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Informa On line
Informativo eletrônico da ADUnB
Brasília
31 de outubro de 2006
Nº 42

 



ADUnB repudia repressão no México

A diretoria da ADUnB se solidariza com os docentes e com a população do estado de Oaxaca, no México, e repudia a ação do governo e da Polícia Federal Preventiva mexicana, bem como da milícia paramilitar pró-governo daquele estado que, segundo informações da imprensa alternativa, até o sábado, 28 de outubro, fez várias mortes entre professores, estudantes e a população.

A greve, iniciada pela seção 22 do Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Educação (SNTE), pela qual reivindicavam o rezoneamento do custo de vida com reajustes salariais para a categoria e de cunho meramente trabalhista, começou com a paralisação de 70 mil docentes em maio e se converteu em um protesto popular massivo a partir do dia 14 de junho, data em que, desde a madrugada, o governo de Oaxaca, sob o comando do governador Ulises Ruiz Ortiz, realizou uma operação de despejo usando a polícia estadual.

A operação teve como conseqüência graves distúrbios que se prolongaram durante o dia. A polícia tentou dispersar os manifestantes com gases lacrimogêneos e armas de fogo. A partir daí vários movimentos populares se uniram ao movimento docente e formaram a Assembléia Popular dos Povos de Oaxaca (APPO). Desde então, quase diariamente houve enfrentamentos entre a polícia e os manifestantes.

No dia 27 de outubro, diante de mais um enfrentamento, paramilitares pró-governo assassinaram quatro pessoas, dentre as quais um cinegrafista do Centro de Mídia Independente do México, e balearam um repórter fotográfico do jornal Diario Milenio, os quais cobriam o levante da população contra a chegada das tropas da Polícia Federal Preventiva, enviada para a capital do estado de Oaxaca pelo presidente Vicente Fox. No início de outubro, o professor Pánfilo Hernández, dirigente da APPO, foi assassinado por pistoleiros quando saía, num automóvel, de uma reunião da APPO. Até o início de outubro, nove integrantes da Assembléia Popular dos Povos de Oaxaca haviam sido mortos e vários manifestantes e lideranças sindicais do SNTE, bem como dos movimentos populares, estão presos.

Além das reivindicações salariais, os movimentos docente e popular reivindicavam também a renúncia do governador de Oaxaca, Ulises Ruiz Ortiz, por ingovernabilidade. Ele assumiu o governo do estado em agosto de 2004, depois de uma eleição fraudulenta, para comandar a região até o ano de 2010. Segundo denúncia do movimento docente, ele segue uma política altamente repressiva que criminaliza os movimentos sindical e popular. Além disso constituiu grupos paramilitares para impor sua lei e privatizou terras, água, praias e minerais do estado. Oaxaca é um dos estados mexicanos mais pobres. Situado no sul do país, nele se concentram cerca de 50% da população indígena.

 

 

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