ADUnB
repudia repressão no México
A diretoria
da ADUnB se solidariza com os docentes e com a população
do estado de Oaxaca, no México, e repudia a ação
do governo e da Polícia Federal Preventiva mexicana, bem
como da milícia paramilitar pró-governo daquele
estado que, segundo informações da imprensa alternativa,
até o sábado, 28 de outubro, fez várias mortes
entre professores, estudantes e a população.
A greve, iniciada
pela seção 22 do Sindicato Nacional dos Trabalhadores
em Educação (SNTE), pela qual reivindicavam o rezoneamento
do custo de vida com reajustes salariais para a categoria e de
cunho meramente trabalhista, começou com a paralisação
de 70 mil docentes em maio e se converteu em um protesto popular
massivo a partir do dia 14 de junho, data em que, desde a madrugada,
o governo de Oaxaca, sob o comando do governador Ulises Ruiz Ortiz,
realizou uma operação de despejo usando a polícia
estadual.
A operação
teve como conseqüência graves distúrbios que
se prolongaram durante o dia. A polícia tentou dispersar
os manifestantes com gases lacrimogêneos e armas de fogo.
A partir daí vários movimentos populares se uniram
ao movimento docente e formaram a Assembléia Popular dos
Povos de Oaxaca (APPO). Desde então, quase diariamente
houve enfrentamentos entre a polícia e os manifestantes.
No dia 27
de outubro, diante de mais um enfrentamento, paramilitares pró-governo
assassinaram quatro pessoas, dentre as quais um cinegrafista do
Centro de Mídia Independente do México, e balearam
um repórter fotográfico do jornal Diario Milenio,
os quais cobriam o levante da população contra a
chegada das tropas da Polícia Federal Preventiva, enviada
para a capital do estado de Oaxaca pelo presidente Vicente Fox.
No início de outubro, o professor Pánfilo Hernández,
dirigente da APPO, foi assassinado por pistoleiros quando saía,
num automóvel, de uma reunião da APPO. Até
o início de outubro, nove integrantes da Assembléia
Popular dos Povos de Oaxaca haviam sido mortos e vários
manifestantes e lideranças sindicais do SNTE, bem como
dos movimentos populares, estão presos.
Além
das reivindicações salariais, os movimentos docente
e popular reivindicavam também a renúncia do governador
de Oaxaca, Ulises Ruiz Ortiz, por ingovernabilidade. Ele assumiu
o governo do estado em agosto de 2004, depois de uma eleição
fraudulenta, para comandar a região até o ano de
2010. Segundo denúncia do movimento docente, ele segue
uma política altamente repressiva que criminaliza os movimentos
sindical e popular. Além disso constituiu grupos paramilitares
para impor sua lei e privatizou terras, água, praias e
minerais do estado. Oaxaca é um dos estados mexicanos mais
pobres. Situado no sul do país, nele se concentram cerca
de 50% da população indígena.