, inclui a ação de forças paramilitares.
Responsabilizamos também
o governo de Vicente Fox por sua omissão e conivência
frente a esses graves acontecimentos. O Governo continua não
reconhecendo a existência de um problema social e político
em Oaxaca, recusando o diálogo aberto e amplo. A sua responsabilidade
é maior quando é notório que dispunha de
recursos para encaminhar favoravelmente as justas reivindicações
dos movimentos.
Também o PRI
é co-responsável por esses terríveis assassinatos,
torturas, ferimentos e desaparecimentos, pois tem ratificado as
ações criminosas do Governo oaxaquenho.
Responsabilizamos o
Senado da República, pois preferiu também ratificar
os poderes a serviço da morte em Oaxaca, quando estava
ciente de que o governo local não estava disposto a uma
saída pacífica e negociada e que iria lançar
mão da criminalização dos movimentos sociais.
Pelas razões
expostas:
exigimos a saída
imediata de Ulises Ruiz como fator de distensão, objetivando
empreender de imediato mudanças sociais profundas no Estado;
rechaçamos o
uso da força pública como meio de intervenção
no conflito social e defendemos o estado de direito;
exigimos a implementação
de um plano emergencial de defesa da integridade dos povos da
região e o atendimento das justas reivindicações
dos lutadores oaxaquenhos.
exigimos que o Estado
Brasileiro denuncie os Estados Unidos Mexicanos à Corte
de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos
devido à grave violação do Pacto de São
José da Costa Rica.
reivindicamos que a
Embaixada do México no Brasil desempenhe papel protagonista
na defesa da integridade dos lutadores e do povo de Oaxaca;
reivindicamos que o
Ministério das Relações Exteriores do Brasil
atue de modo incisivo na exigência de que o Governo mexicano
respeite os direitos humanos do povo de Oaxaca.
Assim, conclamamos
todos os movimentos sociais e de defesa dos direitos humanos a
acompanhar os desdobramentos dos graves acontecimentos que fazem
sangrar todos os lutadores latino-americanos, em defesa da vida
e da integridade dos povos, em defesa do direito de manifestação
e de auto-organização dos que lutam pela justiça
e pela igualdade social.
Apoiamos e desejamos
que a experiência de luta do povo de Oaxaca seja motivo
de esperança para todos os latino-americanos.
Brasília,
1º de novembro de 2006